Resenha: A Amiga Genial, de Elena Ferrante

“Logo precisei admitir que as coisas que eu fazia sozinha não eram capazes de disparar meu coração, só aquilo que Lila tocava se tornava importante. Se ela se distanciava, se sua voz se afastava das coisas, estas se cobriam de manchas, de poeira. A escola média, o latim, os professores, os livros, a língua dos livros me pareceram definitivamente menos sugestivos que o acabamento de um sapato, e isso me deprimiu.”

Gosto bastante de histórias cujo o foco é algum tipo de relação complexa entre personagens. A Amiga Genial, da misteriosa escritora Elena Ferrante, é justamente esse tipo de livro. Nele, acompanhamos a amizade complicada de duas amigas em uma Nápoles pós-guerra, e quando dei por mim já estava completamente envolvido com a história e suas protagonistas cativantes. Continue Lendo “Resenha: A Amiga Genial, de Elena Ferrante”

Anime: Mary and the Witch’s Flower (Mary to Majo no Hana)

Uma das minhas características favoritas em longas de animação é a capacidade de ser transportado para uma realidade surreal. Animações japonesas, no geral, costumam explorar universos fantásticos e exóticos, propondo histórias incríveis, principalmente no aspecto visual. O longa Mary and the Witch’s Flower (メアリと魔女の花 — Mary to Majo no Hana, ou “Mary e a Flor da Bruxa no Brasil) conta com todos esses detalhes em uma aventura repleta de magia e carisma. Esse filme me conquistou com sua história simples, porém cativante, e sua excelente ambientação. Continue Lendo “Anime: Mary and the Witch’s Flower (Mary to Majo no Hana)”

Resenha: As Sombras de Si Mesmo (Mistborn: Segunda Era #2), de Brandon Sanderson

“Não. Aradel estava com outras pessoas quando o sacerdote foi morto. Ferrugem!… A criatura estava deixando Marasi assustada, desconfiada de que qualquer um que encontrasse podia ser a kandra. Resolveu pegar uma xícara de chá, esperando que isso ajudasse a afastar de sua cabeça a imagem do pobre padre Bin pendurado na parede. Não se encontrava nem a meio caminho da mesa onde estavam as garrafas quando as portas do vestíbulo se abriram e Waxillium entrou.
As tiras de seu casaco ondulavam como as brumas, e seus passos poderosos incentivavam os policiais menos graduados a saírem do caminho. Como podia encarnar tão completamente tudo o que os policiais deveriam ser e não eram? Nobre sem ser arrogante, contemplativo e ainda assim proativo, inflexível, mas curioso. Marasi sorriu e correu atrás dele. Foi só quando chegaram à capela, com a grande cúpula de vidro e o padre morto pendurado no extremo oposto, que ela percebeu que tinha esquecido completamente o chá.”

A Liga da Lei, primeiro livro da série Mistborn: Segunda Era, me surpreendeu com ótimos personagens, trama bem pensada e muitas referências sutis à trilogia inicial. O primeiro volume me incomodou um pouco com a sensação de ser somente uma introdução a algo maior, já As Sombras de Si Mesmo, o segundo livro da Segunda Era, aprofunda os aspectos apresentados anteriormente e vai em uma direção que eu não esperava. Mais séria e mais sombria, a segunda aventura de Wax e seus amigos me prendeu com sua trama mais intrincada.

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Resenha: A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

“Clara passou a infância e entrou na juventude dentro das paredes de sua casa, num mundo de histórias assombrosas, de silêncios tranquilos, onde o tempo não se marcava com relógios nem com calendários e onde os objetos tinham vida própria, as aparições se sentavam à mesa e falavam com os humanos, o passado e o futuro faziam parte da mesma coisa e a realidade do presente era um caleidoscópio de espelhos desordenados onde tudo podia acontecer.”

Vez ou outra, aparece uma história com uma experiência arrebatadora e que me faz ler por horas sem nem notar a passagem do tempo. A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, é um desses livros. A obra da autora chilena ficou na minha cabeça por semanas por causa de seus ótimos personagens, trama diversa e interessante, e a escrita bem construída. Continue Lendo “Resenha: A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende”

Resenha: A Floresta Sombria, de Cixin Liu

“— Você acredita mesmo que os trissolarianos vão preservar a herança cultural da humanidade? Eles não têm a menor consideração por nós.
— Acha isso porque eles disseram que nós somos insetos? Mas não é esse o significado. Yan Yan, sabe qual é o maior gesto de consideração que uma raça ou civilização pode receber?
— Não, qual?
— Aniquilação. Esse é o maior sinal de respeito possível para uma civilização. Eles só se sentiriam ameaçados por uma civilização que realmente respeitam.”

Lembro-me perfeitamente bem de ter ficado intrigado com O Problema dos Três Corpos, mesmo com o incômodo dos vários problemas do livro. De qualquer maneira, foi uma história que ficou na minha cabeça por meses. Já a continuação, A Floresta Sombria, me prendeu desde sua premissa, o que me fez ler freneticamente o volume. O segundo livro da trilogia me surpreendeu bastante em quase todos os aspectos. Continue Lendo “Resenha: A Floresta Sombria, de Cixin Liu”

Resenha: A Liga da Lei (Mistborn: Segunda Era #1), de Brandon Sanderson

“Havia uma emoção naquilo, no voo de um Lançamoedas. Era uma liberdade que nenhum outro alomântico conhecia. Quando ele dominava o ar, sentia a mesma empolgação que teve anos antes, quando partiu para arriscar a vida nas Terras Brutas. Desejava que estivesse usando seu casaco de bruma e que houvesse brumas ao redor. Tudo parecia funcionar melhor nas brumas. Diziam que elas protegiam os justos.”

A série Mistborn me conquistou com seu sistema de magia único, personagens cativantes e mundo bem construído. Depois de terminar a primeira trilogia, fiquei com muita vontade de revisitar esse universo criado por Brandon Sanderson. Para a minha sorte, o autor tinha mais planos para franquia. Mistborn: Segunda Era se passa 300 anos após as aventuras de Vin e Elend e tem como protagonista um vigilante chamado Waxillium Ladrian. A Liga da Lei, o primeiro livro dessa quadrilogia, traz uma história de ritmo bem diferente, com pegada steampunk, sem deixar de ser divertida. Continue Lendo “Resenha: A Liga da Lei (Mistborn: Segunda Era #1), de Brandon Sanderson”

Resenha: O homem que buscava sua sombra (Millennium 5), de David Lagercrantz

“Não mesmo! Você…” Alvar tomou fôlego. “Você me agrediu. A situação não está nada boa para o seu lado.”
“A situação não está nada boa é para você”, disse Salander. “As pessoas são oprimidas e agredidas aqui dentro e você não levanta um dedo para acabar com isso. Tem noção do escândalo que seria se as pessoas soubessem disso lá fora? O garoto-propaganda do serviço penitenciário manipulado por uma pequena Mussolini!”
“Mas…”, Alvar tentou interrompê-la.
“Nada de ‘mas’. Vou ajudar você a dar um jeito nisso, com a condição de que você me dê acesso a um computador ligado à internet.”
“Impossível”, retrucou Alvar, tentando parecer durão. “Existem câmeras em todos os corredores. Você se deu mal.”
“No caso, nós dois nos demos mal, e por mim tudo bem”, ela disse.

Eu fiquei muito surpreso (e apreensivo) quando foi anunciado que o escritor sueco David Lagercrantz iria continuar Millennium, a série de livros criada por Stieg Larsson. Eu gostei de Millennium 4: A Garota na Teia de Aranha, levando em consideração que é uma sequência escrita por outro autor — a trama é interessante e me cativou bastante. O homem que buscava sua sombra é o novo volume da série e eu até gostei do livro, mesmo sendo facilmente o pior episódio até o momento. Continue Lendo “Resenha: O homem que buscava sua sombra (Millennium 5), de David Lagercrantz”

Resenha: Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa

“Se a gente não tivesse saído para esta viagem, eu teria passado o resto da vida sem nunca ver o mar de perto. Meu mundo se limitava a uma pequena área ao redor do apartamento de Satoru. Como território de um gato, até que não era ruim, mas, comparado com a grandeza deste mundo, agora vejo que era pequeno demais. Neste mundo, as paisagens que um gato jamais verá são muito maiores do que tudo o que ele chega a conhecer. “

Muitas coisas me chamaram a atenção em Relatos de um gato viajante, principalmente a capa bonita e a premissa interessante: um dos protagonistas é um gato que está viajando pelo Japão com seu dono. Eu esperava algo simples (misturado com um pouco de fofura), porém o livro me cativou e surpreendeu bastante com os temas abordados e a ótima narrativa. Continue Lendo “Resenha: Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa”

Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert

“— Prefiro o ponto de vista dos céticos — ensaiou Paul. — Você obviamente foi treinado para usar todos os truques mentirosos da arte de governar, os duplos sentidos e as palavras de poder. Para você, a linguagem não passa de uma arma, e assim você põe minha armadura à prova.
— O ponto de vista dos céticos — disse Edric, e um sorriso espichou-lhe a boca. — E os soberanos são sabidamente céticos no que toca à religião. A religião também é uma arma. E que tipo de arma seria a religião quando ela se torna o governo?” (Pág. 106)

Duna, de Frank Herbert, me conquistou com seu universo rico, personagens complexos e trama que mistura bem vários aspectos distintos. A sequência, Messias de Duna, é uma obra bem diferente por conta do ritmo mais lento e narrativa com outro foco. A trama repleta de intriga, misticismo e política me cativou mais uma vez. Continue Lendo “Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert”

Resenha: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North

“— Dizem… — respondeu ele, bufando com a resignação típica de quem está cansado de contar histórias. — Dizem que há certas pessoas vivendo entre nós que não morrem. Dizem que elas nascem, vivem, morrem e voltam a viver a mesma vida, mil vezes. E, sendo infinitamente velhas e sábias, elas se reúnem às vezes, ninguém sabe onde, e fazem… Bem, o que eles fazem varia de acordo com o texto.”

Esbarrei com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August por acaso e fiquei intrigado com a premissa. O protagonista é um homem que vive novamente a mesma vida após morrer, em uma espécie de loop infinito. E, para piorar, uma mensagem do futuro diz que o mundo está acabando. O tom parece ser apocalíptico, mas na verdade esse livro aborda vários assuntos distintos em uma narrativa ágil. Continue Lendo “Resenha: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North”