Resenha: O homem que buscava sua sombra (Millennium 5), de David Lagercrantz

“Não mesmo! Você…” Alvar tomou fôlego. “Você me agrediu. A situação não está nada boa para o seu lado.”
“A situação não está nada boa é para você”, disse Salander. “As pessoas são oprimidas e agredidas aqui dentro e você não levanta um dedo para acabar com isso. Tem noção do escândalo que seria se as pessoas soubessem disso lá fora? O garoto-propaganda do serviço penitenciário manipulado por uma pequena Mussolini!”
“Mas…”, Alvar tentou interrompê-la.
“Nada de ‘mas’. Vou ajudar você a dar um jeito nisso, com a condição de que você me dê acesso a um computador ligado à internet.”
“Impossível”, retrucou Alvar, tentando parecer durão. “Existem câmeras em todos os corredores. Você se deu mal.”
“No caso, nós dois nos demos mal, e por mim tudo bem”, ela disse.

Eu fiquei muito surpreso (e apreensivo) quando foi anunciado que o escritor sueco David Lagercrantz iria continuar Millennium, a série de livros criada por Stieg Larsson. Eu gostei de Millennium 4: A Garota na Teia de Aranha, levando em consideração que é uma sequência escrita por outro autor — a trama é interessante e me cativou bastante. O homem que buscava sua sombra é o novo volume da série e eu até gostei do livro, mesmo sendo facilmente o pior episódio até o momento. Continue Lendo “Resenha: O homem que buscava sua sombra (Millennium 5), de David Lagercrantz”

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Resenha: Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa

“Se a gente não tivesse saído para esta viagem, eu teria passado o resto da vida sem nunca ver o mar de perto. Meu mundo se limitava a uma pequena área ao redor do apartamento de Satoru. Como território de um gato, até que não era ruim, mas, comparado com a grandeza deste mundo, agora vejo que era pequeno demais. Neste mundo, as paisagens que um gato jamais verá são muito maiores do que tudo o que ele chega a conhecer. “

Muitas coisas me chamaram a atenção em Relatos de um gato viajante, principalmente a capa bonita e a premissa interessante: um dos protagonistas é um gato que está viajando pelo Japão com seu dono. Eu esperava algo simples (misturado com um pouco de fofura), porém o livro me cativou e surpreendeu bastante com os temas abordados e a ótima narrativa. Continue Lendo “Resenha: Relatos de um gato viajante, de Hiro Arikawa”

Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert

“— Prefiro o ponto de vista dos céticos — ensaiou Paul. — Você obviamente foi treinado para usar todos os truques mentirosos da arte de governar, os duplos sentidos e as palavras de poder. Para você, a linguagem não passa de uma arma, e assim você põe minha armadura à prova.
— O ponto de vista dos céticos — disse Edric, e um sorriso espichou-lhe a boca. — E os soberanos são sabidamente céticos no que toca à religião. A religião também é uma arma. E que tipo de arma seria a religião quando ela se torna o governo?” (Pág. 106)

Duna, de Frank Herbert, me conquistou com seu universo rico, personagens complexos e trama que mistura bem vários aspectos distintos. A sequência, Messias de Duna, é uma obra bem diferente por conta do ritmo mais lento e narrativa com outro foco. A trama repleta de intriga, misticismo e política me cativou mais uma vez. Continue Lendo “Resenha: Messias de Duna, de Frank Herbert”

Resenha: Perdido em Marte, de Andy Weir

“Nem sei quem vai ler isto. Acho que alguém vai acabar encontrando. Talvez daqui a cem anos.
Que fique registrado: não morri em Sol 6. O restante da tripulação certamente achou que eu tivesse morrido, e não posso culpá-los. Talvez decretem um dia de luto nacional em minha homenagem e minha página na Wikipédia vá dizer: “Mark Watney foi o único ser humano que morreu em Marte.”
E, provavelmente, isso estará correto. Porque, sem dúvida, vou morrer aqui. Só que não em Sol 6, como todo mundo está achando.”

Marte é um planeta que emite uma aura de mistério, sendo fascínio da humanidade desde os tempos remotos. Sendo assim, é natural que ele seja o palco de várias tramas de ficção de todos os tipos. Perdido em Marte, como o nome sugere, é uma história de ficção científica sobre um astronauta que fica preso no planeta vermelho e faz de tudo para sobreviver. Com forte embasamento científico e praticamente nada de fantasia, esse livro me agradou principalmente por conta da trama interessante repleta de ótimos momentos. Continue Lendo “Resenha: Perdido em Marte, de Andy Weir”

Resenha: O Problema dos Três Corpos, de Cixin Liu

Wang tirou o traje v. Depois de se acalmar um pouco, pensou mais uma vez que Três Corpos era uma tentativa deliberada de fingir ser apenas uma ilusão, embora na verdade possuísse alguma realidade subjacente. Em contrapartida, o mundo real diante de Wang havia começado a parecer complexo na superfície, mas na verdade muito simples, Qingming Shanghe Tu. (Pág. 124)

O Problema dos Três Corpos me deixou intrigado por conta de sua sinopse e até mesmo título. Sempre gostei de ficção científica, mas nunca tinha lido nada cujo o foco central fosse extraterrestres — decidi mudar isso lendo esse livro. A obra do chinês Cixin Liu é bem diferente do que eu imaginava, sem deixar de ser bem interessante e envolvente. Vencedora de prêmios como o Hugo, a obra foi um sucesso e será adaptada para o cinema em breve. Continue Lendo “Resenha: O Problema dos Três Corpos, de Cixin Liu”

Resenha: O Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin

—Quando você era garoto, pensava que os magos pudessem fazer qualquer coisa. Eu também já achei isso. Todos nós já pensamos isso. E a verdade é que, à medida que o verdadeiro poder de um homem cresce e seu conhecimento se amplia, o caminho que ele pode seguir fica cada vez mais estreito, até ele finalmente nada escolher, mas ter de fazer tão somente o que deve fazer. (Pág. 73-74)

Minha curiosidade por O Feiticeiro de Terramar surgiu por conta dele ser considerado um dos clássicos da fantasia e influência para muitas outras obras. Publicado pela primeira vez em 1968, o livro de Ursula K. Le Guin tem como foco a jornada de um mago por um mundo repleto de ilhas. Continue Lendo “Resenha: O Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin”

Resenha: Ouça a canção do vento & Pinball, 1973, de Haruki Murakami

Infelizmente, só descobri muito depois que isso era uma armadilha. Tracei uma linha no centro de uma folha de caderno e escrevi no lado esquerdo tudo o que havia ganhado e no direito, o que havia perdido. No fim das contas, eu havia perdido tanto — coisas que eu havia abandonado, sacrificado, traído — que não tive espaço suficiente para terminar a lista.
Há um fosso profundo entre as coisas das quais gostaríamos de ter consciência e aquilo de que realmente temos. Nem a régua mais comprida conseguiria medir a profundidade desse fosso. O que eu posso registrar aqui é apenas uma lista. Não é um romance, nem literatura, muito menos arte. (Pág. 24)

Reagi com surpresa ao descobrir o lançamento de Ouça a Canção do Vento & Pinball, 1973, de Haruki Murakami. Sou fã do autor e lembro muito bem que em algum momento ele afirmou que não gostaria que essas duas novelas fossem relançadas por considerá-las sem polimento. Contudo, uma edição muito bonita e algumas opiniões favoráveis me fizeram conferir o livro. Continue Lendo “Resenha: Ouça a canção do vento & Pinball, 1973, de Haruki Murakami”

Resenha: Coração de Aço, de Brandon Sanderson

“Eu sei, melhor do que qualquer outra pessoa, que não há heróis vindo nos salvar. Não há Épicos bons. Nenhum deles nos protege. O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Pág. 21)

Estamos acostumados a ver muitas tramas em que pessoas normais tornam-se heróis depois de ganhar poderes especiais. Coração de Aço propõe justamente o contrário: o que acontece quando humanos recebem superpoderes e se tornam tiranos ao invés de heróis? A combinação de muita ação, ritmo ágil e conceitos interessantes resulta em um livro divertido e uma experiência muito prazerosa. Continue Lendo “Resenha: Coração de Aço, de Brandon Sanderson”

Resenha: Pedra no Céu, de Isaac Asimov

“—Para o resto da Galáxia, se é que notam a nossa existência, a Terra é apenas uma pedra no céu. Para nós é o nosso lar, e o único lar que conhecemos. No entanto, não somos diferentes de vocês dos mundos siderais; somos apenas mais desafortunados. Estamos apinhados em um mundo morto, imersos entre paredes de radiação que nos prendem, cercados por uma imensa Galáxia que nos rejeita. O que podemos fazer contra o sentimento de frustração que nos consome?” (Pág. 58)

Publicado em 1950, Pedra no Céu foi o romance de estreia de Isaac Asimov, conhecido escritor de ficção científica. Por conta da sinopse instigante e por gostar muito dos trabalhos do autor, resolvi conferir esse livro. Mesmo não sendo tão elaborado como outras obras do Asimov, Pedra no Céu é uma leitura interessante. Continue Lendo “Resenha: Pedra no Céu, de Isaac Asimov”