Resenha: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North

“— Dizem… — respondeu ele, bufando com a resignação típica de quem está cansado de contar histórias. — Dizem que há certas pessoas vivendo entre nós que não morrem. Dizem que elas nascem, vivem, morrem e voltam a viver a mesma vida, mil vezes. E, sendo infinitamente velhas e sábias, elas se reúnem às vezes, ninguém sabe onde, e fazem… Bem, o que eles fazem varia de acordo com o texto.”

Esbarrei com As Primeiras Quinze Vidas de Harry August por acaso e fiquei intrigado com a premissa. O protagonista é um homem que vive novamente a mesma vida após morrer, em uma espécie de loop infinito. E, para piorar, uma mensagem do futuro diz que o mundo está acabando. O tom parece ser apocalíptico, mas na verdade esse livro aborda vários assuntos distintos em uma narrativa ágil. Continue Lendo “Resenha: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North”

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Minhas cinco leituras favoritas de 2016

2016 foi um ano de muitas leituras interessantes por vários motivos: conheci muita coisa legal, obras que fogem um pouco do padrão de história que sempre leio. Também consegui ler um pouco mais em relação ao ano passado, mesmo com vários momentos sem avançar em nenhuma leitura. Continue Lendo “Minhas cinco leituras favoritas de 2016”

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, de J.K. Rowling, Jack Thorne & John Tiffany

Lembro-me até hoje do dia em que comecei a ler Harry Potter e a Pedra Filosofal e como fui sugado para aquele universo. Acompanhei de perto os lançamentos e me tornei fã da série, fui crescendo acompanhando a história de Harry. Admito que a franquia de J.K. Rowling teve grande influência em meu gosto pela leitura, mas nunca fui fã fervoroso — principalmente pelo fato do meu gosto por literatura ter mudado com o passar dos anos. Foi com surpresa que recebi a notícia do lançamento da peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, que seria continuação direta do sétimo e último livro da série principal — fiquei me perguntando como o universo do bruxo funcionaria nos palcos. Mais surpreendente ainda foi o anúncio de que uma versão do roteiro da peça seria lançada em formato de livro. Continue Lendo “Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, de J.K. Rowling, Jack Thorne & John Tiffany”

Resenha: À Noite Andamos em Círculos, de Daniel Alarcón

“Depois de um ano desanimador — um término de namoro, uma extensão de contrato num emprego desinteressante, os meses de frustração após uma formatura tanto almejada quanto temida —, Nelson ficou simplesmente extasiado com a notícia. Henry tinha razão: Nelson, aos quase vinte e três anos, tinha uma mochila cheia de roteiros, um caderno abarrotado de histórias manuscritas, uma cabeça cheia de cachos rebeldes, e parecia muito, muito mais jovem. Talvez tenha sido por isso que ele ganhou o papel — sua juventude. Sua ignorância. Sua maleabilidade. Sua ambição. A turnê começaria dali a um mês. E foi então que os problemas começaram.”

De tempos em tempos, gosto de ler alguma história mais densa e não necessariamente feliz. À Noite Andamos em Círculos, do peruano Daniel Alarcón, é justamente esse tipo de livro. Indicação de um amigo, o livro me conquistou com sua narrativa ágil, seus personagens bem construídos e sua trama simples, porém bem explorada. Continue Lendo “Resenha: À Noite Andamos em Círculos, de Daniel Alarcón”

Resenha: Neuromancer, de William Gibson

“Ciberespaço. Uma alucinação consensual vivenciada diariamente por bilhões de operadores autorizados, em todas as nações, por crianças que estão aprendendo conceitos matemáticos… uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os computadores do sistema humano. Uma complexidade impensável. Linhas de luz alinhadas no não espaço da mente, aglomerados e constelações de dados. Como luzes da cidade, se afastando…” (Pág. 77)

Neuromancer é um romance de ficção científica muito famoso por conta de sua ambientação complexa e por ser forte representante (ou até mesmo um dos precursores) do movimento cyberpunk. Mesmo sendo bem conhecido, eu ainda não tinha lido esse livro,principalmente por estar conhecendo melhor literatura de ficção científica só agora. Quando a editora Aleph lançou uma edição muito bonita, decidi conferir esse clássico.

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A Terra Inteira e o Céu Infinito, de Ruth Ozeki

Vou escrever tudo o que sei sobre a vida de Jiko no livro do Marcel, e quando eu terminar, vou deixá-lo em algum lugar, e você vai achá-lo! Não é uma ideia legal? A impressão é de que estou esticando o braço para a frente, através do tempo, para tocar em você, e agora que o achou, você está estendendo o braço para me tocar! Se você quer saber a minha opinião, isso é fantasticamente legal e belo. É como uma mensagem na garrafa, jogada no oceano do tempo e do espaço. Totalmente pessoal, e também real, saído do mundo pré-conexões da velha Jiko e do Marcel. E se você leu até aqui, é provável que entenda o que quero dizer. Você entende? Você já está se sentindo especial? Vou esperar um minutinho para ver se você responde…

A Terra Inteira e o Céu Infinito me conquistou pela sua premissa inusitada: uma escritora encontra na praia um diário de uma garota japonesa. Sendo assim, acompanhamos duas histórias, paralelamente. Eu gosto muitíssimo desse tipo de dinâmica de duas narrativas e me surpreendi muito com os temas abordados e com os personagens interessantes. Continue Lendo “A Terra Inteira e o Céu Infinito, de Ruth Ozeki”

Resenha: Guerra do Velho, de John Scalzi

— Em toda a nossa vida, aquele foi o único lugar no qual estivemos. Todos que conhecíamos e amávamos estavam lá. E agora estamos indo embora. Vocês não sentem um negócio?
— Empolgação — Jesse falou. — E tristeza. Mas não muita.
—Certamente, não muita — disse Harry. — Não restava nada a fazer lá além de envelhecer e morrer.
—Você ainda pode morrer, sabia? Afinal, está ingressando no serviço militar — comentei.
—Sim, mas não vou morrer velho — Harry retrucou. — Vou ter uma segunda chance para morrer jovem e deixar um cadáver boa-pinta. Isso vai compensar ter perdido a oportunidade da primeira vez. (Pág. 57)

Confesso que, inicialmente, me interessei por Guerra do Velho após ver sua bela arte de capa. O tema central — um exército interestelar no qual só é possível se alistar ao ter 75 anos — também parecia inusitado e fiquei curioso. Como gosto de ficção científica, fiz questão de conferi-lo logo. Depois de alguns poucos dias, terminei a leitura e até me diverti, contudo fiquei um pouco decepcionado. Continue Lendo “Resenha: Guerra do Velho, de John Scalzi”

Vocação para o Mal, de Robert Galbraith (J.K. Rowling)

“Assim como as vigas de aço de um prédio são reveladas à medida que ele arde em chamas, Strike viu neste lampejo de inspiração o esqueleto do plano do assassino, reconhecendo as falhas cruciais que deixara passar — que todos deixaram passar —, mas que, enfim, podiam ser os meios de demolir o criminoso e seus esquemas macabros.” (Pág. 424)

Vocação para o Mal é meu livro favorito de Robert Galbraith. Gosto muito da série de romances policiais que J.K. Rowling está produzindo sob um pseudônimo, mas este se superou em vários aspectos. O terceiro volume tem ritmo acelerado, narrativa instigante e ótimos personagens, não queria largá-lo de jeito algum. Continue Lendo “Vocação para o Mal, de Robert Galbraith (J.K. Rowling)”

Resenha: O Chamado de Cthulhu e Outros Contos, de H.P. Lovecraft

Vi o abismo do negro universo
Onde os astros vagueiam no escuro
Onde vagam em horror indizível,
Sem passado, presente ou futuro.

H.P. Lovecraft é um daqueles escritores que todo mundo já ouviu falar, mas que poucos realmente conhecem de fato o trabalho. Eu era um desses, até que li o conto A cor que caiu do céu — achei muito legal a atmosfera angustiante da história, que tem um leve toque de ficção científica. Sendo assim, procurei algo para conhecer mais Lovecraft e minha escolha foi a coletânea O Chamado de Cthulhu e Outros Contos. Gostei muitíssimo do que li. Continue Lendo “Resenha: O Chamado de Cthulhu e Outros Contos, de H.P. Lovecraft”

Resenha: O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro

“Mas a senhora tem mesmo certeza de que deseja ficar livre dessa névoa, boa senhora? Será que não é melhor que algumas coisas permaneçam encobertas?”
“Pode ser que para algumas pessoas sim, padre, mas não para nós. Axl e eu queremos recuperar os momentos felizes que passamos juntos. Não lembrar deles é como se fôssemos roubados, é como se um ladrão tivesse entrado no nosso quarto à noite e levado o que nos é mais precioso.”
“No entanto, a névoa encobre todas as lembranças: tanto as boas, quanto as más. Não é verdade, senhora?”
“Nós aceitaremos as más lembranças de volta também, mesmo que elas nos façam chorar ou tremer de raiva. Afinal, elas não são a vida que compartilhamos?” (Pág 196)

Confesso que meu interesse por O Gigante Enterrado nasceu de sua bela apresentação: a capa bonita e convidativa, os detalhes brilhantes na arte e a lombada azul. A recomendação de um amigo também me fez querer ler o livro. A premissa me pareceu que a trama era uma espécie de fantasia, mas logo no começo da leitura eu percebi que era algo bem diferente do que eu esperava. Continue Lendo “Resenha: O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro”