Troca não tão equivalente

3estrelas

Após muito tempo de espera e especulações finalmente o mangá de Fullmetal Alchemist foi lançado no Brasil pela Editora JBC e está atualmente na 5ª edição. Infelizmente essa espera não foi tão bem recompensada.

Fullmetal Alchemist conta a história dos irmãos Edward e Alphonse Elric, em um mundo que a alquimia é uma ciência que faz parte da vida das pessoas. Edward e Alphonse executaram a alquimia proibida: a transmutação humana. Com isso Alphonse perdeu todo o seu corpo e Edward perdeu uma das pernas e um dos braços (utilizado como troca para fixar a alma de seu irmão em uma armadura). Agora os dois andam pelo mundo de Amestris à procura da Pedra Filosofal, item que os dois acreditam que os ajudará a recuperarem seus corpos originais.

A trama do mangá gira inicialmente sobre as aventuras dos irmãos Elric. Muitos temas interessantes como vingança, religião e ética são abordados. Alguns podem não se interessar pela história de início, pois as duas primeiras edições são somente uma apresentação dos protagonistas e do mundo da alquimia. Diferentemente da versão anime, o mangá tem um ritmo mais rápido e trama bem mais desenvolvida, com muito mais personagens e pontos importantes. O traço é um tanto quanto simples, oscilando entre momentos muito bons e outros muito fracos, mas no geral cumpre o seu papel.

O problema da versão brasileira foi o tratamento que a editora JBC deu ao mangá. São edições quinzenais, sendo que estas representam metade de uma edição original japonesa. A adaptação é fraquíssima e cheia de gírias, descaracterizando a personalidade de alguns personagens. A edição também não é das melhores, contando com quadrados brancos e feios em volta de alguns dos nomes dos capítulos. A qualidade do papel é bem menor em comparação com outros títulos de meia edição da editora como XXXHOLiC e Tsubasa Reservoir Chronicle. Para completar o terror cada edição custa absurdos R$6,90, totalizando R$13,80 mensais. Felizmente a partir da terceira edição a qualidade da adaptação e edição melhorou muito, mas ainda não explica o preço abusivo.

Fullmetal Alchemist tem uma ótima história, que é melhor que a do anime. O preço salgado atrapalha muito, mas se você tiver algum (algum nada, muito) dinheiro sobrando é um ótimo investimento.

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Reportagem estendida

A Sangue Frio

3estrelas

Uma família é brutalmente assassinada nos EUA na década de 50 e o jornalista Truman Capote se aproveita disso para escrever A Sangue Frio, um romance-reportagem.

A família Clutter era uma típica família americana: pacata, vista com bons olhos, íntegra.  Não fazia mal a ninguém. Mesmo com estas características, a família foi assassinada por uma dupla de criminosos, que acreditavam ter executado “o crime perfeito”. Ao contrário do que pensavam, os assassinos foram descobertos e condenados à pena de morte vários anos após o crime.  Capote redescreve com a maior quantidade de detalhes possível a história da família Clutter e seus assassinos Perry Smith e Dick Hicock.

A narrativa é extremamente descritiva, tudo é contado em minuciosos detalhes. Não existe também uma quebra constante, sendo assim tudo é contado em pouquíssimos e longos capítulos. O estilo de escrita do autor as vezes cansa, como a quebra de sentenças, não tão longas, em várias frases menores.

O problema de A Sangue Frio é que ele está mais para uma reportagem extremamente detalhada e longa do que para um romance. É um acompanhamento da trajetória dos assassinos e uma coleção de depoimentos e dados montados de tal maneira que parece um romance.  Quem não está acostumado com o estilo pode se assustar e largar o romance logo depois de algumas poucas páginas. Outro problema de ser mais uma reportagem do que um romance é que a história é o mais previsível possível, não existem reviravoltas e muito menos mistérios para o leitor tentar desvendar, tudo acontece da maneira mais simples e direta possível. Por outro lado a personalidade dos assassinos é explorada e exposta ao máximo, tornando-os bem reais.

Mesmo sendo extremamente cansativo, A Sangue Frio recompensa o leitor com um nível de detalhamento absurdo e com dois personagens muito bem construídos.  Ficou faltando somente um pouco mais de ficção para não parecer somente uma gigantesca reportagem sobre um fato específico.

Além do bem e o mal

Beyond Good & Evil

4 estrelas!

Beyond Good & Evil é um jogo de aventura lançado para todas as plataformas “de mesa” em 2003.

Jade é uma fotógrafa freelancer que vive com o seu “tio” Pey’j (que é um porco-humanóide) no planeta Hillys. Hillys está passando por uma crise: uma raça alienígena chamada DomZ está atacando o planeta constantemente, raptando seus habitantes e destruindo tudo. O governo do planeta afirma que tudo está sobre controle com a ajuda das Alpha Sections, espécie de exército do lugar. Jade então recebe uma proposta de trabalho simples: tirar fotos de uma criatura dentro de uma caverna, nada de mais. A partir disso Jade começa a se envolver com uma organização que afirma que as Alpha Sections não está tentando impedir a invasão alien, mas sim os ajudando. Cabe agora a Jade conseguir evidência suficiente para convencer os habitantes de que os DomZ não estão agindo sozinhos.

BG&E tem ótimos gráficos para a época em que foi lançado. Os modelos são bem trabalhados e os efeitos de iluminação são muito convincentes, já a movimentação dos personagens não é tão natural (Jade parece bem artificial em certos movimentos), mas nada que estrague a experiência.

A jogabilidade é variada e ajuda a quebrar e diversificar o ritmo. Na maior parte do tempo Jade estará explorando locais e resolvendo os variados puzzles. Quando inimigos aparecem inicia-se um combate em que Jade utiliza um bastão para atacar as criaturas. O estilo de batalha é parecido com Zelda e similares, mas bem mais simples. Os combates também não são muito freqüentes. Outro momento é a espionagem: Jade tem que percorrer vários lugares sem ser vista por guardas e câmeras. Existe também sempre um personagem npc que auxilia Jade nas batalhas e puzzles.

A dublagem é competente, mas não é nada além disso, parecendo artificial muitas vezes. A trilha sonora é muito boa e ajuda a compor o clima necessário em cada cena. São músicas que vão de belos instrumentais a composições techno. Os sons cumprem o seu papel, sem destaques.

A grande maioria das personagens são extremamente carismáticas, mas infelizmente a personalidade da grande maioria foi mal trabalhada. Nem mesmo Jade e Pey’j são bem trabalhados, com poucos detalhes sobre suas origens. A história também é simples e com poucas reviravoltas, mas prende.

Não são muitas localidades que podem ser visitadas, mas isso é compensado com algumas sidequests como, por exemplo, tirar fotos de todos os animais de Hillys e corridas de hovercraft. Existe também uma sidequest que só pode ser acessada através do site oficial, assim como um ranking mundial.

Mesmo com as baixas na história, Beyond Good & Evil é um jogo imperdível. É uma pena que pouquíssima gente tenha jogado. É relativamente curto, mas vale a pena. Boatos apontam para uma continuação, o que seria ótimo para esclarecer detalhes do enredo. O melhor mesmo é deixar os preconceitos de lado e se divertir com este ótimo jogo =]

No limite ilusório entre a paixão e a razão

Le Portrait de Petit Cossette

3 estrelas!

Le Portrait de Petit Cossette (Cossette no Shouzou) é um pequeno OVA de 3 episódios.
Eiri trabalha em uma loja de antiguidades e se vê apaixonado por Cossette, jovem garota que foi assassinada no século 18 e agora tem sua alma presa a um cálice. Cossette pretende utilizar-se de Eiri, o único que pode vê-la, para poder escapar de seu confinamento, mesmo que isso resulte no sofrimento e morte dele. Para piorar ainda mais as coisas Eiri é a reencarnação de Marcelo, o assassino de Cossette, despertando a fúria em vários objetos amaldiçoados de Cossette que buscam vingança pela sua dona. Eiri mergulha então em uma paixão de grande dor e sofrimento, começando a ignorar todos a sua volta. Conseguirá Eiri ficar junto de Cossette e ao mesmo tempo manter sua sanidade?

A história basicamente é focada em Eiri e Cossette. Existem alguns outros personagens, como as colegas de Eiri, mas a importância para a trama é aparentemente mínima. Outro detalhe importante é que a história não é clara, muitos detalhes ficam subentendidos e é necessário prestar atenção para entender tudo, talvez até rever cenas, pois tudo parece sem sentido. O problema disso é que alguns pontos ficam realmente difíceis de entender.
A arte do anime é belíssima. Consegue passar com exatidão o clima de mistério e insanidade, com cenas rápidas e fotografia ousada. Algumas cenas também passam certo ar de horror, outras são extremamente surrealistas, mas nada muito pesado. Destaque para a rua em que a loja de antiguidades se encontra.

A trilha sonora complementa o clima de mistério, com belas composições que remetem ao século 18 com pequenos toques de modernidade. São melodias repletas de piano e violino, algumas contendo também lindos vocais.

Ao final temos um anime belo, mas que pode afastar muitos por causa da maneira em que a história é contada. Se você está procurando algo em que a história não é entregada facilmente e que várias teorias podem ser concluídas, Le Portrait de Petit Cossette é a escolha certa.

Bem vindo!

Olá!

Depois de muito pensar e enrolar acabei finalmente criando um blog. Aqui devo escrever principalmente minhas impressões sobre filmes, livros, jogos e qualquer coisa que eu ache que mereça um pequeno texto. Tudo sobre a ótica de uma “pessoa comum”, ou seja, nada de exaltar diretores, compositores e afins, pelo menos num primeiro momento.

Espero que gostem de ver as coisas pelos meus olhos =]