Vuduuu necessário

Volta

4estrelas

Ainda lembro como conheci a Björk: um colega louco pseudo-suicida me falou “Já que você gosta de Enya você vai gostar de Björk”… Hmmm, e lá fui eu. Comecei com Pagan Poetry, achei meio estranho, mas acabei gostando. Em seguida caí em Pluto, achei horrenda quando ouvi (e hoje é uma das minhas favoritas). Quando dei por mim já era fã dela. Fã só de mp3, até que agora estou tendo oportunidade de comprar os álbuns dela, e é aí que Volta, o novo álbum da Björk, entra na história.

Eu nem pretendia compra-lo por causa do abusivo preço de lançamentos no Brasil, mas acabei ouvindo algumas faixas como Earth Intruders e Innocence…. Apaixonei. E pra minha sorte consegui o álbum por somente 28 dinheiros.

O conjunto justifica o preço: a versão brasileira do álbum é bem simples. Enquanto a versão americana/inglesa é em embalagem digipack recheada de fotos e extras, com a björk-pezão-maçã-mclanche-feliz na capa, a versão brasileira tem um encarte simplíssimo (uma folha somente, com a letra de todas as músicas em fonte minúscula) e a björk-fogo-da-loucura na capa (o que deixou muitos fãs indignados, mas eu gostei). Realmente uma pena que os encartes sejam simples e a capa diferente, mas pelo menos o álbum foi lançado no Brasil.

O álbum em si é composto de 10 canções que vão de batidas africanas aos ritmos meio industriais e batidas techno. Gostei muito de Earth Intruders, Wanderlust, Innocence, I see who you are, Hope e Declare Independence. E odiei Vertebrae by Vertebrae, The Dull Flame of Desire e Pneumonia.

Por mais “pop” que o álbum seja em relação ao seu ultimo trabalho (Medulla), ele ainda vai assustar os ouvintes mais “comuns”. Mesmo não tendo a “variedade” dos trabalhos anteriores, Volta é delicioso.

Ouça um trecho de Earth Intruders, música que dá nome ao post, aqui

3007

Para quebrar esses tantos posts de animes, fiz duas mini-análises de dois filmes que vi recentemente:

300

 

4estrelas

O Império Persa quer tomar a cidade de Esparta a força. Mas Leônidas, rei de Esparta, não vai deixar isso acontecer. Como não teve a benção dos anciões da cidade, Leônidas vai enfrentar o exército Persa somente com sua guarda pessoal composta de 300 soldados. E pronto, não tem mais história.

300 é basicamente um épico de ação, a história é mínima. Tem uma side-story da mulher do Leônidas tentando ajuda-lo, mas são cenas totalmente inúteis e sem graça. Boa parte do filme é somente lutas, sendo essas muito bem coreografadas e repletas de efeitos como câmera lenta. Outro destaque do filme é sua fotografia, é belíssima e dá um ar totalmente único ao filme. A trilha sonora me pareceu inconsistente, ora são belas canções orquestradas, ora são músicas com arranjos de guitarra (que me lembraram a trilha sonora do jogo Prince of Persia na hora…). Algo interessante é que o filme retrata bem que tipo de cidade era Esparta: um lugar machista e perfeccionista, aonde os fracos e defeituosos são descartados. Não sei se realmente Esparta era mais ou menos do que foi retratado no filme, mas deu para observar esse ponto.

No mais é um ótimo filme-pipoca. Muito sangue, violência e luta. Pena que infelizmente não passa disso. O problema é que fui assisti-lo com uma expectativa muito alta e acabei me decepcionando um pouco.

007 Cassino Royale

 

2estrelas

Nunca consegui assistir um filme de James Bond até o fim, então decidi me esforçar e tentar acompanhar um deles até o fim. Pena que não foi uma experiência boa.

007 Cassino Royale é a primeira história de Bond como 007. Após se tornar um agente 00, Bond precisa ganhar um torneio de Pôquer e impedir que um banqueiro de organizações terroristas do mundo todo ganhe esse torneio e consequentemente o dinheiro.

A história é contada de maneira muito confusa. É possível que se chegue até a metade do filme sem entender muito bem o que se está passando. A fotografia e trilha sonora não oferecem nada de muito interessante, somente o básico e tornando-se praticamente esquecível. Para quebrar um pouco a monotonia foram colocadas algumas poucas cenas de ação, que sofrem muito, acredito eu, por causa da censura. A atuação do elenco também não chama muita atenção.

Ao fim do filme tive a sensação de ter visto algo feito especialmente para fãs. Acabei decepcionado e frustrado.

Contratantes e robôs com brocas

Após uma temporada com altos (Code Geass) e baixos (Busou Renkin), conferi alguns animes da nova temporada que teve início no começo de Abril. Na verdade peguei só duas séries: Tengen Toppa Gurren-Lagann e Darker Than Black. E não me arrependo das escolhas. Vou comentar o que vi no primeiro episódio de cada uma das séries.

Tengen Toppa Gurren-Lagann

 

Em uma vila subterrânea aonde todos acreditam que não existe mundo na superfície vive Simon, garoto que trabalha na escavação a fim de expandir a vila. Um dia ele encontra uma pequena broca e decide usa-la como cordão. Logo após isso, Simon encontra Kamina, rapaz que acredita que tem um mundo além do teto da vila, que tenta sem sucesso ir para a superfície. Após pequena confusão um robô gigante cai do teto e junto com ele vem Yoko, jovem e misteriosa (ou seria “espetaculosa”? hehe) garota que estava perseguindo o robô. Fugindo do robô gigante Simon encontra então um robô que pode ser ligado com a broca encontrada anteriormente. Com a ajuda de Kamina e Yoko, Simon consegue derrotar o robô gigante e os três conseguem escapar para a superfície, aonde a verdadeira aventura começa.

Tudo isso acima acontece no primeiro episódio e de forma muito boa. Muitas cenas de ação e comédia, com animação fluída e de qualidade. Os personagens são muito carismáticos, principalmente o doidão Kamina. A música não me chamou muita atenção, mas gostei muito do tema de abertura. Não foi dada nenhuma dica de como a história será desenvolvida, mas é possível prever que ela pode tomar rumos imprevisíveis. No fim parece uma série muito promissora, com muita ação e comédia.

Darker Than Black

 

Em Tokyo várias pessoas conhecidas como “Contratantes” aparecem logo após o surgimento de um estranho lugar chamado de “Portão do Inferno”. Estes Contratantes possuem poderes sobre-humanos e estão cometendo crimes brutais, enquanto disputam algo entre si. Paralelamente as autoridades tentam ocultar tudo isso das pessoas normais. A história gira em torno de Hei e seu grupo, que estão atrás de algo.

A história é meio nebulosa, mas ao mesmo tempo muitíssimo interessante. Esse primeiro episódio foi um tanto quanto parado, no mais introduzindo os personagens, mas longe de ser um episódio ruim. Tudo nesse anime é bem produzido: a arte é muito boa, assim como a trilha sonora (da mesma compositora de Cowboy Bebop) e animação extremamente fluída, o que constrói uma atmosfera muito boa. Gostei muito das músicas de abertura e encerramento, mas achei as animações que as acompanham muito simples. Outra coisa que estão comentando por aí é que será um anime “episódico”, com uma história separada a cada dois episódios. Tendo uma história correndo por trás não tem muito problema. É uma serie que tem tudo pra se tornar famosa, tem todos os ingredientes para isso.

Acho que foi um bom começo. Com isso agora só faltam Paprika e Baccano! pra completar a minha lista “to see” dessa temporada =]

Troca não tão equivalente

3estrelas

Após muito tempo de espera e especulações finalmente o mangá de Fullmetal Alchemist foi lançado no Brasil pela Editora JBC e está atualmente na 5ª edição. Infelizmente essa espera não foi tão bem recompensada.

Fullmetal Alchemist conta a história dos irmãos Edward e Alphonse Elric, em um mundo que a alquimia é uma ciência que faz parte da vida das pessoas. Edward e Alphonse executaram a alquimia proibida: a transmutação humana. Com isso Alphonse perdeu todo o seu corpo e Edward perdeu uma das pernas e um dos braços (utilizado como troca para fixar a alma de seu irmão em uma armadura). Agora os dois andam pelo mundo de Amestris à procura da Pedra Filosofal, item que os dois acreditam que os ajudará a recuperarem seus corpos originais.

A trama do mangá gira inicialmente sobre as aventuras dos irmãos Elric. Muitos temas interessantes como vingança, religião e ética são abordados. Alguns podem não se interessar pela história de início, pois as duas primeiras edições são somente uma apresentação dos protagonistas e do mundo da alquimia. Diferentemente da versão anime, o mangá tem um ritmo mais rápido e trama bem mais desenvolvida, com muito mais personagens e pontos importantes. O traço é um tanto quanto simples, oscilando entre momentos muito bons e outros muito fracos, mas no geral cumpre o seu papel.

O problema da versão brasileira foi o tratamento que a editora JBC deu ao mangá. São edições quinzenais, sendo que estas representam metade de uma edição original japonesa. A adaptação é fraquíssima e cheia de gírias, descaracterizando a personalidade de alguns personagens. A edição também não é das melhores, contando com quadrados brancos e feios em volta de alguns dos nomes dos capítulos. A qualidade do papel é bem menor em comparação com outros títulos de meia edição da editora como XXXHOLiC e Tsubasa Reservoir Chronicle. Para completar o terror cada edição custa absurdos R$6,90, totalizando R$13,80 mensais. Felizmente a partir da terceira edição a qualidade da adaptação e edição melhorou muito, mas ainda não explica o preço abusivo.

Fullmetal Alchemist tem uma ótima história, que é melhor que a do anime. O preço salgado atrapalha muito, mas se você tiver algum (algum nada, muito) dinheiro sobrando é um ótimo investimento.

Reportagem estendida

A Sangue Frio

3estrelas

Uma família é brutalmente assassinada nos EUA na década de 50 e o jornalista Truman Capote se aproveita disso para escrever A Sangue Frio, um romance-reportagem.

A família Clutter era uma típica família americana: pacata, vista com bons olhos, íntegra.  Não fazia mal a ninguém. Mesmo com estas características, a família foi assassinada por uma dupla de criminosos, que acreditavam ter executado “o crime perfeito”. Ao contrário do que pensavam, os assassinos foram descobertos e condenados à pena de morte vários anos após o crime.  Capote redescreve com a maior quantidade de detalhes possível a história da família Clutter e seus assassinos Perry Smith e Dick Hicock.

A narrativa é extremamente descritiva, tudo é contado em minuciosos detalhes. Não existe também uma quebra constante, sendo assim tudo é contado em pouquíssimos e longos capítulos. O estilo de escrita do autor as vezes cansa, como a quebra de sentenças, não tão longas, em várias frases menores.

O problema de A Sangue Frio é que ele está mais para uma reportagem extremamente detalhada e longa do que para um romance. É um acompanhamento da trajetória dos assassinos e uma coleção de depoimentos e dados montados de tal maneira que parece um romance.  Quem não está acostumado com o estilo pode se assustar e largar o romance logo depois de algumas poucas páginas. Outro problema de ser mais uma reportagem do que um romance é que a história é o mais previsível possível, não existem reviravoltas e muito menos mistérios para o leitor tentar desvendar, tudo acontece da maneira mais simples e direta possível. Por outro lado a personalidade dos assassinos é explorada e exposta ao máximo, tornando-os bem reais.

Mesmo sendo extremamente cansativo, A Sangue Frio recompensa o leitor com um nível de detalhamento absurdo e com dois personagens muito bem construídos.  Ficou faltando somente um pouco mais de ficção para não parecer somente uma gigantesca reportagem sobre um fato específico.

Além do bem e o mal

Beyond Good & Evil

4 estrelas!

Beyond Good & Evil é um jogo de aventura lançado para todas as plataformas “de mesa” em 2003.

Jade é uma fotógrafa freelancer que vive com o seu “tio” Pey’j (que é um porco-humanóide) no planeta Hillys. Hillys está passando por uma crise: uma raça alienígena chamada DomZ está atacando o planeta constantemente, raptando seus habitantes e destruindo tudo. O governo do planeta afirma que tudo está sobre controle com a ajuda das Alpha Sections, espécie de exército do lugar. Jade então recebe uma proposta de trabalho simples: tirar fotos de uma criatura dentro de uma caverna, nada de mais. A partir disso Jade começa a se envolver com uma organização que afirma que as Alpha Sections não está tentando impedir a invasão alien, mas sim os ajudando. Cabe agora a Jade conseguir evidência suficiente para convencer os habitantes de que os DomZ não estão agindo sozinhos.

BG&E tem ótimos gráficos para a época em que foi lançado. Os modelos são bem trabalhados e os efeitos de iluminação são muito convincentes, já a movimentação dos personagens não é tão natural (Jade parece bem artificial em certos movimentos), mas nada que estrague a experiência.

A jogabilidade é variada e ajuda a quebrar e diversificar o ritmo. Na maior parte do tempo Jade estará explorando locais e resolvendo os variados puzzles. Quando inimigos aparecem inicia-se um combate em que Jade utiliza um bastão para atacar as criaturas. O estilo de batalha é parecido com Zelda e similares, mas bem mais simples. Os combates também não são muito freqüentes. Outro momento é a espionagem: Jade tem que percorrer vários lugares sem ser vista por guardas e câmeras. Existe também sempre um personagem npc que auxilia Jade nas batalhas e puzzles.

A dublagem é competente, mas não é nada além disso, parecendo artificial muitas vezes. A trilha sonora é muito boa e ajuda a compor o clima necessário em cada cena. São músicas que vão de belos instrumentais a composições techno. Os sons cumprem o seu papel, sem destaques.

A grande maioria das personagens são extremamente carismáticas, mas infelizmente a personalidade da grande maioria foi mal trabalhada. Nem mesmo Jade e Pey’j são bem trabalhados, com poucos detalhes sobre suas origens. A história também é simples e com poucas reviravoltas, mas prende.

Não são muitas localidades que podem ser visitadas, mas isso é compensado com algumas sidequests como, por exemplo, tirar fotos de todos os animais de Hillys e corridas de hovercraft. Existe também uma sidequest que só pode ser acessada através do site oficial, assim como um ranking mundial.

Mesmo com as baixas na história, Beyond Good & Evil é um jogo imperdível. É uma pena que pouquíssima gente tenha jogado. É relativamente curto, mas vale a pena. Boatos apontam para uma continuação, o que seria ótimo para esclarecer detalhes do enredo. O melhor mesmo é deixar os preconceitos de lado e se divertir com este ótimo jogo =]

No limite ilusório entre a paixão e a razão

Le Portrait de Petit Cossette

3 estrelas!

Le Portrait de Petit Cossette (Cossette no Shouzou) é um pequeno OVA de 3 episódios.
Eiri trabalha em uma loja de antiguidades e se vê apaixonado por Cossette, jovem garota que foi assassinada no século 18 e agora tem sua alma presa a um cálice. Cossette pretende utilizar-se de Eiri, o único que pode vê-la, para poder escapar de seu confinamento, mesmo que isso resulte no sofrimento e morte dele. Para piorar ainda mais as coisas Eiri é a reencarnação de Marcelo, o assassino de Cossette, despertando a fúria em vários objetos amaldiçoados de Cossette que buscam vingança pela sua dona. Eiri mergulha então em uma paixão de grande dor e sofrimento, começando a ignorar todos a sua volta. Conseguirá Eiri ficar junto de Cossette e ao mesmo tempo manter sua sanidade?

A história basicamente é focada em Eiri e Cossette. Existem alguns outros personagens, como as colegas de Eiri, mas a importância para a trama é aparentemente mínima. Outro detalhe importante é que a história não é clara, muitos detalhes ficam subentendidos e é necessário prestar atenção para entender tudo, talvez até rever cenas, pois tudo parece sem sentido. O problema disso é que alguns pontos ficam realmente difíceis de entender.
A arte do anime é belíssima. Consegue passar com exatidão o clima de mistério e insanidade, com cenas rápidas e fotografia ousada. Algumas cenas também passam certo ar de horror, outras são extremamente surrealistas, mas nada muito pesado. Destaque para a rua em que a loja de antiguidades se encontra.

A trilha sonora complementa o clima de mistério, com belas composições que remetem ao século 18 com pequenos toques de modernidade. São melodias repletas de piano e violino, algumas contendo também lindos vocais.

Ao final temos um anime belo, mas que pode afastar muitos por causa da maneira em que a história é contada. Se você está procurando algo em que a história não é entregada facilmente e que várias teorias podem ser concluídas, Le Portrait de Petit Cossette é a escolha certa.

Bem vindo!

Olá!

Depois de muito pensar e enrolar acabei finalmente criando um blog. Aqui devo escrever principalmente minhas impressões sobre filmes, livros, jogos e qualquer coisa que eu ache que mereça um pequeno texto. Tudo sobre a ótica de uma “pessoa comum”, ou seja, nada de exaltar diretores, compositores e afins, pelo menos num primeiro momento.

Espero que gostem de ver as coisas pelos meus olhos =]