Cilada, de Harlan Coben

Muitas vezes na vida somos obrigados a fazer julgamentos que não gostaríamos de fazer. E queremos que eles sejam fáceis. Queremos confinar as pessoas em categorias bem definidas, anjos ou monstros, mas quase sempre o buraco é mais embaixo: a verdade está em algum lugar entre os dois extremos. E esse é o problema. Os extremos são bem mais fáceis. (pág 86)

Já fazia muito tempo que não lia nenhum romance policial (desde a trilogia Millenium, para ser preciso), logo fui atrás de Cilada por conta de uma colega que leu e gostou.

Haley McWaid tem 17 anos. É aluna exemplar, disciplinada, ama esportes e sonha entrar para uma boa faculdade. Por isso, quando certa noite ela não volta para casa e três meses transcorrem sem que se tenha nenhuma notícia dela, todos na cidade começam a imaginar o pior. O assistente social Dan Mercer recebe um estranho telefonema de uma adolescente e vai a seu encontro. Ao chegar ao local, ele é surpreendido pela equipe de um programa de televisão, que o exibe em rede nacional como pedófilo. Inocentado por falta de provas, Dan é morto logo em seguida. Na junção dessas duas histórias está Wendy Tynes, a repórter que armou a cilada para Dan e que se torna a única testemunha de seu assassinato. Wendy sempre confiou apenas nos fatos, mas seu instinto lhe diz que Mercer talvez não fosse culpado. Agora ela precisa descobrir se desmascarou um criminoso ou causou a morte de um inocente.

Cilada me prendeu do início ao fim. A narrativa de Coben é fluída e dinâmica, a todo momento um fato novo é apresentado. A trama é muito bem amarrada, sendo que o autor consegue administrar bem todos os fatos e personagens (que são muitos). Outro ponto que eu gostei foi que Coben consegue desenvolver muito bem a maioria dos personagens, inclusive os praticamente insignificantes, mesmo que o foco não seja muito bem esse. E a melhor parte, sem sombra de dúvidas, é que Coben utiliza de todos os detalhes espalhados pela trama e consegue fazer com o que o leitor conclua certas coisas… para bem lá na frente quebrar tudo e apresentar uma conclusão bem diferente e inesperada. Ah, as reviravoltas foram incríveis, fui surpreendido completamente.

O que pra mim não foi muito legal em Cilada foi o desenrolar de alguns acontecimentos. Um fato chave da história tem uma conclusão tão morna que parece que foi encaixado de qualquer jeito às pressas. Outra questão que incomoda um pouco é a quantidade de coisas acontecendo, são tantas que em alguns momentos fica meio confuso acompanhar direito o fio da trama.

No mais Cilada é um ótimo romance policial. Narrativa fluída e muitas reviravoltas inesperadas o torna bem interessante.

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Sob Mil Disfarces, de Craig Clevenger


The Contortionist’s Handbook, upload feito originalmente por FaruSantos.

A história da vida de uma pessoa é igual ao que ela tem somado com o que mais deseja ter no mundo menos o que realmente está disposta a sacrificar para consegui-lo. Basta você descobrir essas coisas a respeito de alguém para saber quase todo o resto. Os números fracionários são os gestos de cabeça, trejeitos faciais ou movimentos das mãos que as pessoas fazem sem perceber, e todos eles levam a um resultado, se você souber notá-los (pág 86)

Mais um livro desconhecido e interessante, como é bom encontrar livros assim 🙂

Ele se chama Daniel Fletcher. Ou Paul Mcintyre. Ou Steve Edwards. Ou Eric Bishop. Os nomes se sucedem vertiginosamente. John Dolan Vincent, afinal, é um mestre da falsificação – e um gênio na construção de identidades. Vincent, que cresceu com a dolorosa peculiaridade de ter seus dedos em uma de suas mãos, vive de subempregos e de pequenos crimes. Seu segredo é passar despercebido e transformar-se em uma nova pessoa cada vez que se coloca em perigo. E cada vez que é internado por overdose na tentativa de vencer as lancinantes dores de cabeça que o atormentam. Agora, porém, o perigo está muito mais perto. Vincent/Fletcher está envolvido com uma organização criminosa muito mais eficiente – e cruel – do que poderia imaginar. Está colocando em risco a única pessoa a quem conseguiu amar. E, sob mil disfarces que inventou, está à beira de perder-se, definitivamente, de si mesmo.

Não se deixe enganar pela sinopse pretensiosa, Sob Mil Disfarces nem é isso tudo não, é um tanto mais simples. Não que seja algo ruim, mas acaba que a simplicidade da trama atrapalhe um pouco a experiência.

A história é meio que como uma montanha russa. Começa interessante e confusa, ao mesmo que é instigante, tudo de uma maneira que o leitor quer saber melhor o que está acontecendo. Aí a história desce, fica morna e um tanto quanto comum… até quase no desfecho aonde cenas interessantíssimas acontecem. No fim das contas eu gostei do resultado, mesmo que a parte morna tenha alguns pontos meio repetitivos, mas os momentos finais intensos salvaram bem o conjunto.

A melhor característica de Sob Mil Disfarces sem sombra de dúvidas é o protagonista John Vincent. Ele é extremamente bem construído, por mais que seja levemente estereotipado por ter características comuns de personagens desse tipo de trama (memória fotográfica, extremamente inteligente), mas o autor consegue contrabalancear isso tudo com defeitos fortes (um pouco de paranoia implícita e dependência em drogas). Os melhores momentos são as análises detalhadas de John das pessoas e situações, assim como sua excepcional capacidade de manipulação.

Alguns não podem gostar do final meio inconclusivo, assim como muitos trechos supostamente inúteis. Sim, tem muitas partes que realmente não adicionam muito à trama… Mas fui surpreendido por certas coisas que John fez e pareciam sem propósito pra poder utilizar de maneira muito inteligente bem mais na frente. O outro principal problema é a “parte antagonista” da história que é muito subdesenvolvida e não faz tanta diferença. E essa edição que li tinha alguns erros de ortografia, felizmente não chega a arruinar a experiência.

Me surpreendi com Sob Mil Disfarces. Uma história interessante e inteligente, que só peca por investir em alguns pontos não muito importantes. Muito bom!

Sangue de Tinta, de Cornelia Funke

Tenho medo das palavras, Meggie! Antes elas eram mel, agora são veneno, puro veneno! Mas o que é um escritor que não ama mais as palavras? O que ainda sou? Essa história me devora, ela me esmaga, a mim, seu criador! (pág 529)

Continuando a história iniciada em Coração de Tinta, desta vez Meggie dá um jeito dela mesma entrar para dentro do livro Coração de Tinta, logo após Dedo Empoeirado conseguir o mesmo feito com a ajuda de um estranho leitor de nome Orfeu. Acontece que o Mundo de Tinta não é tão mágico o quanto ela imaginava e muitos perigos estão a espera.

Num primeiro momento Sangue de Tinta soa como uma continuação natural do primeiro, mas notei que houve uma evolução grande em todos os sentidos. A começar pelos personagens, dessa vez eles estão bem mais interessantes e bem trabalhados, sendo um exemplo claro Dedo Empoeirado, Fenóglio e Mo. As situações também são bem mais inusitadas e intensas, uma história mais elaborada e bem menos infantil em relação ao primeiro (nada de boa parte do livro mantendo os personagens principais presos em masmorras). Sem sombra de dúvidas a melhor característica da trama é Meggie e Fenóglio tentando corrigir (em vão) os vários problemas do Mundo de Tinta, sendo que as vezes a situação faz é piorar.

O defeito dessa vez fica por conta da escrita da autora. Sim, o estilo é bem similar ao do primeiro livro, só que falta dinamismo em certas cenas importantes, principalmente momentos de ação e tensão. Uma pena também que Funke não tenha explorado melhor alguns personagens secundários. E o final também deixa um pouco a desejar, talvez um pouco por conta da falta de dinamismo nas cenas finais.

Sangue de Tinta é uma excelente continuação e expande de maneira incrível o universo apresentado em Coração de Tinta. Fico curioso em como a trilogia vai ser concluída.

O Homem Terminal, de Michael Crichton

Depois de ler Esfera e ter gostado muito, fui atrás de mais obras do Michael Crichton e acabei encontrando O Homem Termina. Assim como Esfera, gostei muitíssimo desse livro.

Uma lesão cerebral, resultado de um acidente automobilístico, causa sérios danos ao especialista em ciência da computação Harry Benson. Ele começa a apresentar sintomas de uma doença que provoca súbitos ataques de violência, a Lesão Desinibitória Aguda (LDA). Numa tentativa de controlar esses impulsos de agressão, Benson é submetido a um revolucionário método cirúrgico em que eletrodos são implantados em seu cérebro. O objetivo do time de cirurgiões de Los Angeles, responsáveis pela experiência, é conter através de um microcomputador as perigosas crises homicidas do paciente. A cirurgia, porém, não é bem-sucedida.

Como uma trama relativamente comum consegue ser tão interessante? Acredito que seja a riqueza de detalhes. Crichton detalha bem cada um dos problemas e fatos da história, tanto é que ele incluiu uma lista de referências técnicas que utilizou como base para as explicações. As vezes a quantidade de informações técnicas até são meio irritantes, mas elas são necessárias para entender bem o contexto de tudo.

Mesmo que a história se passe num pequeno intervalo de tempo, o ritmo é frenético e a tensão constante. Harry Benson é o principal motivo disso tudo, já que sua personalidade contraditória cria situações interessantes: ele acredita que as máquinas estão dominando o mundo, mas no fim das contas ele mesmo acaba virando uma espécie de máquina. Crichton consegue explicar de maneira excelente a condição de Harry, ao mesmo tempo que analisa as consequências dos fatos.

O problema fica por conta dos outros personagens, já que são todos subdesenvolvidos e sem características muito marcantes (exceto a Dra. Janet Ross, que desenvolve bem até certo ponto), me deixando confuso em vários pontos. A narrativa as vezes é confusa também, pulando de ideias e fatos em questão de linhas, deixando a coisa meio truncada. Por fim seria interessante se os fatos anteriores aos da trama fossem explorados também.

Pouco a pouco estou ficando fã de Michael Crichton. O Homem Terminal tem uma trama boa, explicações e reflexões interessantes, amarrados com tensão e realismo. No fim das contas um ótimo livro.

Feios, de Scott Westerfeld

“Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho em suas proporções” – Francis Bacon, Ensaios sobre moral e política, “Da beleza” (pág 137)

Nada como promoções. Já fazia um tempo que eu queria conferir Feios, com o incentivo de um ótimo preço acabei comprando e gostando muito.

Tally está prestes a completar 16 anos, e mal pode esperar. Não para dar uma grande festa, mas sim para se tornar perfeita. No mundo de Tally, fazer 16 anos significa passar por uma operação que o transformará de “feia” em um ser incrivelmente belo e perfeito, e lhe dará passe livre para uma vida de glamour, festas e diversão, onde seu único trabalho é aproveitar muito.
Mas Shay, uma das amigas de Tally, não está tão ansiosa assim: prefere se arriscar fora dos limites da cidade. Quanto Shay desaparece, Tally vai conhecer um lado totalmente diferente desse mundo perfeito – e, acredite, não é nada bonito.

O primeiro de uma série de quatro livros, Feios retrata um futuro no qual tudo é belo e perfeito, aonde não existem desentendimentos e a humanidade não agride mais a natureza. A primeira impressão é realmente essa: uma história sobre beleza e perfeição, que desenvolve em algo bem maior.

Eu não sei ao certo o que me prendeu e me fez devorar rapidamente Feios. A idéia principal da história já foi muito explorada em outros trabalhos, mas mesmo assim tem seu charme. Uma ou outra coisa deu para prever bem antecipadamente, mas não chega a ser nada que estrague a experiência. No fim das contas acredito que Tally e Shay sejam os maiores atrativos da história já que as duas têm visões bem diferentes da situação que enfrentam, principalmente Tally com suas atitudes egoístas mas que mudam com o tempo.

O maior destaque sem sombra de dúvidas é a escrita de Westerfeld, o texto flui de maneira extremamente natural e instigante, os fatos acontecendo no ritmo exato para prender o leitor. Não é um estilo de escrita rebuscado, diria até que bem simples, mas cumpre bem o seu papel. O universo da história também é interessante, por mais que pouco desenvolvido (talvez nos próximos livros?). Infelizmente e ironicamente um dos pontos fracos da narrativa é exatamente a falta de tato de Westerfeld para descrever fisicamente os personagens, algo essencial num mundo em que tudo é ditado pela aparência.

Tirando algumas coisas previsíveis e alguns discursos filosóficos meio clichês, Feios é uma leitura descompromissada e interessante. Com certeza vou ler os outros livros da série

Leia aqui o primeiro capítulo

Blind Willow, Sleeping Woman, de Haruki Murakami



“What I’m trying to tell you is this,” she said more softly, scratching an earlobe. It was  a beautifully shaped earlobe. “No matter what they wish for, no matter how far they go, people can never be anything  but themselves. That’s all” (pág 32, Birthday Girl)

Quando viajei pro Canadá tinha um pensamento bem diferente da maioria de brasileiros que vai pro exterior: queria comprar um monte de livros que ainda não foram traduzidos para Português. Mas na bagunça da viagem acabei comprando somente Blind Willow, Sleeping Woman.

Blind Willow, Sleeping Woman é a coletânea de contos mais recente do Haruki Murakami. São 24 diferentes contos no qual Murakami aborda seus assuntos favoritos como a solidão, casais complicados e eventos inusitados.

Fica até difícil definir com exatidão o teor da obra, já que cada conto explora situações bem distintas, todas com o toque característico do Murakami. O que mais gostei aqui é que mesmo nos contos mais curtos os personagens são bem desenvolvidos, sendo que os maiores dão inclusive a impressão de um pequeno romance de ficção. A escrita é clara, como é de costume do Murakami, mas com passagens muito instigantes e ideias somente lançadas para que o leitor tire suas conclusões, o que torna a interpretação ambígua e complexa na maioria das vezes.

Posso dizer com certeza que o assunto principal dos contos é a solidão e como cada pessoa lida com isso. Os personagens na maioria das vezes estão fechados em um mundo próprio, por mais que não aparentam isso. Além da solidão é explorado também temas como a perda, o incrível, relacionamentos e eventos misteriosos. Além do mais finalmente temos algumas protagonistas femininas, algo não muito comum nas obras do Murakami, por mais que no fim das contas isso não signifique grandes mudanças na narrativa. Inclusive o próprio Murakami aparece como personagem em alguns dos contos, gostei muito disso.

É complicado definir qual é o ponto fraco da coletânea, já que cada conto é único. Como li de uma só vez, as vezes me parecia meio cansativo os temas recorrentes. Outro problema também é a duração dos contos: alguns poderiam ter sido desenvolvidos bem mais, enquanto outros são desnecessariamente longos. Observei também algumas características já recorrentes de outras obras do Murakami como certas localidades e conceitos, deu uma sensação de déjà vu.

Os meus contos favoritos? Gostei de praticamente todos, mas para mim os destaques foram A “Poor Aunt” Story, The Mirror, Dabchick, Tony Takitani (esse conto foi até adaptado em um filme), Hanalei Bay (1 e 2) e The Kidney-Shaped Stone That Moves Every Day. E sinceramente, o primeiro conto (Blind Willow, Sleeping Woman) é um início muito fraco para a coletânea, se puder deixe ele para depois. Ah, se você já leu Norwegian Wood pode até pular Firefly, já que esse conto originou a primeira metade de Norwegian Wood e vai parecer extremamente familiar.

Uma ótima coletânea, Blind Willow, Sleeping Woman é um passeio excelente pelo estilo do Murakami. Com histórias interessantes e instigantes, personagens cativantes e verossímeis, é uma ótima leitura.

“Oh, her picture is there all right, whenever they pull out the album of wedding photos, but her image is as cheering as a freshly drowned corpse.” (pág 135, A “Poor Aunt” Story)

Impressões: Nintendo 3DS

Por sorte do destino, consegui um Nintendo 3DS em ótimo preço na semana de lançamento 🙂

Agora, com mais de 1 mês de uso, já tenho opiniões mais concretas sobre o novo portátil da Nintendo.

Gostei
3D sem óculos
O principal atrativo do 3DS é justamente o 3D sem óculos e isso funciona muito bem. Praticamente em todo lugar do menu e jogos o efeito 3D está presente e é algo muito legal. A impressão que se tem é de estar olhando uma pequena maquete, com vários níveis de profundidade. Ah, os efeitos que “saltam” para fora da tela existem sim, mas não são tão impressionantes como no cinema.

Design
A Nintendo finalmente aprendeu e não cometeu o erro medonho do DS e lançou um portátil muito bonito. São vários detalhes que deixam o 3DS bonito: as 3 camadas de cores, a tampa brilhante e que não fica com marcas de dedos, várias luzes indicativas, os botões confortáveis… Tudo é muito bem acabado.

Lateral estilosa

Aplicativos incluídos
Mesmo sem nenhum jogo, dá pra se divertir muito com os aplicativos incluídos por padrão no 3DS. Os principais:

      • Face Riders: tire uma foto de uma pessoa e ela vira um inimigo num jogo de tiro. É simples, mas é divertido por conta das mil caretas que o personagem criado faz;
      • AR Games: usando os cartões de realidade aumentada você pode jogar alguns jogos simples e brincar com os Miis ou personagens da Nintendo, tirando fotos de tudo. É divertido, mas cansa rápido… principalmente por conta da limitação da distância entre o 3DS e os cartões;

        Fotos no AR Games
      • Praça Mii: como o nome indica, é uma praça aonde ficam os Miis que você encontra com o StreetPass. Dentro dessa praça tem também uma espécie de RPG de turnos com os Miis encontrados (muito bom!) e um quebra cabeça 3D. Como até agora não encontrei ninguém no StreetPass eu fui jogando o Mii Resgate (o RPG) usando as moedas de jogo (utilizando o pedômetro embutido você consegue 1 moeda a cada 100 passos com o 3DS em modo de descanso, no máximo 10 moedas por dia).
      • Existe também: Registro de atividade (estatísticas de uso do 3DS), Criador Mii, Som 3DS (ouvir e manipular música) e Câmera 3D (tire e veja fotos 3D)

Detalhes de sistema e recursos
O 3DS, em relação à família Nintendo DS, teve uma série de melhorias muito interessantes. Agora existe um controle exclusivo para ligar/desligar o WiFi (infinitamente melhor que no DSi), é possível suspender qualquer aplicativo/jogo e alterar o brilho da tela ou acessar a lista de amigos por exemplo. Falando na lista de amigos dessa vez é necessário somente um único Friend Code para tudo, sendo que é possível ver o perfil dos seus amigos (mesmo que limitado) e ser avisado de quando alguém entra online (a luz do StreetPass/SpotPass pisca). E tudo 100% em português do Brasil, inclusive os manuais no menu do 3DS.

Não gostei
3D nos jogos
Joguei 3 jogos diferentes até agora (Lego Star Wars, Rayman 3D e Pilotwings Resort) e o efeito 3D variou muito na qualidade. Dos três o Lego Star Wars apresentou o melhor 3D (muitas camadas, sensação de profundidade, partículas voando), enquanto o Pilotwings Resort teve o mais fraco (parece que seu personagem está ‘flutuando’ fora do cenário e só). Também observei imagens duplas no Pilotwings (nada de muito) e Rayman 3D (praticamente o tempo todo). Ah, sempre que jogo o Pilotwings tenho que colocar o 3D quase no mínimo, colocando no máximo me dá desconforto com poucos minutos. Claro, é só questão de tempo para que isso seja melhorado.

Cartão do 3DS, praticamente igual ao de DS

Câmera 3D
Eu testei pouco esse recurso, mas fiquei bem decepcionado. É difícil tirar fotos boas em 3D, na maioria das vezes fica uma imagem dupla… Sem contar que a qualidade das fotos é muito baixa (por mais que fique ok na tela do 3DS). Ao menos dá pra visualizar fotos 3D baixadas da internet, ficam ótimas. Edit: Fiz mais testes e agora entendi como tirar fotos 3D corretamente, muito interessante. Uma pena que a qualidade é baixa.

A câmera em uso

Bateria
Sim, a bateria não dura tanto quanto a do DS. Não cheguei a contar exatamente o tempo, mas é por volta de 5h. Não é tão problemático pra mim, já estou acostumado com a bateria do PSP.

Posicionamento do direcional digital/Circle Pad
O posicionamento do direcional digital e do Circle Pad não é dos melhores e cansam os dedos se você jogar por muito tempo.

Posicionamento da Stylus
A caneta stylus agora é retrátil, mas fica guardada em um lugar estranho: na parte superior do console, perto do botão R. E ela fica guardada fechada, sempre que for usar tem que tirar e abrir ela.

A stylus

Botões Start/Select/Home
Esses botões ficaram em uma posição estranha, sem contar que eles precisam ser apertados com força.

Menu de sistema pelas metades
Não está disponível ainda o eShop (a nova loja online) e nem o browser de internet. Ok, vão ser lançados no fim de Maio, mas custava lançar junto com o console?

O que espero do futuro

Jogos
Sim, a lista de lançamento é bem fraca e os lançamentos futuros não parecem tão incríveis assim… Torço que na E3 sejam anunciados muitos jogos. Remakes são legais (como o Zelda Ocarina of Time 3D e Star Fox 64 3D), mas quero coisas completamente novas.

Novas funcionalidades
Espero que a Nintendo tenha aprendido com os erros do System Menu do Wii e continue trazendo novidades pro 3DS. Ok, no primeiro update veio um clip em 3D, mas coisas melhores podem ser feitas.

~

Então é isso. Estou gostando muito do 3DS, mas é difícil ainda saber se ele vai ser tão lucrativo e interessante quanto o Nintendo DS foi. A sensação é que ele é uma atualização do Nintendo DS, até agora não fui convencido de que 3D é algo extremamente necessário e incrível, é esperar pra ver a tecnologia ser melhor utilizada. A Nintendo mostrou que aprendeu algumas coisas (por mais que tenha errado umas besteirinhas), espero que continue assim.

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...e fechado
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*Ah, para quem tiver o 3DS e quiser me adicionar como amigo, meu Friend Code é 1203-9254-0120, só não esqueça de me passar o Friend Code também.

Esfera, de Michael Crichton

Li uma sinopse um pouco mais detalhada de Esfera e esperava um thriler sci-fi… e realmente é isso e mais um pouco.

Em Esfera, Michael Crichton fala-nos de uma intrigante e admirável descoberta feita no Pacífico Sul. A mil pés da superfície da água foi encontrada uma nave espacial de dimensões descomunais e que, embora tudo indique que tenha caído do céu, parece estar intacta. Mas a equipa de cientistas encarregada de investigar a nave vai ainda fazer uma outra descoberta absolutamente surpreendente. É que a nave parece ter, no mínimo, trezentos anos.

Com um ritmo acelerado, Esfera lembra muitíssimo um filme de ficção científica, mas surpreendentemente tudo é muito bem desenvolvido e tem lógica (até certo ponto, claro). A maioria dos personagens é bem interessante e como a narrativa é do ponto de vista de um psicólogo, acompanhamos análises detalhadas sobre a personalidade de cada um. Na verdade o maior destaque é justamente esses personagens, são suas características psicológicas que movem todos os acontecimentos. As explicações são bem lógicas e bem fundamentadas, só uma ou outra coisa que parece meio estranha. E é difícil largar a leitura, já que todo momento algo novo e instigante acontece.

A parte ruim fica por conta dos fatos que parecem “jogados”: as vezes do nada acontece algo estranho, sem explicação nenhuma… Outro problema é que com tanta coisa acontecendo demora muito para as explicações serem feitas, se eu não soubesse de certos pontos-chave da trama eu provavelmente teria gostado bem menos. Ah, o final também é digno de nota: não é ruim, mas é um tanto quanto preguiçoso e acaba diminuindo demais todos os acontecimentos na trama.

No fim das contas gostei muitíssimo de Esfera. Para mim os defeitos não incomodaram tanto, mesmo eu que não gosto desse tipo de história adorei. Um ótimo thriler sci-fi que não se resume somente em acontecimentos estranhos e sem explicação, muito bom!

O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar, de Yukio Mishima

Acabei lendo esse livro por acaso e fiquei bem intrigado com ele…

O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar é a história de um garoto de treze anos que junto de um gangue de garotos de sua idade possuem um ódio pelo mundo adulto. Diante do enlace amoroso de sua mãe, uma viúva atraente, e um oficial da marinha mercante, os seus sentimentos se tornam mais obsessivos e trágicos.

A trama, numa primeira olhada, parece extremamente simples (e realmente é), mas a escrita de Mishima e o trio de personagens principais deixa tudo bem atraente. Fusako é a viúva que sente falta de um companheiro e tem uma vida regular desde a morte do marido; Ryuji é um marinheiro solitário que finalmente encontra em Fusako um motivo para ficar em terra; Noburu é um garoto introspectivo e que na verdade se sente superior aos adultos e suas regras, influenciado facilmente por falta da figura de um pai. Todos eles têm personalidades bem profundas e reflexões bem interessantes, sendo Noburu e sua ‘gangue’ o maior destaque.

O estilo de Mishima é bem descritivo e rebuscado: um simples pensamento pode se estender por 2 ou mais parágrafos. Em boa parte do tempo esse recurso é bom, só que em alguns momentos se torna algo meio cansativo. Notei também que o texto tem várias passagens autobiográficas, principalmente no que diz respeito à gangue de Noburu, já que Mishima teve uma vida bem conturbada. E existem também alguns momentos bem desconcertantes, por mais que necessários.

No fim das contas ‘O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar’ não é um livro fácil de se recomendar. Um pouco cansativo e muito brutal (principalmente no final), só agrada quem realmente tiver disposto a relevar estas questões. Mesmo com tantas ressalvas achei que foi uma ótima leitura.

Eu, Robô, de Isaac Asimov

A Maquina é apenas uma ferramenta, apesar de tudo, que pode ajudar a humanidade a progredir mais rápido, tirando de suas costas a carga dos cálculos e interpretações. E o trabalho do cérebro humano continua o que sempre foi: descobrir novos dados para serem analisados e conceber novos conceitos para que sejam testados (pág 310)

Eu sinceramente nunca fui muito interessado em robôs e ficção científica em geral, mas Eu, Robô me agradou muitíssimo.

Eu, Robô é uma coletânea de 9 contos que mostram a evolução dos robôs num planeta Terra fictício. Estas histórias são contadas por Susan Calvin, uma “robopsicóloga” que trabalhou durante toda sua vida na U.S. Robôs e Homens Mecânicos.

Todos os contos utilizam as Três Leis da Robótica como principal foco:

  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.

Excluindo o primeiro conto (que é nada mais do que uma simples introdução), todos eles apresentam um problema com um robô e normalmente a solução é baseada nas leis. E o maior destaque pra mim foi justamente isso, boa parte dos problemas são bem inusitados e fiquei me perguntando como iam ser resolvidos… e eles são desvendados de maneira inteligente e elegante, todas as explicações fazem sentido.

Fiquei também com a impressão que os humanos são meio que coadjuvantes, já que estes são subdesenvolvidos como personagens, enquanto os robôs são bem construídos e dominam as tramas. Em muitos momentos eu até me confundia entre os personagens humanos, já que alguns são muito parecidos. Asimov até tentou desenvolver alguns personagens, como Susan Calvin, mas pra mim o resultado ficou mediano.

O ponto fraco fica por conta de alguns diálogos meio confusos, principalmente por se tratarem de termos científicos fictícios criado por Asimov. Deu a impressão que ele utilizou desses termos justamente para dar um ar “futurístico” aos contos. Mas não achei que fosse algo que atrapalhasse tanto, já que o foco principal eram os robôs.

No fim das contas foi muito bom ver histórias em que robôs são mais humanos e não somente “máquinas malignas e assasinas” como Hollywood gosta de pregar. Eu, Robô é uma ótima leitura, não importa se o leitor se interessa por ficção científica ou não.