Do Outro Lado, de Natsuo Kirino

-Sabe de uma coisa? – ela murmurou. – Vamos todas direto para o inferno.
-É verdade – Masako concordou, lançando-lhe um olhar desolador. -É como se estivéssemos descendo uma ladeira íngrime sem freios.
-Quer dizer que não há como parar?
-Não, só vamos parar… quando batermos.
Yoshie se perguntou no que será que elas iriam bater. O que será que esperava por elas na virada da próxima esquina? Aqueles pensamentos a deixavam trêmula. (pág 183)

Perturbante e desconcertante resumem ‘Do Outro Lado’. Eu esperava um livro pesado, mas fui surpreendido o tempo todo. Continue Lendo “Do Outro Lado, de Natsuo Kirino”

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Impressões: Pushmo

Desde que o eShop foi lançado nada de interessante apareceu, pelo menos para mim. Mas finalmente a situação do eShop parece estar mudando e várias coisas interessantes foram anunciadas. Desses jogos, Pushmo foi um dos primeiros que me interessou (novidade, adoro puzzles!). Nesse puzzle desenvolvido pela Intelligent Systems (Advance Wars, Fire Emblem), controlamos Mallo, um estranho personagem vermelho com trajes de sumô (provavelmente Pushmo é a mistura de “push” e “sumo”) que tem que salvar crianças aprisionadas em puzzles de um parque.

O que achei legal:

  • Jogabilidade: Pushmo é daqueles jogos de jogabilidade fácil de aprender, mas difícil de dominar. O jogo consiste basicamente em empurrar e puxar os blocos empilhados, criando assim plataformas com objetivo de chegar ao topo dessas estruturas. Começa com desafios bem simples e óbvios e aos poucos vai ficando mais e mais difícil, exigindo pulos precisos e uma boa dose de percepção, já que se torna necessário pensar com cuidado todos os movimentos.

  • Boa apresentação: os gráficos são simples, mas bonitos e funcionais. Facilita também o fato de o jogo ser bem colorido e os puzzles serem em sua maioria desenhos pixelizados.
  • Efeito 3D: Mesmo não sendo tão bem trabalhado quanto no Super Mario 3D Land, o efeito 3D de Pushmo é interessante. A profundidade ajuda a se situar dentro dos puzzles, já que a câmera as vezes não colabora e esconde completamente Mallo. É bem mais fácil saber o quanto um bloco está puxado ou se é possível ou não fazer um salto com o efeito 3D ligado. Outro momento aonde o 3D é útil é quando se aperta R e a câmera fica paralela ao puzzle, com o 3D ativado é possível ver bem em que profundidade está cada bloco.
  • Conteúdo pseudo-infinito: é possível criar novos puzzles e compartilhá-los via QR Code, tornando o jogo com conteúdo praticamente infinito. E a internet já está cheia de criações legais.

O que não achei tão legal assim:

  • Música: É até legalzinha, mas cansa rápido. O melhor é desligá-la.
  • Mal é um jogo de 3DS: Pushmo é bem divertido, mas praticamente não é um jogo de 3DS. Ele não utiliza quase nenhum dos recursos do portátil, além do opcional efeito 3D. Seria interessante novos puzzles serem enviados via SpotPass ou até mesmo a troca de puzzles via StreetPass. Tirando o 3D ele poderia muito bem estar no WiiWare ou DSiWare.



No mais Pushmo é um puzzle bem agradável. Se gosta de puzzles pode ter certeza que vai gostar desse.

Pushmo está disponível no Nintendo eShop. Site oficial aqui.

Impressões: The Legend of Zelda: Skyward Sword

“Impressionante” resume bem Zelda Skyward Sword. Não, não é um jogo perfeito, mas é algo impressionante.

Depois de tanto tempo em desenvolvimento e muito hype por conta da Nintendo, finalmente foi lançado um dos últimos grandes jogos de Wii. Desde o primeiro trailer eu estava muito ancioso pelo jogo e posso dizer que a espera valeu a pena e boa parte das espectativas foram cumpridas.

Skyward Sword é, teoricamente, o primeiro jogo da cronologia da série Zelda e faz parte da comemoração dos 25 anos da série (assim como Zelda Four Swords Anniversary Edition). E é uma comemoração bem ousada, já que boa parte dos conceitos básicos estão bem diferentes aqui: História, narrativa, jogabilidade, level design e muitas outras características foram retrabalhadas, sem abandonar a essência original da série.

Link dessa vez é um estudante na academia de cavalheiros de Skyloft, uma espécie de ilha que flutua no céu. Neste mundo todos conhecem a suposta superfície somente através de lendas, todos estão acostumados com a vida no céu. Cada habitante de Skyloft tem como companheiro um loftwing, uma ave que todos utilizam para se locomover pelo céu. A aventura começa quando Zelda, que dessa vez é somente uma amiga de classe de Link, cai na superfície e Link sai a procura dela, ao mesmo tempo que descobre que faz parte de um destino maior envolvendo a deusa das lendas.

Algo que chama atenção logo no começo é a bela direção de arte. O estilo gráfico foi inspirado nas obras do pintor impressionista Claude Monet e torna o jogo bem único e agradável aos olhos, ao mesmo tempo em que consegue driblar as limitações técnicas do Wii. Esse efeito é ainda mais aparente e interessante quando observamos objetos distantes, quando a profundidade de campo é pequena e o fundo fica desfocado. Complementando o estilo gráfico temos a trilha sonora, que é em boa parte orquestrada e em alguns momentos é dinâmica, se alterando de acordo com a situação. A trilha é boa e combina bem com as situações, por mais que sejam poucas músicas que realmente se destacam (The Ballad of Goddess, The Sky e Demon Lord Ghirahim Boss Battle Theme, por exemplo)

Um dos principais pontos que difere esse Zelda dos demais é o level design. Ainda existe uma espécie de mundo principal (The Sky), mas ele é reduzido e colocado em segundo plano. O foco fica nas três grandes regiões da superfície (floresta, vulcão e deserto). Nestes lugares toda a progressão parece com os calabouços, com puzzles e inimigos e segredos, sem divisão aparente entre calabouço-mundo principal. É uma experiência nova e divertida, cada vez que é necessário revisitar estes locais sempre tem algo de novo. E o próprio desenho dessas áreas é bem pensado, com idéias bem interessantes, como a região de Lanayru suas sacadas legais. Acontece que isso leva a outro problema: The Sky, o mundo principal, é um tanto quanto vazio e desinteressante. Tem umas ilhas ali e acolá, mas nada que incentive a exploração, como o vasto oceano de Wind Waker. E para completar voar é lento e enfadonho. Ainda bem que não é necessário gastar muito tempo nisso.

Mas o maior destaque do jogo são os controles. Com o auxílio do Wiimotion Plus o controle da espada de Link é próximo 1 para 1. Isso tornou o combate muito mais interessante e desafiador, já que é necessário fazer os movimentos nas direções corretas. Por exemplo: é necessário atacar os inimigos no espaço em que eles não estiverem defendendo. É possível também golpear aranhas de baixo para cima, fazendo-as virar e exibir seu ponto fraco, e outras muitas situações. Os outros itens também utilizam bem o sensor de movimento, mas algumas vezes acontecem problemas com itens que é necessário apontar para a tela (nada que a recentralização oferecida pelo jogo não resolva). Outra situação é quando o sensor não reconhece completamente os movimentos e Link executa um corte completamente diferente. De qualquer maneira é finalmente algo próximo do que foi prometido no lançamento do Wii.

Com tanto foco na parte técnica e no level design, a história ficou meio que de lado. Depois das duas horas iniciais, no qual o universo básico é apresentado, o jogo dá somente leves dicas do que realmente está acontecendo. Depois de 30 horas de jogo eu conhecia muito mais os habitantes de Skyloft do que a trama principal em si. Os personagens secundários são até carismáticos visualmente, mas carecem de mais desenvolvimento. Ao menos as missões paralelas ajudam a quebrar um pouco o ritmo de jogo e a conhecer melhor estes personagens. Como os habitantes de Skyloft desconhecem a existência da superfície, existem poucos personagens no solo, somente algumas criaturas que não me cativaram.

Outro ponto que gostei muito foi a questão dos itens. É possível equipar somente um por vez e a quantidade destes é bem reduzida em relação às aventuras anteriores. Equipar um item é fácil e rápido: basta segurar um botão, mover o pulso e pronto, isso tudo sem pausa na ação. Isso fez com que cada um fosse melhor trabalhado e seus usos fossem mais diversificados. Desta vez é necessário utilizar vários itens para completar os calabouços, ao invés do foco ser no item recém adquirido. Existe também a possibilidade de melhorá-los, aumentando assim a utilidade deles. E por fim existe uma dose de estratégia, já que a bolsa de Link é de tamanho reduzido e é necessário planejar bem que itens entre escudos, garrafas e medalhas devem ser levados. Uma pena que a harpa, o instrumento da vez, seja bem insignificante e mal tenha uso, já que os instrumentos anteriormente sempre eram muito úteis.

Mesmo longe de ser perfeito, The Legend of Zelda: Skyward Sword é incrível. Excelente na parte técnica e com game design excepcional, é um dos melhores jogos da série e um dos melhores de Wii. Extremamente recomendado!

Morte de Tinta, de Cornelia Funke

    O jovem olhou fixamente para ele – Quantos você já matou? – Sua voz soou reverente. (…) – Não tantos quanto jazem aqui. (…) – É fácil?
“Sim”, pensou Mo. “Sim, é fácil, quando começa a bater um segundo coração no seu peito, frio e afiado como a espada que você carrega. Um pouco de ódio e fúria, algumas semanas de medo e raiva desamparada, e ele já cresce em você. É ele que marca o compasso quando se trata de matar, selvagem e rápido. E somente depois você volta a sentir o seu outro coração, tão suave e quente. Ele se apavora com aquilo que você fez sob as batidas do outro. Dói e treme… mas isso vem depois.”  (pags 98-99)

Enfim o fim da história. Iniciei Coração de Tinta sem saber que se tratava de uma trilogia, fiquei muito surpreso com isso e gostei muito da evolução da série. Morte de Tinta, o terceiro e último livro da trilogia, fecha muito bem a história.

Em Morte de Tinta acompanhamos Mortimer, Meggie, Dedo Empoeirado, Fenóglio e os tantos outros personagens do Mundo de Tinta em sua batalha final contra Cabeça de Víbora, este último muito mais poderoso e influente depois dos acontecimentos de Sangue de Tinta. E para complicar ainda têm que lidar com Orfeu, mais um dos que têm o dom de transformar em realidade o que lê, que interfere na história da maneira que bem entende.

Aqui a trama é bem mais sombria e violenta, já que a principal cidade do Mundo de Tinta (Ombra) está sob domínio do Cabeça de Víbora e seus capangas e eles não têm compaixão nenhuma quando querem algo. A história já começa com combates sangrentos entre os ladrões liderados por Principe Negro e os seguidores de Cabeça de Víbora, já ditando o ritmo de toda a trama. Morte, traição e tristeza estão por todos os cantos, um cenário de medo desolação.

A maioria dos personagens teve uma boa evolução, dada às circunstâncias do mundo. Mortimer assume completamente o papel de Gaio, o salteador das canções, e se torna um assassino frio e calculista que só quer saber de proteger seus entes queridos (nada parecido com o ingênuo encadernador de Coração de Tinta). Já Meggie, assim como Resa, se sente angustiada por infelizmente não poder fazer muito para ajudar. Fenóglio ainda encara toda a situação como se fosse uma bela obra dele e se recusa a tentar ajudar com suas palavras, por mais que sinta raiva por Orfeu bagunçar sua história. Inclusive a melhor adição foi sem dúvidas Orfeu: orgulhoso e prepotente, acredita que é um deus e faz o que bem entende com a história, pouco se importando com as consequências. No mais são os vilões que ditam toda a história e eles fazem isso muito bem. Ah, os personagens secundários têm um bom desenvolvimento também.

O estilo de Funke teve uma leve mudada, para conseguir acompanhar o tom mais sombrio da história. Ela conseguiu explorar melhor suas virtudes como belas descrições e diálogos fluídos, enquanto focou o mínimo em questões problemáticas como descrições de batalhas e combates, mas mesmo assim conseguindo manter uma atmosfera de tensão e leve desolação. A trama também é mostrada por vários pontos diferentes (já que a maioria dos personagens está separada) e a narrativa é uma mistura de terceira pessoa com primeira pessoa, dando assim uma ótima idéia do que se passa na mente dos personagens em relação aos acontecimentos. O final é um pouco vago, mas acredito que tenha sido apropriado.

Morte de Tinta é um ótimo final para a trilogia. Com uma narrativa bem mais envolvente, personagens muito interessantes, um universo rico e muita dose de “imprevisibilidade sombria”, Funke conseguiu criar uma história fascinante. Recomendado!

Ele matou mais quatro soldados. (…) A fúria que Orfeu atiçava dentro dele o fazia atacar com tanta frequencia que suas roupas negras estavam banhadas em sangue. Negro. Seu coração se tornara negro com as palavras de Orfeu.
(…)Mais dois soldados… Apavorados, eles tropeçaram para trás ao vê-lo. Mate-os rápido, Mo, antes que gritem. Sangue. Sangue, vermelho como fogo. Não era o vermelho antes a sua cor preferida? Agora ele se sentia mal diante daquela visão. (pag 499)

Impressões: Super Mario 3D Land

E depois de muita espera finalmente Super Mario 3D Land. Mesmo sendo um dos jogos mais esperados de 3DS para alguns, eu não tinha muito interesse nele. Conforme os vídeos foram sendo divulgados eu acabei me rendendo. A minha impressão inicial é boa e bate bem com o que estão falando por aí.

O que achei legal:

  • Efeito 3D: Finalmente um efeito 3D no 3DS que vale a pena. Não sei muito bem como explicar, mas Mario 3D Land com 3D desligado não é a mesma coisa. Dá pra sentir bem a profundidade de tudo, muito legal. E também existem alguns pontos (puzzles) em que o 3D é realmente necessário, sem ele fica muito mais difícil saber aonde se deve pular. Uma pena que são poucos puzzles que utilizam de fato o 3D, mas já é um começo para que isso seja utilizado mais vezes.
  • Gráficos: SM3DL apresentou até agora os melhores gráficos que vi no 3DS. Tudo roda de maneira fluída e tudo é bonito, praticamente no nível de Super Mario Galaxy. E a direção de arte é legal também, tudo bem colorido e único, como é de costume nos jogos do Mario.
  • Divertido: É muito divertido jogar SM3DL e isso se dá principalmente pelo level design variado. Cada fase é bem diferente da outra, repletas de pequenas coisinhas legais e detalhezinhos em todos os cantos. Só não espere algo completamente novo e impressionante como Mario Galaxy, é mais uma mistura das aventuras 2D e 3D. Mesmo com menos movimentos que nos jogos anteriores, Mario ainda é fácil de controlar e tem movimentos legais. O que mais gostei sem sombra de dúvidas é o movimento de ‘rolar’ do Tanooki Mario, muito legal! As referências aos vários Marios anteriores também são bem legais.

O que não achei tão legal assim:

  • Pouco conteúdo: SM3DL tem somente um modo principal e só. Nada de minigames ou multiplayer como nas aventuras de DS. As fases são curtas e não existem muitas delas. Eu mesmo cheguei ao mundo 4 (de 8 mundos) em menos de 2h, jogando normalmente, sem pressa. Outra questão é que a progressão é linear, ou seja, não existe um mapa com caminhos alternativos como no New Super Mario Bros. O recurso do StreetPass não é lá muito interessante também e não adiciona nada de significativo ao jogo. E sim, sei do que se trata o conteúdo e extra e acredito que minha opinião não vá mudar muito.
  • Fácil: As fases são fáceis, muito fáceis, é bem difícil morrer. Fica a impressão que o público-alvo são pessoas que não costumam jogar muito. Sem contar que o suposto desafio do jogo consiste em pegar todas as Star Medals de cada fase, moedas essas que costumam estar em lugares óbvios ou de fácil localização. E é uma pena também que as habilidades um pouco avançadas como rolar e pulo longo sejam subutilizadas, já que não existe a necessidade de usá-las para terminar as fases. Mesmo morrendo várias vezes (por descuido principalmente) e tendo perdido uma ou outra Star Medal, ainda acho o jogo fácil.
  • Música: As músicas são legais e tal, mas faltou algo aqui. Depois de Super Mario Galaxy eu esperava uma trilha sonora ao menos no mesmo nível (ou próximo), mas o que encontrei foi uma trilha repleta de músicas reutilizadas dos Marios antigos e uma insistente música-tema que toca o tempo todo até você não conseguir aguentar mais. Infelizmente as músicas inéditas são fracas. Mas gostei muito da música da tela-título.

No geral gostei muito de Super Mario 3D Land. Não se compara aos últimos grandes jogos do Mario, mas é um ótimo jogo de 3DS.

 

Não conte a ninguém, de Harlan Coben

Depois de ter gostado muito de Cilada, fui atrás de outros livros do Harlan Coben, já que o estilo dele me agradou muito. Acabei escolhendo então ‘Não conte a ninguém’, já que parecia bem interessante pela sinopse.

Em ‘Não conte a ninguém’ Coben usa a mesma receita: um mistério é revelado logo no início (normalmente um assassinato), só que aos poucos os personagens vão descobrindo furos nesses fatos e começam a ir atrás da verdade. Nesse caso o protagonista David Back recebe um estranho email enviado supostamente por sua esposa, morta brutalmente 8 anos atrás. Logo após de receber este email David é tomado como suspeito do assassinato de sua própria esposa, sendo assim ele começa a investigar, tentando descobrir o que na verdade está acontecendo e se ela está realmente viva.

Coben tem uma narrativa bem dinâmica e a todo momento detalhes do mistério vão sendo revelados. O texto flui bem, com muitas cenas de ação e capítulos curtos. Acontece também que essa narrativa às vezes é um pouco confusa, já que o foco da história fica alternando entre os vários personagens, mostrando fatos em sua maioria desconexos, sendo assim é preciso muita atenção para não perder nenhum detalhe e conseguir entender as revelações.

Os personagens são bem básicos e um tanto quanto superficiais, parece que Coben preferiu focar mais no ritmo da trama no que os personagens. David é o típico protagonista comum que acaba se envolvendo sem querer em algo bem maior que ele, Shauna é a amiga esperta do protagonista comum, Hester Crimstein é a advogada bruta… e por aí vai, personagens que já vimos em outros lugares. No fim das contas a impressão que se tem é de estar assistindo um filme, já que é difícil se identificar com personagens tão subdesenvolvidos e estereotipados. A trama parece bem interessante no início, mas é muito mal desenvolvida e no fim parece bem simples. A revelação no fim do livro também não causa impacto nenhum.

‘Não conte a ninguém’ é uma leitura rápida e descompromissada. Sim, tem vários pontos negativos, mas não deixa de ser uma leitura legal para quem gosta de romances policiais com toques de Hollywood.

Marina, de Carlos Ruiz Zafón

“Por algum motivo, desconfiei que a história da escritora holandesa era uma invenção de Marina e disse isso a ela.

-Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela. – A gente só se lembra do que nunca aconteceu.” (pág 68)

Zafón é um dos meus autores favoritos. Amei A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, sendo assim corri para ler Marina assim que soube que tinha sido traduzido, já aquecendo para O Prisioneiro do Céu, o próximo livro de sua “quadrilogia barcelonesa”.

Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões.

É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Óscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá,  após alguns acontecimentos, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora.

Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, tudo isso pelos olhos de Óscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve.

Marina é classificado com infanto-juvenil em alguns lugares, sendo assim comecei a leitura esperando uma trama mais suave, levemente adolescente. Ledo engano. Marina na verdade é bem sombrio e misterioso, com traços do grotesco e do fantástico, apresentando muitas das características presentes nos trabalhos subsequentes de Zafón (A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo).

A narrativa é bem envolvente, mais uma vez Zafón usa uma Barcelona misteriosa e cheia de segredos como palco da trama. A história começa bem simples, com um acontecimento bem casual, e vai evoluindo para algo bem mais complexo. Pouco a pouco os mistérios vão sendo revelados, ao mesmo tempo em que Zafón vai dando pistas do que realmente está acontecendo. O ritmo é bom, toda hora algo novo acontece, ritmo esse que é mantido pelo fato de os capítulos serem curtos.

Óscar, o personagem principal, é quase um coadjuvante. Típico garoto-tímido-de-15-anos, Óscar é um tanto quanto sem personalidade e bobo, que no fim das contas não faz tanta diferença assim na trama. Já Marina é o contrapeso de Óscar: mesmo tão jovem é misteriosa, decidida, impulsiva, mas mesmo assim rodeada de medos como a maioria das garotas de sua idade. Já os personagens secundários são bem detalhados, suas histórias e motivações bem claras e também interessantes.

Para mim os problemas ficaram por conta de decisões de Zafón sobre os rumos da trama e da reação dos personagens em relação a isso. Existem muitos fatos fantásticos na trama, alguns outros meio grotescos, e os personagens aceitam todos eles com uma facilidade incrível, isso não ficou muito natural. Outro problema é uma quebra de tema mais pro final, concordo que era sim necessária, mas também pareceu forçada. E por fim Zafón usa demais o acaso para desenvolver a história, as coincidências chegam a ser previsíveis, uma maneira mais natural seria melhor.

Marina é sim um bom livro. Como veio antes de A Sombra do Vento, é possível observar que Zafón ainda estava amadurecendo seu estilo. Se você é fã de Zafón provavelmente vai gostar muito deste, se não o conhece é uma ótima oportunidade.

Leia o primeiro capítulo aqui

Em uma noite sem luar, de Dai Sijie

Em cada traço branco representando um hutong figurava um nome, na escrita da época, sempre ornado com muito refinamento. (…). Alguns nomes, devido à composição de seu ideograma, brilhavam com uma elegância de nuanças delicadas, outros me enfeitiçavam com sua sonoridade sutil, sensual, às vezes exuberante, principalmente quando era ele quem os pronunciava, o meu Tûmchouq com seu belo sotaque pequinês. (pág 232)

Mais uma tarde passeando nas estantes de um sebo, mais um livro descoberto por acaso. Dessa vez a bela capa e a sinopse me chamaram a atenção.

Em uma noite sem luar narra a trajetória de uma jovem francesa que, fascinada pela cultura chinesa, se muda para Pequim em 1978. Ao se aventurar pelas ruas da cidade, ela conhece um jovem introvertido, que esconde uma difícil missão: encontrar a metade desaparecida de um misterioso manuscrito, descoberto por seu pai anos antes, e escrito em uma língua completamente desconhecida.

Ligados um ao outro por sentimentos cada vez mais profundos, ambos partem em busca do texto perdido. E acabarão por encontrar muito mais do que esperavam em uma arriscada – e imprevisível – jornada.

O que me chamou atenção nesse livro foi justamente essa sinopse, ela soa como uma “jornada” histórica incrível, repleta de mistério e paixão… mas não é bem isso o que acontece. “Em uma noite sem luar” é um romance bem parado, com história simples, mas cheia de nuances interessantes. Tem um foco histórico muito forte, remetendo ao período imperial da China, utilizando de fatos reais e fictícios para montar uma história inusitada.

Nunca tinha lido nada do Dai Sijie antes e fiquei com uma impressão mediana depois desse romance. Sijie, Chinês que conseguiu uma bolsa de estudos na França e se mudou para lá, tem um estilo de escrita um pouco detalhista demais para coisas não muito importantes. É muito comum ele descrever detalhadamente sobre coisas triviais como uma construção ou uma paisagem qualquer, detalhamentos esses que se estendem por parágrafos que duram páginas, sem adicionar praticamente nada à experiência. Sijie também gosta muito de misturar tipos diferentes de narrativa, saltando entre temas e estilos, o que deixa o texto confuso em alguns pontos. No fim das contas Sijie consegue amarrar bem tudo o que propõe, já que boa parte das coisas que são mostradas são realmente importantes para reconstruir o fio da trama.

Seus personagens num primeiro momento parecem ser ordinários e simples, mas conforme a trama avança percebi que na verdade eles são repletos de obsessões. A jovem protagonista francesa sem nome, por exemplo, está em uma constante fuga, incapaz de encarar seus reais medos e problemas, o que explica as inúmeras mudanças bruscas que ela faz. Já o chinês Tûmchouq compartilha um pouco dessa personalidade da francesa, mas prefere enfrentar tudo isso e tentar encontrar a verdade à sua maneira. Só ficou um pouco forçada a questão do amor ferrenho pelas línguas e caracteres, me soou estranho.

A parte histórica sem sombra de dúvidas é a melhor característica do romance. Sijie descreve de maneira soberba a maioria dos acontecimentos da família imperial da China, acontecimentos esses atrelados à trama da francesa e Tûmchouq e sua busca pelo texto do pergaminho. Esses fatos vão sendo mostrados em partes um tanto quanto desconexas, mas no final você acaba montando as peças do quebra-cabeça, se surpreendendo com o resultado. Ok, muita coisa é coincidência demais, mas não chega ao ponto de ser absurdo.

Agora o principal problema do livro são as partes finais. Depois de um acontecimento importante na trama tudo desanda e fica estranho. Sijie fica tateando no escuro, tentando dar uma forma concisa para a trama, mas o resultado é regular. A impressão é que ele fica enrolando com fatos irrelevantes, tentando dar um fim decente. A parte final então é pura coincidência e soa como algo forçado, sem contar o fim inconclusivo e repleto de pontas soltas.

No mais “Em uma noite sem luar” não é para qualquer um. Tem um ritmo arrastado e personagens que acabam não conectando com o leitor, mas ao menos tem uma parte histórica excelente. Recomendado para quem gosta da China e de sua história, caso contrário pense bem antes de escolhê-lo como próxima leitura.

Impressões: The Legend of Zelda: Four Swords Anniversary Edition

Zelda Four Swords me remete a um passado não muito distante, um tempo que eram necessários cabos para jogar multiplayer em portáteis e que todo mundo precisava ter o jogo para desfrutar do multiplayer completo. Eu sempre tive a sorte de ter vários amigos que gostavam de jogos, sendo assim já tinha jogado Zelda Four Swords antes e sempre foi um dos meus jogos multiplayer favorito. Infelizmente não pude aproveitar completamente sua continuação para Gamecube (Zelda Four Swords Adventures), principalmente pela quantidade de cabos exigida. Sempre me perguntei o motivo da Nintendo não continuar a série no DS, já que ele introduziu o multiplayer sem cabos… até que na E3 de 2011 o relançamento do jogo foi anunciado, é claro que fiquei muito feliz (ainda mais por ser de graça!). Continue Lendo “Impressões: The Legend of Zelda: Four Swords Anniversary Edition”

Impressões: Star Fox 64 3D


Assim como aconteceu com o GBA e DS, a leva inicial de jogos do 3DS também foram ports de jogos antigos da Nintendo, um dos problemas de comprar um console no lançamento. Dessa vez o maior destaque foi The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D, que por mais que eu goste muito do jogo eu decidi não adiquirir, já que o joguei loucamente no Nintendo 64. Mas aí aparece Star Fox 64 3D e esse sim eu animei. Joguei muitíssimo esse Star Fox no meu Nintendo 64 e sem sombra de dúvidas é o melhor de toda a série, graficos melhorados e alguns recursos extras só são adicionais mais legais.

O que achei legal:

  • Gráficos: Os gráficos foram atualizados e o jogo ficou muito mais bonito. É claro que era possível fazer algo melhor, mas o que foi feito já está ótimo.
  • Novo multiplayer: Em tempos de poucos jogos de 3DS que oferecem um multiplayer por download play completo (não, o download play fuleiro do Super Street Fighter IV não conta), Star Fox 64 3D é perfeito. O modo suporta até 4 pessoas simultaneamente e é bem divertido. Uma pena que nessa nova versão do multiplayer não é possível jogar com o Landmaster ou com os pilotos. E não, modo online pra mim não faz falta.
  • Novos modos e ‘portabilidade’: Como agora é um jogo portátil, SF643D precisa oferecer recursos para que possa ser jogado em partidas rápidas. Sendo assim o novo modo Score Attack é ótimo, já que é possível jogar qualquer missão. Outro recurso legal é a possibilidade de parar o modo história e continuar depois.
  • Giroscópio: Mesmo sendo uma firula boba, achei legal o uso do giroscópio. Dá pra meio que alterar o ângulo de visão da tela título e de algumas outras telas. Já jogar com o giroscópio é um tanto quanto estranho, mas perfeitamente possível (por mais que eu prefira usar o circle pad mesmo).

O que não achei tão legal:

  • Efeito 3D: O efeito 3D até adiciona uma profundidade legal, mas não faz tanta diferença assim. Só fiquei realmente impressionado com o efeito nas missões com o Landmaster.
  • Música: Remasterizaram toda a trilha sonora do jogo e os resultados foram variados. Algumas músicas ficaram muito melhores, outras muito piores. Um exemplo é a música de chefes, ficou bem menos impactante que a original. Podiam ter colocado a opção de utilizar a trilha original.

No mais é isso. Star Fox 64 já era um jogo excelente, como não mexeram em nada na parte principal do jogo ele continua sendo ótimo. Eu crente que já na primeira jogada ia pegar todas as medalhas… mas eu tinha esquecido o quanto esse jogo exige treino, não lembrava que as últimas missões do caminho mais difícil eram tão brutais, hahaha… Altamente recomendado pra quem jogou o original ou não, Star Fox 64 3D é uma ótima pedida enquanto lançamentos grandes como Mario 3D Land e Mario Kart 7 não chegam.