Análise: DRAINUS

Em DRAINUS, uma única nave enfrenta um império intergalático em uma jornada complicada. Este shoot ‘em up lateral se inspira nos clássicos do gênero ao mesmo tempo que introduz uma interessante mecânica: a nave é capaz de absorver tiros e lançá-los de volta nos inimigos. Produzido pelo Team Ladybug (de Touhou Luna Nights e Record of Lodoss War: Deedlit in Wonder Labyrinth), o jogo se destaca com seu visual estiloso e com a sua impecável interpretação de conceitos de títulos similares.

Uma única nave contra um exército

O império de Kharlal controla boa parte do universo com seu poder militar sem igual, oprimindo planetas e eliminando aqueles que se opõem ao regime. A situação piora a cada dia e tudo indica que uma guerra interplanetária pode acontecer a qualquer momento. Mas tudo muda quando Irina, uma piloto originada do planeta Halpax, rouba Drainus, o caça interestelar mais poderoso do império. A garota decide utilizar a nave para tentar salvar seu pai, que precisa ir para a Terra para se curar de uma doença — e, talvez, libertar o universo no processo.

No controle da nave, enfrentamos o império de Kharlal em uma intensa aventura shoot ‘em up de progressão lateral. Além de atirar, Drainus tem uma função única: por meio de um escudo, o caça é capaz de absorver tiros e, em seguida, dispará-los de volta nos inimigos. O campo de drenagem só pode ser ativado por alguns segundos e ele apenas é capaz de incorporar projéteis não físicos, como laser e plasma. Saber quando usar a absorção é essencial para sobreviver, pois constantemente a tela é tomada por tiros e perigos.

Pelo caminho, Irina coleta cristais que preenchem tanques de energia. Esses itens podem ser utilizados para liberar recursos para a nave, como diferentes tipos de tiro, escudos, bombas, drones e mais. O caça tem uma quantidade limitada de espaços para equipar os dispositivos e há algumas restrições em relação à repetição de tipos. A customização da nave pode ser feita a qualquer momento no menu de pausa, permitindo fazer alterações de acordo com a situação.

Um ponto importante é que para ativar os equipamentos é necessário coletar power-ups deixados por inimigos derrotados. Os espaços são energizados na ordem, ou seja, é essencial pensar com cuidado a configuração dos dispositivos. Acontece que esses encaixes também funcionam como energia vital da nave: ao ser atingido, o equipamento mais à direita é desativado, e a nave é destruída quando recebemos dano sem nenhum soquete ativo. Sendo assim, é importante ter ao menos uma melhoria operacional para sobreviver.

No frenesi do combate no ar e no espaço

DRAINUS foca na mecânica de absorver tiros para criar uma experiência de tirar o fôlego. Convenhamos que o conceito principal não é completamente original no mundo dos shoot ‘em ups, mas o esmero técnico e a variedade de situações são suficientes para compensar isso.

Pelos vários estágios da jornada, além de atirar em tudo que se mexe, precisamos utilizar o escudo para drenar projéteis de maneira inteligente para sobreviver. Na maior parte do tempo, esse recurso não é uma mera defesa, mas também uma maneira de superar perigos intrincados e criativos.

Em uma batalha contra um chefe, por exemplo, precisamos usar a barreira para navegar por uma malha elétrica enquanto escapamos de projéteis físicos. Já em uma fase no espaço, podemos ficar debaixo de um robô para absorver a energia de seu propulsor e, em seguida, lançar tiros teleguiados poderosos. Há uma constante sensação de risco e recompensa que apreciei bastante — com o tempo eu fiquei mais ousado e consegui executar façanhas mais complicadas.

O sistema de customização traz variedade e estratégia às partidas. Poder pausar o jogo e modificar os equipamentos da nave a qualquer momento é um recurso valioso, e muitas vezes mudei de arma ou melhoria para superar algum desafio específico. Além disso, apreciei a diversidade de dispositivos — fiz questão de testar várias combinações diferentes.

DRAINUS tem boa diversidade de situações pela campanha. Fora os trechos em que só derrotamos ondas de inimigos, há partes em que precisamos navegar com cuidado por corredores estreitos e cheios de perigos, às vezes com grande movimento vertical da câmera. Em outro estágio, precisamos nos esconder atrás de elementos do cenário para escapar dos tiros lançados por um imenso robô ao fundo. Ao explorar uma fortaleza voadora de design intrincado, podemos fazer diferentes rotas. Os chefes são destaque com seus confrontos elaborados, exagerados e com múltiplas fases.

A aventura é equilibrada e conta com desafio crescente. É frequente a presença de muitos projéteis na tela, mas nunca chega ao nível de bullet hell. No entanto, o título fica um pouco fácil demais em alguns momentos, em especial quando você ativa todos os equipamentos possíveis — alguns chefes mal têm chance de reagir diante uma saraivada combinada de tiros, mísseis e projéteis refletidos. Há outros níveis de dificuldade, mas jogadores mais exigentes podem se decepcionar até mesmo no modo difícil.

O charme de um universo futurista

Os jogos produzidos pelo Team Ladybug costumam apresentar visual primoroso e DRAINUS não é diferente. A atmosfera é construída com elementos em pixel art e 3D que, quando combinados, criam cenas visualmente elaboradas. Aqui, o que mais impressiona é a presença de cenas estonteantes e criativas, que acabam afetando também a jogabilidade.

O estágio de abertura, por exemplo, já dita o tom intenso da aventura: no controle da nave, Irina voa por uma região desértica enquanto escapa de caças do império e de robôs-escorpião imensos que saltam da areia. No decorrer da missão, a ação escala a outros níveis com a eventual destruição do planeta e um confronto no espaço. Em outro ponto da jornada, contornamos um imenso cargueiro interestelar e, eventualmente, o destruímos por dentro. Além disso, os chefes impressionam com suas transformações elaboradas e batalhas com múltiplas etapas.

É notável também a clareza visual das cenas, que contam com elementos bastante contrastantes. Os projéteis que podemos absorver têm cor roxa, já aqueles que não podemos drenar têm um contorno vermelho. Com isso, é fácil identificar o que é cada coisa. Mas, mesmo assim, alguns momentos apresentam uma quantidade absurda de elementos na tela, o que cria um pouco de confusão visual — por sorte, isso é algo raro.

Curiosamente, o jogo tem uma história bem elaborada, quando comparado a outros representantes do gênero. A trama em si e os personagens são simples, mas não deixa de ser agradável e envolvente, principalmente por causa de algumas reviravoltas. Há também disquetes colecionáveis escondidos pelos estágios com conversas que desenvolvem mais os personagens e o universo do título.

Como é de praxe de shoot ‘em ups, DRAINUS é curtinho, com uma campanha que pode ser terminada em aproximadamente duas horas.  Fora isso, há um modo arcade que altera um pouco as regras: só é possível mudar a configuração da nave uma única vez no início de cada fase, o que nos força a pensar estrategicamente. Essa modalidade, aliada a níveis de dificuldade mais altos e algumas conquistas, são bons incentivos para revisitar o jogo.

Tiroteio excepcional

DRAINUS mescla elementos clássicos e ideias singulares para criar um shoot ‘em up impressionante. A mecânica de absorver tiros de inimigos traz dinamismo aos estágios, que contam com vários momentos criativos e variados. Além disso, a ambientação se destaca com visual estiloso e com cenas imponentes de tirar o fôlego. Em alguns momentos o desafio é baixo e não há muito conteúdo, porém o esmero geral da produção do título compensa esses problemas. No mais, DRAINUS é imperdível.

DRAINUS está disponível no PC

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