Análise: Lost Ruins

Em uma primeira olhada, Lost Ruins parece mais uma aventura de ação e plataforma tradicional, no entanto ele logo se revela bem complicado com sua dificuldade acentuada. A protagonista é bastante frágil, logo um único deslize pode ser fatal. O maior destaque deste título indie é a presença de muitas possibilidades na hora de enfrentar os inimigos: além de armas e feitiços, podemos utilizar também o ambiente como forma de ataque. A combinação desses elementos cria uma jornada intensa que exige constantemente atenção e experimentação, mas às vezes a dificuldade é brutal demais.

Desbravando um mundo hostil em busca de memórias

Uma garota desperta em um calabouço escuro sem saber como foi parar ali e sem lembrança do seu passado. Logo ela é saudada por Beatrice, uma feiticeira que explica a situação. Uma figura maligna chamada Dama das Trevas está selada nesse castelo e seus seguidores estão invocando pessoas de outros mundos para tentar libertar sua mestra. Agora, para recuperar as suas memórias e voltar para casa, a heroína sem nome vai precisar explorar o local e derrotar as seguidoras da Dama das Trevas.

As ruínas estão infestadas por monstros, e, para sobreviver, a garota precisa derrotá-los. Para se defender, ela usa inúmeras armas, como espadas, machados e facas, assim como feitiços. Mesmo com tantas ferramentas, a tarefa não é trivial, pelo contrário: a heroína é uma simples estudante e não tem muita destreza com armamentos, o que resulta em ataques lentos e desajeitados. Some esse detalhe com inimigos extremamente agressivos e o resultado é uma jornada bem complicada.

Os ambientes de Lost Ruins estão repletos de perigos fatais, como estacas afiadas, armadilhas de choque ou nuvens de veneno. Por sorte, a heroína pode usar esses elementos a seu favor: feitiços de fogo são capazes de incendiar poças de óleo para queimar monstros, veneno pode ser lançado na água para derrotar criaturas lentamente e inimigos encharcados são facilmente eletrocutados com raios. Muitos equipamentos também são capazes de paralisar, fazer sangrar, congelar, e mais, o que oferece várias possibilidades na hora de enfrentar os desafios.

O foco da jornada está nos combates e na sobrevivência, mas há bastante exploração. As ruínas contam com um mapa elaborado repleto de puzzles, segredos e missões paralelas com toques de metroidvania. A protagonista não aprende novas habilidades de navegação, mas muitos trechos só podem ser acessados ao utilizar certos equipamentos ou feitiços. Normalmente há mais de uma solução para essas situações, o que demanda experimentação.

Usando a criatividade para superar perigos

Não se deixe enganar pelo visual meio anime e a protagonista com uniforme estilo marinheira: Lost Ruins é brutalmente difícil. O combate é metódico e cadenciado, exigindo muito cuidado ao agir, pois a maioria das ações da heroína são lentas. Some isso a inimigos ágeis e ferozes, itens de cura escassos e uma heroína frágil e o resultado é um jogo em que qualquer deslize é fatal.

Confesso que no começo tive muito trabalho em sobreviver: meus ataques sempre erravam e os monstros me sobrepujavam constantemente. Logo percebi que não adiantava tentar atacar de qualquer jeito, era necessário observar e só agir no momento certo. Com isso, aos poucos, consegui avançar pelo perigoso mundo do jogo, ainda que a dificuldade alcançasse níveis altíssimos — é muito recompensadora a sensação de triunfo ao sair vitorioso de um combate complicado.

A característica mais notável de Lost Ruins é a diversidade de opções na hora de enfrentar os problemas. Há uma gama imensa de armas, feitiços e itens para testar, e elementos dos cenários podem ser utilizados nas investidas, nos convidando a experimentar constantemente. No começo a seleção de equipamentos é bem limitada, mas conforme exploramos as opções se abrem de formas interessantes.

Exemplos criativos não faltam. Para derrotar um grande orc, joguei óleo no chão, atraí o monstro e depois lancei um feitiço básico de fogo para criar uma explosão. Já contra rápidos inimigos voadores, conjurei orbes de gelo para congelá-los e, em seguida, usei uma marreta para quebrá-los. Uma batalha contra um chefe se passava em uma sala com água; depois de morrer inúmeras vezes tentando atacar o monstro com um machado, decidi outra abordagem: envenenei a água e equipei um filtro para me proteger, logo só precisei escapar dos ataques enquanto a mestra definhava lentamente.

Esbarrando em desafios desmedidos

É interessante o foco em precisão, mas muitas vezes a dificuldade de Lost Ruins é brutal demais e deixa as coisas extremamente frustrantes. A morosidade das ações da protagonista incomoda demais: até mesmo armas leves contam com ataques bem lentos, enquanto os inimigos são bastante ágeis. Por causa disso, é muito comum errar um golpe sem querer e ser destruído por monstros normais sem ter como reagir, mesmo com a vida completamente cheia. Isso é especialmente irritante em alguns chefes, que são capazes de derrotar a protagonista em questão de segundos.

Além de ser acentuada, a curva de dificuldade é desbalanceada e apresenta vários picos desagradáveis com alguns inimigos comuns bem complicados de enfrentar que aparecem do nada. Em muitos momentos, inclusive, tive vontade de desistir ao encontrar algum chefe que parecia impossível. Claro, com insistência e muita paciência fui conseguindo avançar na aventura e até passei a apreciar o desafio, principalmente quando já tinha muitos feitiços ou equipamentos para utilizar. A dificuldade acentuada é justificável, afinal é uma das propostas do jogo, porém um balanceamento melhor de alguns aspectos tornariam a jornada mais justa. Há um modo fácil que é recomendado para quem quer se concentrar na história, mas a dificuldade é tão baixa que chega a ser banal.

Beleza retrô e boa variedade de conteúdo

Lost Ruins se foca no combate e na sobrevivência, mas há muito o que ver pelo seu mundo compacto. O andamento é bem direto e linear, porém missões opcionais, passagens bloqueadas e plataformas distantes nos instigam a explorar todos os cantos em busca de armas ou feitiços. A jornada dura algumas horas e há modos opcionais, como partidas em que só podemos utilizar magia ou uma versão da aventura somente com armas. O extra mais interessante é protagonizado por três personagens com habilidades distintas; precisamos alternar entre elas para avançar, resultando em uma experiência bem diferente da principal.

Já a ambientação utiliza ótimo visual pixel art com iluminação dinâmica, em especial ao lançar feitiços, o que dá um charme único aos cenários escuros das ruínas. O estilo é meio anime, mas há tensão e violência com sangue, música esparsa e soturna e sons graves. Fora isso, o jogo está completamente localizado para o português, por mais que a história seja bem simples.

Complicado e envolvente

Lost Ruins usa dificuldade acentuada para criar uma instigante aventura de ação e sobrevivência. Inúmeros perigos e inimigos agressivos deixam a jornada complicada, mas a diversão está justamente em aprender as minúcias do combate para avançar. Diversas armas, feitiços e equipamentos oferecem muitas possibilidades nas batalhas, e é interessante utilizar elementos dos cenários como recursos ofensivos. A dificuldade às vezes é desbalanceada e punitiva demais, o que acaba criando alguns momentos frustrantes — é essencial paciência e muita insistência para completar a jornada. No mais, Lost Ruins é para aqueles que buscam uma experiência metódica e difícil, porém bem recompensadora.

Lost Ruins está disponível no PC

2 comentários em “Análise: Lost Ruins”

  1. Parece muito legal, os pontos positivos pra mim parecem superar os negativos. É muito longo? Quando ouço o termo “Metroidvania” já fico temendo os backtracks hahahahaha

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