Análise: A Short Hike

A Short Hike nos convida a escalar uma montanha no nosso ritmo ao mesmo tempo em que aproveitamos a paisagem. Produzido por um único desenvolvedor, esse jogo de aventura e plataforma 3D se destaca com uma atmosfera relaxante, personagens divertidos e um mundo vibrante repleto de atividades e segredos. O resultado é uma experiência cativante e repleta de boas vibrações.

Escalando uma montanha

Uma passarinha chamada Claire está visitando sua tia, que vive e trabalha em um parque ambiental chamado Hawk Peak. Depois de algum tempo, ela percebe que seu celular está sem sinal, o que a impede de receber uma chamada importante. A tia da passarinha diz que a rede não funciona direito na região e o único lugar com sinal é o topo de uma montanha. Sendo assim, Claire decide fazer uma trilha a fim de chegar ao cume da montanha para, enfim, conseguir usar seu celular.


Em sua essência, A Short Hike é uma aventura de plataforma 3D. Para explorar os cenários, Claire pode pular, escalar, planar e voar. No começo a passarinha não tem muito fôlego, o que limita as áreas que podemos alcançar, no entanto penas douradas espalhadas pelo parque aumentam suas capacidades — em pouco tempo estamos escalando imensas paredes ou voando pelas florestas. Além disso, Claire encontra algumas ferramentas que ajudam a chegar no topo, como uma pá (perfeita para encontrar itens enterrados), uma vara de pescar e mais.

Pelo caminho, a protagonista conhece vários outros animais. Alguns dão informações sobre as cercanias, já outros oferecem tarefas para Claire. Essas missões paralelas costumam ser simples, como encontrar um objeto ou falar com outro personagem, mas vale a pena completá-las, pois as recompensas são interessantes: itens, penas douradas, ferramentas e conversas divertidas. Há também atividades opcionais espalhadas pelo parque.

O deslumbre que vem da exploração

A Short Hike, como o nome já indica, é uma experiência curta e compacta. Se você se concentrar unicamente no objetivo de chegar ao topo da montanha, a aventura dura por volta de 30 minutos. No entanto, o parque ambiental é repleto de atividades divertidas localizadas fora do caminho principal, sendo um constante convite à exploração. Nas minhas andanças, disputei uma corrida de parkour com um pássaro, joguei vôlei com duas crianças, procurei conchas para ajudar uma passarinha, pesquei na companhia de um sapo e muito mais — me envolvi tanto que até esqueci o motivo da escalada de Claire. Algumas horas são necessárias para ver tudo o que o jogo tem a oferecer.

Explorar a ilha é um deleite, principalmente por causa da jogabilidade simples e elegante. Controlar Claire é muito fácil e há uma grande sensação de liberdade: podemos ir para praticamente qualquer lugar, pois a protagonista escala qualquer parede e voa com muita facilidade. Particularmente, adorei a sensação de sair planando de um lugar alto. Por causa da estrutura aberta, acabei desbravando a região, constantemente desviando do caminho principal — eu via algo à distância e pensava: “será que consigo chegar naquele lugar?”. Além de itens, também fui recompensado com belas paisagens ao explorar.

O parque ecológico não é muito extenso, mas, mesmo assim, me surpreendi com a variedade de cenários e localidades presentes ali: praias, ruínas, pontos de observação em locais altos, regiões com neve, florestas, lagos e mais. Alguns lugares são muito belos e transmitem paz e serenidade, reforçando a temática do jogo. O mundo é representado por meio de polígonos em baixa resolução, o que deixa tudo pixelado e remete a títulos antigos — o resultado é algo levemente abstrato e charmoso. A câmera é fixa e contribui para montar cenas visualmente impactantes, no entanto em alguns poucos momentos ela se move de maneira errática, o que atrapalha a movimentação. Por sorte é um problema isolado e de pouco impacto.

Uma trilha sonora tranquila repleta de violões e pianos suaves combinam com os temas de A Short Hike. Um detalhe legal é que a música é dinâmica e recebe novos elementos de acordo com a ação na tela: quanto mais coisas acontecem na região, mais elaborada se torna a faixa. Alguns momentos, principalmente quando estamos explorando alguma região mais desolada, não têm áudio algum, reforçando a sensação de estar sozinho.

Uma trilha pacífica e cativante

O que mais gostei em A Short Hike foi sua atmosfera leve e relaxante. O desenvolvedor Adam Robinson-Yu diz que o jogo é uma “representação da paz e da alegria de caminhar na floresta”, e eu realmente senti algo parecido ao explorar Hawk Peak — em nenhum momento há pressa no jogo e podemos fazer o que bem entendermos a qualquer hora. Isso se dá pela progressão livre e tranquila da aventura, em conjunto com a ambientação suave e personagens carismáticos.

Os personagens, em especial, são muito cativantes. Todos os animais do local são amigáveis, simpáticos e sinceros (alguns até demais), sempre transbordando personalidade com seus diálogos. Um sapo, por exemplo, constrói uma cidade de areia na praia, porém não consegue ser o prefeito do lugar (ele afirma que sabotaram a eleição). Um urso montou uma barraca na trilha, contudo ele teme ser preso por ter perdido a permissão de acampamento (e na verdade ninguém se importa). Dois amigos também estão tentando chegar no topo da montanha e comentam que fazem parte de um fórum online de escalada, sempre contando histórias absurdas sobre os membros do grupo.


Eu me diverti demais conhecendo tantos animais inusitados, principalmente por causa dos ótimos diálogos. Além disso, suas histórias se expandem conforme interagimos e os ajudamos, sendo um ótimo incentivo para fazer as missões paralelas. Boa parte dos assuntos são leves e banais, no entanto aparecem também alguns temas mais elaborados e contemporâneos, como uma pintora que se sente incapaz ou o conflito interno de Claire. A ambientação, o visual colorido e as interações com os animais me lembraram bastante a série Animal Crossing — inclusive há um easter egg relacionado à série da Nintendo escondido no jogo.

Uma experiência envolvente

A Short Hike me conquistou com sua ambientação relaxante e mundo carismático. Gostei demais de explorar uma ilha repleta de lugares para ver e animais para conhecer, principalmente por causa das mecânicas suaves e simples — voar e planar pelos cenários é muito divertido. O senso de descobrimento é constante e sempre fiquei instigado em sair do caminho principal em busca de belas vistas, outras atividades, itens escondidos ou personagens. Destaco também o visual inusitado em baixa resolução e a excelente trilha sonora dinâmica que trazem uma atmosfera única ao mundo do jogo. No fim, A Short Hike é mais uma daquelas surpresas capazes de nos transportar para outro mundo e não ver a hora passar.

A Short Hike está disponível no PC

 

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2 comentários em “Análise: A Short Hike”

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