Minhas leituras favoritas de 2018

2018 foi um ano bem intenso e, para mim, passou num piscar de olhos. No campo das leituras, eu acabei lendo um pouco menos que no ano anterior, no entanto abri um pouco meus horizontes com alguns livros que eu nem sonhava em conferir.

Um detalhe curioso é que este ano consolidei o Kindle como minha principal ferramenta de leitura: dentre os 32 livros que li esse ano, somente três foram físicos. Me rendi completamente aos encantos do e-book reader, principalmente por sua praticidade. Ainda sinto falta dos livros físicos, ainda mais as edições mais caprichadas que vejo nas livrarias, porém estou cada vez mais desapegado disso.

Desta vez fiz um pouco diferente e escolhi mais que cinco livros, afinal conferi muita coisa legal nesse ano. Minha lista completa de leituras pode ser conferida no Skoob e no Goodreads, sendo que alguns (poucos) livros têm texto aqui no blog. Não deixe de ver também minhas escolhas dos anos anteriores.

Mistborn: Segunda Era, de Brandon Sanderson

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Mistborn é uma das minhas séries de fantasia favoritas e eu estava bem ansioso para conferir a segunda série, intitulada Mistborn: Segunda Era. As aventuras de Wax e Wayne expandem o universo de Mistborn com a introdução de armas de fogo e outras tecnologias. Isso, em conjunto com o sistema de magia baseado em metais, trouxe cenas de ação visualmente incríveis e muito divertidas. Além disso, gostei bastante em como os livros fazem ligação com a Primeira Era e apreciei muitas das decisões de expansão do universo propostas pelo autor. Até o momento três livros foram lançados (A Liga da Lei, As Sombras de Si Mesmo e Os Braceletes da Perdição) e aguardo ansiosamente a conclusão dessa era.

A Floresta Sombria, Cixin Liu

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Eu fiquei extremamente instigado com o final de O Problema dos Três Corpos, o livro hard sci-fi do chinês Cixin Liu. O motivo disso é o grande dilema que aparece na conclusão da trama, algo muito difícil de resolver. A continuação A Floresta Sombria me surpreendeu com um monte de reviravoltas interessantes e ritmo mais ágil em relação ao anterior. Não dá pra comentar quase nada sem entrar em spoilers, só digo que é muito bom. Torcendo bastante para a conclusão da série ser lançada no Brasil em breve.

A Casa dos Espíritos, Isabel Allende

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Uma trama que retrata três gerações de uma família, com alguns leves elementos fantásticos, foi o que me fez gostar de A Casa dos Espíritos. Acompanhar a vida dos Trueba foi uma experiência cativante, principalmente por causa dos vários ótimos personagens da trama. Achei interessante, também, a diversidade de assuntos e subtramas abordados na obra: relacionamentos conturbados, esoterismo, política e mais. Estes detalhes, em conjunto com a narrativa ágil, fizeram com que eu nem notasse o tempo passando durante a leitura.

A Amiga Genial, de Elena Ferrante

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A complicada e complexa amizade entre Lena e Lila em A Amiga Genial me conquistou logo no início. Em uma Nápoles pós-guerra, acompanhamos a infância e parte da adolescência de uma dupla de amigas de personalidades bem diferentes. Apreciei bastante a relação intensa entre Lena e Lila, e gostei de ver os caminhos que cada uma seguiu — bem divergentes, já adianto. Foi meu primeiro livro de Elena Ferrante, gostei bastante e pretendo conferir mais trabalhos da autora (ou autor, não se sabe, haha).

Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera

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Imersivo seria uma palavra que eu usaria para descrever minha experiência com Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera. A história sobre um professor de educação física que vai morar em uma cidade do litoral em busca de notícias do avô supostamente morto me prendeu profundamente com sua ambientação ímpar — era como se eu estivesse ali naquele local no sul do Brasil. O autor consegue trazer essa sensação com muitas descrições (tanto de pessoas quanto de cenários) e uma narrativa lenta, retratando um cotidiano tranquilo. Gostei bastante e já conferi alguns outros trabalhos do autor.

História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang

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Confesso que fui atrás dessa coletânea de contos por causa do ótimo filme A Chegada, pois o longa é baseado em um dos contos do livro. Acabei me surpreendendo bastante com os contos no geral e apreciei praticamente todos eles. Ted Chiang conta histórias de ficção científica interessantíssimas em suas tramas, como uma curiosa interpretação do mito da Torre de Babel em “A torre da Babilônia”, uma impactante realidade pautada por um Deus nada misericordioso em “O Inferno é a ausência de Deus”, uma discussão sobre aparências em “Gostando do que vê: um documentário” e a mistura de fantasia e ciência em “Setenta e duas letras”. Um detalhe que apreciei bastante nas histórias de Ted Chiang é que há grande foco nas pessoas e em seus relacionamentos, mostrando o impacto da tecnologia na vida delas. Já quero ler outros trabalhos da pequena carreira do autor.

O Elefante Desaparece, de Haruki Murakami

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Haruki Murakami é um dos meus autores favoritos e faço questão de conferir todas as suas obras. O Elefante Desaparece é uma coletânea de contos com a típica atmosfera murakamiana, ou seja, relacionamentos complicados, atmosferas surreais e tramas sobre solidão.O livro tem várias histórias notáveis, como Sono, O segundo assalto à padaria, Queimando celeiros, Os homens da TV e O anão dançarino. O que mais gosto nos contos de Murakami é como ele consegue montar narrativas muito instigantes em um espaço limitado, e as histórias dessa coletânea retratam bem essa característica do autor.

Praia de Manhattan, de Jennifer Egan

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Uma narrativa envolvente foi o que me prendeu em Praia de Manhattan. Nele, a autora Jennifer Egan explora uma Nova York durante a guerra, o que significa uma atmosfera bem diferente do que estamos acostumados a ver. Gostei bastante da protagonista Anna Kerrigan, que coloca na cabeça que quer ser mergulhadora mesmo tendo complicações na família — o que traz alguns desafios em uma sociedade na qual a mulher ainda não tem muito espaço. Além de ser uma história sobre superar os desafios e provar seu valor, é, também, uma trama que explora o submundo dos gangsters de maneira bem interessante.


Menções honrosas

Decepções do ano

  • Encarcerados, de John Scalzi
  • Piquenique na Estrada, de Arkady Strugatsky, Boris Strugatsky
  • A Trilogia de Nova York, de Paul Auster

E vocês, o que leram de legal em 2018? Digam aí suas recomendações 🙂

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8 comentários em “Minhas leituras favoritas de 2018”

  1. Obrigado pelas indicações, estou gostando muito do Cixin Liu, ao longo do ano vou tentar outras. Fora da ficção recomendo o 1499, uma excelente descrição do estado da arte em arqueologia no Brasil. De mudar a visão sobre o nosso passado e desconfio que seria uma boa inspiração para fantasia história pela terra brasilis.

    1. Bom saber que não sou o único que gosta do trabalho do Cixin Liu 🙂 Tô muito ansioso para o fim da trilogia, espero que lancem o último volume no Brasil ainda em 2019.

      Não tenho costume de ler não ficção, mas vou dar uma olhada nesse livro que recomendou 🙂

      1. Estou no segundo livro e realmente estou impressionado. O cara é fantástico, espero que ainda tenha uma carreira longa e produtiva. Sem contar que é uma das raras chances de ler boa sci-fi fora do padrão anglo-saxão. A descrição da china no período da revolução cultural é impactante. Precisamos de mais Cixin’s pelo mundo afora. Nada contra os americanos e ingleses mas é legal ver algo diferente. Um dos motivos do sucesso emergente de movimentos como o afrofuturismo, por exemplo.

        1. Realmente, uma ficção científica na China traz um frescor único ao gênero. Para mim, particularmente, muita coisa foi novidade, pois nunca tive muito contato com as questões do país, como o período da Revolução Cultural. E, mesmo assim, o autor ainda consegue criar uma ficção científica bem ímpar, gostei demais do universo que ele criou e também da conclusão de alguns dilemas.

          De afrofuturismo eu quero muito conferir uma série chamada Binti, mas ainda não tive a oportunidade.

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