Impressões: Super Smash Bros. Ultimate (Switch)

Lembro-me até hoje das inúmeras horas jogando Super Smash Bros. no Nintendo 64, da diversão sem fim ao colocar os heróis da Nintendo para brigar entre si em um jogo maluco e impressionante — maluco tanto no conceito quanto nas mecânicas quebradas, o que resultava em lutas impressionantes. Naturalmente, a série Smash Bros. se tornou uma das minhas favoritas, por mais que minha pouca habilidade com os títulos do gênero faz com que eu jogue mais por diversão. Super Smash Bros. Ultimate chega ao Nintendo Switch quase 20 anos depois do original, celebrando tudo o que a série tem de bom e incluindo novidades, sem deixar de apresentar aquela atmosfera impossivelmente caótica tão divertida.

“Everyone is here”, ou “todo mundo está aqui”, é o slogan de Smash Ultimate, e isso se dá pela presença de todos os personagens dos títulos anteriores, além de alguns novatos. Essa característica já faz com que Ultimate seja o jogo mais ambicioso da franquia e é realmente impressionante ter tantos lutadores disponíveis — eu mesmo tenho dificuldade de escolher um personagem em meio aos mais de 70 disponíveis.

O meu maior medo era que o jogo fosse somente uma espécie de port melhorado, como tem acontecido com vários títulos de Wii U que chegaram ao Switch, mas, felizmente não é bem esse o caso. Claro, ainda dá para perceber que Ultimate é fortemente baseado em Super Smash Bros. for WiiU/3DS, mas novidades, mudanças nas mecânicas e no ritmo, trazem uma sensação ao mesmo tempo clássica e inédita.


Não cheguei a testar as modalidades online, porém uma fonte confiável (meu irmão, que é um entusiasta frenético do jogo) me afirmou que funciona bem, mesmo com as decisões questionáveis de opções, como ausência de modo ranqueado.

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Gostei

Quantidade de lutadores

74 diferentes lutadores, entre veteranos e novatos, estão disponíveis em Super Smash Bros. Ultimate. Essa quantidade de personagens é impressionante e gostei bastante de poder jogar com qualquer lutador que já tenha aparecido anteriormente na série. Também achei bem legais os novatos, pois eles apresentam mecânicas novas e interessantes: o exótico Inkling (de Splatoon) e sua jogabilidade mais técnica; Simon e Richter, os caçadores de vampiros de Castlevania e seus vários itens como ataques; Ridley, o imponente vilão de Metroid, que apresenta ataques difíceis de escapar. Fora isso, já foi confirmado que novos lutadores chegarão ao jogo via DLC, como a Piranha Plant da série Mario e Joker, o protagonista de Persona 5.

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Quantidade de estágios

Exatas 103 arenas estão disponíveis em Smash Ultimate. Assim como os personagens, eu fico indeciso na hora de escolher o estágio — são tantas opções legais que é difícil escolher. Gostei, especialmente, do tratamento visual dado aos estágios clássicos, principalmente aqueles que vieram de Super Smash Bros. Melee (GC). E, finalmente, uma das minhas reclamações foi atendida: agora é possível desligar os perigos dos estágios, algo extremamente necessário, já que algumas arenas têm tantos obstáculos que fica difícil lutar.

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Balanceamento das mecânicas de jogo

Nunca fui um jogador muito técnico, porém achei notáveis as modificações do sistema de luta. Tem muita coisa sutil (como uma defesa perfeita), já outras são bem aparentes (como a maior velocidade de lançamento dos personagens). O resultado são partidas mais rápidas e dinâmicas, deixando tudo mais frenético. Gostei, também, dos pequenos detalhes visuais: o close da câmera ao acertar um ataque fatal, a transição estilosa no início das lutas, e mais. No fim, fiquei com a sensação de estar jogando um Smash moderno sem deixar de ter as características clássicas.

Sistema de luta acessível

As mecânicas de Smash Ultimate são bem pensadas, resultando um jogo que consegue ser tanto casual quanto competitivo. Partidas 1 vs 1 são bem técnicas, principalmente sem a presença de itens, e podem ter vários momentos de destreza impressionantes. Já embates com quatro ou mais jogadores trazem aquele ar de party game, com muito caos e ação acontecendo na tela. Claro, em alguns momentos é difícil entender o que está acontecendo, mas não deixa de ser muito divertido.

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Multiplayer robusto

Para mim, Smash Bros. sempre foi uma experiência mais multiplayer, e Ultimate tem opções de sobra nesse aspecto. Assim como o título anterior, até oito jogadores podem participar das lutas, por mais que, particularmente, recomendo no máximo uns cinco (mais que isso vira caótico demais). É possível customizar as regras com inúmeras opções, e dessa vez há a possibilidade de gravá-las para uso futuro. De novo, tem alguns modos legais, como Squad Strike (batalhas com times de três ou cinco lutadores sendo que um personagem é substituído por outro ao ser derrotado) e Smashdown (uma série de batalhas em que personagens só podem ser escolhidos uma única vez).

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Trilha sonora extensa

Com mais de 800 faixas, Smash Bros. Ultimate tem uma das trilhas sonoras mais abrangentes de todos os tempos. Fora as músicas que retornaram de jogos anteriores, Ultimate tem vários arranjos inéditos, muitos deles excelentes. Minhas adições favoritas são as composições da série Castlevania, como Awake (de Castlevania: Circle of the Moon) e Lost Painting (de Castlevania: Symphony of the Night).

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Não gostei

Spirits

Nos últimos Smash Bros., o diretor Masahiro Sakurai incluiu alguma mecânica ou característica que define o jogo, como o modo história de Brawl ou os golpes customizados de WiiU/3DS. O equivalente disso em Ultimate são os Spirits, personagens que modificam características os lutadores. É um sistema bem complexo, com a presença de triângulo de fraqueza, níveis, espíritos de suporte e mais. Além disso, para obtê-los, precisamos participar de lutas que fazem referência ao espírito em questão. Eles também substituem os tradicionais troféus — uma pena, pois eles são simples imagens estáticas sem descrições.

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Eu entendo e reconheço a complexidade dos Spirits, porém achei tudo muito enfadonho. É uma complicação equipar e organizar os Spirits, e precisamos de fazer isso constantemente, pois algumas lutas exigem configurações específicas. Achei que as lutas têm ideias interessantes ao tentar reproduzir características dos Spirits com o elenco de lutadores do jogo, no entanto achei essas batalhas desagradáveis ao invés de divertidas — sério, é muito chato enfrentar cinco Marios que lançam bolas de baseball constantemente ao mesmo tempo em que tentamos não ser lançados por um vento fortíssimo, e isso é só um dos exemplos. Eu preferia que os recursos utilizados para construir esse sistema tivessem sido utilizados em outras áreas do jogo.

Modo World of Light

O World of Light é o modo história de Smash Ultimate e tem como foco resgatar os espíritos de inúmeros personagens por meio de batalhas. Essa modalidade pega a mecânica dos Spirits e aplica a um imenso mapa com vários caminhos e desafios. Eu já não achava interessante o modo história do Brawl, e esse também não me conquistou, ainda mais por ter como foco essa coisa chata de Spirits. E para piorar de “história” tem pouquíssimo: algumas cenas simples e só. Entendo a tentativa e sei que muita gente vai gastar horas nele, mas eu passarei bem longe.

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Pouco conteúdo de fato novo

É inegável que é impressionante a imensa quantidade de conteúdo em Smash Ultimate, porém fiquei decepcionado com as pouquíssimas novidades no núcleo do jogo. Dos 74 personagens, somente seis são completamente novos. Já na parte dos estágios, somente quatro são inéditos. Isso reforça a sensação de “port melhorado”, já que boa parte dos lutadores e arenas são reaproveitado dos jogos antigos. Eu até fiquei satisfeito com o resultado final, mas particularmente eu gostaria de mais novidades nessas áreas. Por sorte, novos lutadores e estágios vão ser incluídos via conteúdo por download.

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Ausência de outros modos clássicos

Uma das características mais legais de Smash Bros. sempre foi a grande quantidade de variados modos de jogo. Smash Ultimate traz de volta pouquíssimos deles, como o Classic (que está bem melhor nessa versão, inclusive) e Mob Smash. Particularmente, senti falta de alguns modos legais do passado, como Adventure (Melee) e Smash Run (3DS).

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No fim, Super Smash Bros. Ultimate é um dos mais impressionantes crossovers já criados. Como afirmou o diretor Masahiro Sakurai em uma entrevista, cada jogo da série é um “milagre” por causa das várias franquias envolvidas, e Ultimate é um milagre ainda maior por causa da quantidade extensa de personagens e conteúdo. O jogo é extremamente divertido e variado, capaz de agradar diferentes tipos de jogadores, e a versatilidade do Switch faz com que aproveitar o jogo seja ainda mais fácil. Super Smash Bros. Ultimate é uma experiência excepcional e já é um dos meus favoritos do Switch — mesmo eu vencendo raramente por não ter habilidade suficiente, haha.

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Super Smash Bros. Ultimate está disponível exclusivamente no Nintendo Switch

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