Análise: Dragon’s Crown Pro (PS4)

Dragon’s Crown Pro chama a atenção com seu elaborado visual com ilustrações desenhadas à mão, como é de costume da produtora nipônica Vanillaware. O jogo resgata o tradicional gênero beat ‘em up e adiciona camadas de complexidade com características de RPG. O resultado é uma experiência que oferece mais profundidade do que aparenta, em uma aventura frenética por um mundo de fantasia. Lançado anteriormente para PlayStation 3 e PS Vita, Dragon’s Crown chega agora ao PlayStation 4 em uma adaptação com poucos ajustes.

Em busca de um artefato mágico

Jogar Dragon’s Crown Pro me fez lembrar de uma sessão de RPG de mesa com amigos por causa de sua ambientação.

No controle de um herói, exploramos o reino de Hyland, que é claramente inspirado nas histórias de fantasia por causa da presença de monstros, mitologia e magia. Nesta terra, uma lenda fala da existência de um artefato chamado Dragon’s Crown (Coroa do Dragão, em tradução livre) que, supostamente, permite controlar dragões — criaturas míticas e extremamente poderosas capazes de subjugar facilmente exércitos. Aventureiros de todo o mundo vão até Hyland em busca da tal coroa das lendas, de fama e de dinheiro.


Ao contrário do que parece, a trama do jogo é bem simples, funcionando mais para fazer as coisas avançarem. Há um pouco de intriga envolvendo membros da corte local e representantes de outros reinos, porém em nenhum momento consegui me importar com estes fatos devido ao raso desenvolvimento. Mesmo assim, a ambientação é muito boa por causa da presença de um narrador: ele lembra um mestre de uma mesa de RPG, dublando todos os diálogos do jogo de forma impecável. Uma adição legal a essa versão é a possibilidade de escolher os narradores baseados nos heróis, juntamente com suas contrapartes japonesas, desde o início da aventura — as diferentes dublagens mudam drasticamente o tom da narrativa.

Seis heróis completamente diferentes

Na essência, Dragon’s Crown é um beat ‘em up de progressão 2D, ou seja, no controle dos heróis derrotamos monstros e outras criaturas enquanto avançamos pelas fases, que contam com um chefe no final. A característica mais legal é a presença de vários elementos de RPG, como classes distintas, equipamentos e habilidades. Seis diferentes personagens podem ser controlados na aventura por Hyland. Cada herói dispõe de mecânicas e técnicas únicas, refletindo sua classe e alterando significativamente a maneira de jogar.


O Lutador (Fighter) é um cavaleiro que oferece bom balanceamento entre defesa e ataque, com golpes fortalecidos ao aparar ataques inimigos. Já a Amazona (Amazon) é rápida e poderosa, com movimentos capazes de acertar vastas áreas, porém tem defesa baixa. O imponente Anão (Dwarf) é um pouco lento, contudo consegue suportar investidas inimigas e lançar monstros nos dos oponentes. A Elfa (Elf) se especializa em atacar à distância com flechas e não é boa em ataques corpo a corpo. A Feiticeira (Sorceress) é uma classe técnica e conta com feitiços de suporte capazes de conjurar comida, invocar esqueletos aliados e transformar os oponentes em sapos. Por fim, temos o poderoso Mago (Mage) que ataca com magias devastadoras, mas precisa recarregar a magia constantemente para conseguir utilizar suas técnicas. Até quatro heróis podem explorar juntos as fases do jogo, e as habilidades deles se complementam.

Cada personagem muda drasticamente a experiência do jogador. Personagens como lutador, amazona e anão são mais simples de entender e ideais para novatos, porém suas particularidades exigem estratégias distintas — a amazona, por exemplo, fica mais forte ao matar monstros em sequência rapidamente. Já a elfa necessita coletar flechas constantemente para atacar com eficiência, exigindo, assim, tiros certeiros e estratégicos. O andamento com o mago é lento, pois ele precisa recarregar sua magia constantemente para não ficar completamente indefeso em momentos importantes. Uma das mais diferentes é a feiticeira: suas habilidades oferecem suporte para o resto do grupo, tornando um desafio jogar sozinho no controle dela.


Os heróis sobem de nível e é possível aprender novas habilidades. Um ponto interessante é que há espaço para especialização, o que possibilita criar personagens distintos da mesma classe. Um dos meus magos, por exemplo, tinha como principal estratégia atrasar os inimigos com a magia Slow e logo em seguida queimá-los com uma chama poderosa. Já um mago que utilizei na versão de PS Vita no passado era completamente diferente: ele era versátil por ter à disposição vários feitiços, por outro lado, a força deles era bem reduzida.

Uma aventura de poucas localidades

A jornada dos heróis de Dragon’s Crown se dá em diferentes estágios, cada qual com temas distintos: florestas, ruínas, catacumbas e assim por diante. A variedade de inimigos é boa, com muitos exigindo estratégias diferentes para serem derrotados. Meus momentos preferidos são os confrontos com os chefes. Eles são poderosos e imponentes, e apresentam padrões de ataque mais complexos — observar e golpear no momento certo é essencial para sair vitorioso. Alguns confrontos, inclusive, apresentam mecânicas diferenciadas, como uma criatura espectral que só recebe dano significativo quando tochas especiais estão acesas.


Títulos do gênero beat ‘em up costumam ser repetitivos e Dragon’s Crown não é diferente. Para piorar, a aventura conta somente com nove estágios principais e somos obrigados a visitá-los novamente inúmeras vezes. Existem alguns detalhes a fim de amenizar essa sensação, como missões opcionais, caminhos alternativos e runas mágicas, porém podem não ser suficientes para alguns jogadores.

De qualquer maneira, o jogo tem alguns recursos interessantes para quem não se importa com a repetição, como três níveis de dificuldade e um labirinto com estágios gerados proceduralmente. Um dos meus favoritos é a opção de jogar fases em sequência: bônus de experiência, dinheiro e raridade de equipamento são oferecidos a cada estágio completado sem voltar para a vila. Há um pouco de risco e recompensa nisso, pois os equipamentos e itens têm durabilidade limitada, forçando, assim, a usar com sabedoria todos eles.


A aventura comporta até quatro heróis por vez, que podem ser controlados pelo computador ou por outras pessoas no multiplayer online ou local. Um recurso interessante adicionado a todas as versões do jogo é o cross play, ou seja, jogadores do PS4, PS3 e PS Vita podem jogar juntos. Mesmo na dificuldade normal, o jogo pode ser bem difícil, logo é uma boa opção contar com a ajuda de outros heróis. A experiência fica ainda mais interessante com a presença de jogadores humanos e, durante meu tempo com o jogo, o online funcionou muito bem. O único problema de quatro heróis desferindo ataques e feitiços ao mesmo tempo é a bagunça visual: nos momentos mais frenéticos, foi comum me perder e não saber exatamente onde estava meu personagem ou quem era inimigo ou aliado.

Deslumbre visual e sonoro

Além de ser divertido de jogar, Dragon’s Crown também é ótimo de se apreciar. Como é de costume da produtora nipônica Vanillaware (de Odin Sphere e Muramasa), o título conta com visual elaborado desenhado à mão. Fiquei especialmente impressionado com os detalhes nas fases: as salas são repletas de elementos, os inimigos apresentam animações intrincadas e os efeitos visuais reforçam a atmosfera.

A direção de arte, principalmente dos personagens, é curiosa. Muitos dos heróis e outros humanos têm proporções exageradas, resultando em um visual exótico e que causa estranheza — mas que funciona no contexto de mundo de fantasia. Em seu lançamento original, o jogo recebeu muitas críticas por causa da representação de algumas personagens femininas, e essa representação não mudou no relançamento. Particularmente, acho um pouco duvidosas certas escolhas, porém, no fim das contas, gosto bastante do resultado final.


Essa nova versão, que recebeu um “Pro” no nome, tem pouquíssimas novidades em relação ao jogo lançado anteriormente para PS3 e PS Vita. Os recursos exclusivos são o visual com maior resolução e a trilha sonora retrabalhada. Os gráficos já eram belos e agora estão ainda mais vibrantes, pois todos os elementos gráficos estão mais definidos. Já a música foi completamente regravada com instrumentos reais, por mais que a mudança não seja muito drástica. Na prática, quem jogou a versão anterior praticamente não vai notar as diferenças, pois elas não são significativas.

Fora isso, foram incluídas pequenas mudanças em todas as versões, inclusive nas de PS3 e PS Vita: leves alterações de interface, inclusão de cross play e cross save entre todas as versões e balanceamentos gerais do jogo. Sendo assim, aqueles que jogaram Dragon’s Crown anteriormente não têm motivos para experimentar a versão Pro.

Uma mescla de gêneros interessante e bem trabalhada

Dragon’s Crown Pro conquista com seus ótimos sistemas de jogo. As mecânicas, que combinam beat ‘em up e RPG, oferecem agilidade e profundidade, resultando em uma experiência divertida. Gostei, especialmente, das diferentes classes de personagens, pois cada uma delas oferece jogabilidades distintas. Além disso, a aventura por Hyland é deslumbrante com seus visual e música impecáveis. A quantidade de estágios é limitada e há uma sensação de repetição, mesmo assim, há muito o que ver e fazer no jogo. Dragon’s Crown Pro é um ótimo relançamento e facilmente um dos melhores títulos do gênero para PS4.

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