Análise: Hand of Fate 2 (PS4/PC)

 

Jogar Hand of Fate 2 me trouxe a sensação de estar participando de uma sessão de RPG de mesa: um mestre de jogo guia uma aventura repleta de escolhas baseadas em cartas. Combinando vários gêneros, como montagem de baralhos, ação e roguelike, a continuação do título de 2015 melhora boa parte dos aspectos do original, trazendo uma experiência mais variada e cativante.

Uma aventura de cartas

Imagine uma partida de RPG de mesa Dungeons & Dragons na qual o mestre de jogo descreve situações e os participantes devem fazer escolhas para avançar, com a presença de testes de perícia por meio de dados. Na essência, Hand of Fate 2 é exatamente isso, com alguns diferenciais: os eventos são guiados por cartas e os inimigos são enfrentados em um combate em tempo real que é uma versão simplificada das mecânicas da série Batman: Arkham (ou seja, há grande foco em defender e contra-atacar na hora certa).

As cartas são a essência de Hand of Fate e elas representam eventos, equipamentos e aliados. Para montar uma aventura, o mestre de jogo usa o baralho para construir um mapa e cada uma delas apresenta uma situação que deve ser resolvida ao selecionar uma opção ou ao participar de um minigame (dados, roleta, pêndulo). Sendo assim, precisamos navegar pelas cartas a fim de concluir o objetivo da missão. Assim como em um roguelike, morrer significa recomeçar a partida desde o início.

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Avançar não é tão simples, pois nosso herói consome comida toda vez que revela uma nova carta, dinheiro costuma ser escasso e equipamentos exigem escolhas nem sempre fáceis. Por conta disso, precisei sempre prestar atenção nos meus movimentos, sempre balanceando as opções. Foram vários os momentos em que enfrentei dilemas: vendo essa armadura poderosa para conseguir comida e recuperar a vida, ou aposto na minha perícia nos combates para sobreviver? Hand of Fate 2 é uma mistura de gerenciamento de recursos e de estratégia na hora de enfrentar os desafios.

O legal é que há um elemento de deckbuilding: conforme avançamos no jogo, recebemos novas cartas, o que permite alterar os possíveis eventos encontrados e expande as possibilidades de jogo. Em uma missão, por exemplo, o mapa era imenso e repleto de perigos, logo coloquei cartas com eventos que revelavam partes do cenário, assim eu poderia evitar os desafios difíceis. Já em outro cenário, o problema era a escassez de comida, sendo assim minha escolha foi incluir no meu baralho equipamentos e eventos para contornar isso. A construção de baralhos, em combinação com as cartas específicas de cada missão, faz com que a experiência seja diferente em cada partida.

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Refinando a fórmula

As mecânicas basais de Hand of Fate 2 se assemelham bastante às do antecessor, porém várias alterações tornam o jogo mais interessante e tentam resolver alguns problemas, como a repetitividade.

Uma das minhas novidades preferidas dessa sequência é a presença de Desafios. Cada um deles é uma aventura com regras próprias e únicas, bem diferentes entre si. Em “O Imperador”, por exemplo, o objetivo é navegar por um grande mapa em busca de relíquias desaparecidas, sendo o principal problema sobreviver aos vários perigos da selva. Já em “Os amantes” temos que proteger um fazendeiro de sua noiva-zumbi que insiste em querer raptá-lo — a questão aqui é a comida que, além de limitada, é dividida com o companheiro azarado. Na missão “A Sacerdotisa” é de extrema importância obter bênçãos para conseguir uma audiência com a líder de um culto. São 22 Desafios e há boa variedade na estrutura dos mapas e dos objetivos. Eles amenizam bastante o problema de falta de variedade do jogo original, cuja aventura era estruturada somente em andares simples. Claro, depois de algumas partidas algumas cartas e situações se repetem, trazendo um pouco de repetição. Fora isso, o título receberá no futuro um modo infinito.

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Já o combate está mais ágil e preciso, sendo muito mais fácil atacar e revidar na hora certa. A variedade de oponentes aumentou: ladrões são mais fáceis de derrotar com facas curtas, zumbis atacam em grupos, monstros encouraçados exigem golpes mais lentos e poderosos, e assim por diante. Há também várias novas categorias de armas e até mesmo artefatos mágicos que conferem ataques especiais. Na teoria, a combinação desses elementos promete mais estratégia e variedade nos confrontos, porém senti que ele ainda é muito limitado e repetitivo — na maior parte das vezes, basta atacar repetidamente e pronto. Para mim, o combate ainda continua sendo o maior ponto fraco da sequência, assim como no primeiro.

Desta vez, não temos que enfrentar os perigos sozinhos: aliados acompanham o herói na jornada. Estes personagens afetam o jogo em todas suas características de alguma maneira. O bardo Malaclypse, por exemplo, provê um escudo protetor no combate e permite girar novamente a roleta em certos minigames. Colbjorn, um guerreiro poderoso, adiciona um dado extra nos desafios desse tipo e atordoa inimigos nas batalhas. Além disso, cada um deles tem também uma linha de história única que explora seus motivos. Sendo assim, os companheiros trazem mais opções de estratégia e também enriquecem um pouco mais o mundo.

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O baralho da sorte (ou do azar)

A experiência de Hand of Fate 2 é complementada pela excelente ambientação. Na maior parte do tempo, a atividade é ler as descrições das cartas e fazer escolhas, porém o que cria o clima único do jogo é a combinação da arte e da narração. As cartas têm ilustrações belas e interessantes, representando muito bem as várias situações descritas. O mestre de jogo, que é um misterioso homem de capuz, é sarcástico e adora fazer comentários ácidos sobre o que acontece na jornada ou então discute detalhes do mundo do jogo — comentários esses reforçados pela excelente dublagem. O foco da narrativa é texto e voz, logo é necessário estar aberto a essa abordagem mais abstrata para aproveitar o título.

A aventura em si tem desafio moderado e é importante ficar atento às escolhas dos eventos. Em alguns momentos, após ser derrotado, consegui vencer os desafios somente reajustando a composição do meu baralho. De qualquer maneira, um detalhe me incomodou bastante: a influência da sorte. Hand of Fate 2 tem quatro diferentes minigames para resolver alguns eventos, e a maioria deles tem resultados aleatórios. Aconteceu algumas vezes de eu quase estar terminando a aventura, aí um resultado ruim nos dados, por exemplo, simplesmente arruinou todo o meu progresso e me impediu de concluir a missão com sucesso — é muito frustrante ter que recomeçar uma partida do início por conta de um fator aleatório. Equipamentos e aliados ajudam a amenizar isso, porém senti que a sorte, às vezes, pode ter forte influência no andamento, o que traz uma sensação de não estar no controle das coisas.

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Maior e melhor

Hand of Fate 2 melhora as interessantes mecânicas do primeiro título e o resultado é uma aventura mais polida e empolgante. A mistura de RPG, cartas e combate de ação funciona muito bem e traz uma experiência única. As novidades, como diferentes tipos de missões e aliados, oferecem mais variedade de atividades e muitas opções de estratégia, enriquecendo o jogo. Infelizmente o combate continua repetitivo e a sorte, em alguns momentos, tem forte influência no andamento das partidas. Mesmo assim, gostei bastante de me aventurar no mundo de Hand of Fate 2 com suas belas cartas e seu narrador misterioso.

Versão utilizada para análise: PS4

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2 comentários em “Análise: Hand of Fate 2 (PS4/PC)”

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