Resenha: Perdido em Marte, de Andy Weir

“Nem sei quem vai ler isto. Acho que alguém vai acabar encontrando. Talvez daqui a cem anos.
Que fique registrado: não morri em Sol 6. O restante da tripulação certamente achou que eu tivesse morrido, e não posso culpá-los. Talvez decretem um dia de luto nacional em minha homenagem e minha página na Wikipédia vá dizer: “Mark Watney foi o único ser humano que morreu em Marte.”
E, provavelmente, isso estará correto. Porque, sem dúvida, vou morrer aqui. Só que não em Sol 6, como todo mundo está achando.”

Marte é um planeta que emite uma aura de mistério, sendo fascínio da humanidade desde os tempos remotos. Sendo assim, é natural que ele seja o palco de várias tramas de ficção de todos os tipos. Perdido em Marte, como o nome sugere, é uma história de ficção científica sobre um astronauta que fica preso no planeta vermelho e faz de tudo para sobreviver. Com forte embasamento científico e praticamente nada de fantasia, esse livro me agradou principalmente por conta da trama interessante repleta de ótimos momentos.

Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável , ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá.

O que mais me chamou a atenção em Perdido em Marte é a premissa do astronauta deixado para trás nesse outro planeta. Como ele vai sobreviver nesse ambiente insípido? Será que ele conseguirá voltar para a Terra? Afinal tudo aponta para uma morte lenta e dolorosa. Fiquei o tempo todo me perguntando isso, intrigado. Mark Watney, porém, é bem humorado, otimista e muito criativo: aos trancos e barrancos ele vai resolvendo os problemas que aparecem. E nossa, me surpreendi com as situações complicadas que aparecem, mesmo que algumas sejam bem previsíveis.

É uma trama sobre sobrevivência, logo o foco é sempre nos acontecimentos. A todo momento surgem problemas e Mark tem que resolver de alguma maneira para não morrer — a leitura nunca ficou tediosa, pois o ritmo da narrativa é ágil. O protagonista e os outros vários personagens da trama são bem rasos e simples, porém não me senti incomodado dentro da proposta da história. Também precisei relevar algumas coisas para aproveitar bem o livro, como o fato do Mark ser extremamente criativo, calculista e calmo, sempre capaz de solucionar qualquer crise que aparecesse pela frente — mesmo as pessoas mais excepcionais dificilmente não enlouqueceriam diante tanta pressão.

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Algo que gostei é o fato de que Perdido em Marte conta com forte fundamentação científica, típico do gênero hard science fiction. Imagino que isso se justifique pelo fato de Andy Weir, o autor do livro, ser um profissional de TI, ou seja, alguém que procura um embasamento mais técnico. Todas as situações complicadas e suas resoluções parecem bem verossímeis por serem apoiadas em termos técnicos do mundo real — mesmo aquelas que tecnicamente são praticamente impossíveis de acontecer, como cultivar batatas em Marte. Para reforçar a ambientação, o autor explica as situações técnicas e usa muitos termos da NASA. É um recurso interessante, porém essas explanações, às vezes, são confusas ou complicadas para leigos, o que deixou a leitura meio chata em alguns momentos.

A combinação de ficção científica com base em ciência real, narrativa ágil e trama intrigante faz com que Perdido em Marte seja um ótimo livro. Sempre fiquei curioso para saber como Mark ia resolver os problemas que apareciam pelo caminho e se no fim das contas ele ia sobreviver ou não. É necessário deixar de lado algumas coisas para aproveitar completamente com a obra, como as capacidades excepcionais de Mark e a baixa profundidade dos personagens. No fim das contas, Perdido em Marte é uma ótima leitura de ficção científica.

“– Como deve ser? – perguntou. – Ele está perdido lá. Acha que está totalmente sozinho e que desistimos dele. Que tipo de efeito isso pode surtir no psicológico de um homem? – Em seguida, virou-se de novo para Venkat. – Fico me perguntando o que ele está pensando neste instante.
DIÁRIO DE BORDO: SOL 61 Por que o Aquaman consegue controlar baleias? Elas são mamíferos! Não faz sentido.”

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