Análise: Severed (Multi)

Severed me chamou a atenção por vários motivos. A nova aventura do estúdio Drinkbox (conhecido principalmente pelo ótimo Guacamelee!) conta com uma temática inusitada e sombria, aliada a mecânicas de jogo bem únicas. O resultado é uma experiência tensa e desconcertante, que é também viciante por conta de sua ação frenética. O título foi lançado inicialmente para Vita e depois chegou ao iOS, Wii U e 3DS.

Em Severed, controlamos Sasha. A jovem guerreira acorda em um mundo bizarro e surreal, em uma construção que parece ser sua casa. Explorando o local, ela encontra um espelho e, para para seu pavor, percebe que está sem um dos braços. A garota também tem uma visão de sua família sendo levada para algum lugar, mas ela não sabe exatamente onde ou o que aconteceu de fato. Ao convite de uma estranha criatura, que a oferece uma espada inusitada, ela parte em uma jornada para tentar recuperar sua família desaparecida. Sendo assim, Sasha explora um mundo repleto de horrores e desesperança para tentar reaver o que é importante para ela.

Navegando pelo pesadelo

Uma das minhas características preferidas no jogo é sua ambientação. O lugar no qual a guerreira procura a sua família é estranho e bizarro, repleto de criaturas e construções desconcertantes. A direção de arte simples, porém única, em combinação com a trilha sonora intensa complementam a ambientação. A atmosfera é pesada, contudo funciona perfeitamente bem com a proposta da aventura.

Eu me senti tenso e angustiado ao explorar as regiões e fui movido principalmente pela curiosidade — Que lugar é esse? Quem são essas coisas bizarras? E o que de fato aconteceu com Sasha e sua família? É incrível como Severed trabalha tão bem a protagonista, mesmo com pouquíssimo texto e cenas. Além disso, gostei muito do fato de que Sasha é uma garota bem durona: dificilmente eu iria explorar um mundo bizarro se eu estivesse na pele dela, ainda mais depois de perder um braço e minha família. Gostei, também, como a aparência da garota muda conforme a aventura: partes dos inimigos transformam-se em uma armadura grotesca para ela, parece até que Sasha vai aos poucos perdendo sua sanidade e humanidade. A trama é enigmática e repleta de pontas soltas, mas gostei muito da temática e da reflexão de como lidar com a perda de coisas preciosas para nós.

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Na pele da guerreira

Em sua essência, Severed é um dungeon crawler em primeira pessoa. Controlamos a jovem Sasha por florestas, cavernas, ruínas e outros lugares de organização complexa. Pelo caminho, há alguns puzzles simples de resolver, muita exploração e, claro, combates. Toda a interação, como ativar alavancas e cortar obstáculos é feita pela tela sensível a toque. Existem vários segredos espalhados pelo mundo e alguns deles só podem ser acessados após adquirir habilidades específicas. A sensação é de realmente estar na pele de Sasha.

Algo que eu acredito que podia ter sido melhor trabalhado era a parte da exploração e puzzles. Os mapas são imensos e têm vários segredos, mas não há muito o que ver e procurar na maioria das salas, o que significa alguns momentos só andando de um lugar para o outro. Os puzzles, em sua maioria, são bem simples, fáceis de resolver e sem muita inspiração — são tarefas como ativar alavancas na sequência correta ou alcançar uma porta antes que ela se feche. Já que toda interação é feita via tela de toque, acredito era possível criar alguns puzzles mais elaborados se valendo desse recurso.

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Fúria e puzzles nas batalhas

Os combates foram os meus momentos favoritos de Severed. Em uma primeira olhada ele parece simples e bobo, contudo várias nuances o deixa bem interessante. Os monstros ocupam toda a tela e Sasha ataca com sua espada: para isso, basta riscar a tela na direção desejada. O tamanho do risco determina também o dano, ou seja, cortes mais longos são bem mais poderosos do que golpes curtos. Por fim, é possível aparar golpes dos inimigos ao riscar em direção ao ataque no momento certo — observar padrões de movimento dos oponentes é essencial para sobreviver.

A garota também tem à disposição um ataque especial que permite desmembrar inimigos. Para ativá-lo, é necessário preencher uma barra de Foco e depois matar o monstro. O detalhe é que o Foco enche mais rápido ao acertar golpes em sequência sem errar e sem ser atacado. Sendo assim, é importante ser preciso e ágil para conseguir desmembrar os oponentes. Eu achei essa mecânica muito recompensadora: é muito legal se sair muito bem no combate e finalizar tudo cortando braços e asas dos monstros bizarros. Usar esse recurso é essencial, pois os membros cortados servem para liberar melhorias de combate para a garota. Não fica claro no jogo, mas sempre fiquei pensando “nossa, ela come essas coisas estranhas para ficar mais forte”… Sasha é realmente durona.

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As mecânicas de combate são fáceis de entender e dominar, mas isso não significa que as coisas são tranquilas. Pelo contrário: os monstros atacam em grupo e é raríssimo enfrentar um único inimigo. Sasha só consegue atacar um oponente de cada vez, sendo assim você precisa ficar alternando entre eles, golpeando e defendendo rapidamente. Conforme avançamos na aventura, a guerreira aprende novas técnicas, o que dá mais opções de estratégias. Aparecem também vários novos inimigos, e alguns já conhecidos ganham ataques novos e reforços mágicos, o que te força a adaptar sempre as estratégias. Há muita variedade nos combates de Severed.

Combine isso com padrões de ataques, a mecânica de desmembramento e os vários outros detalhes que vão aparecendo conforme se avança na aventura e o resultado são confrontos muito frenéticos e tensos. Às vezes as situações de batalha são tão complexas que o próprio combate vira uma espécie de puzzle: você precisa pensar com cuidado quem atacar e que golpes utilizar para não morrer rapidamente. Foram várias as vezes em que morri para grupos de monstros poderosos, mas nunca pareceu injusto — só me faltou técnica. E prepare-se para momentos muito intensos: em algumas batalhas, meu dedo esquentou a ponto de quase queimar, literalmente, de tanto riscar a tela loucamente bem rápido para tentar sobreviver.

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Uma aventura sombria e tensa

Mal consegui largar Severed depois de começar a jogar. A ambientação é ótima, gostei muito de me perder nesse mundo angustiante em busca da família de Sasha. Como dungeon crawler ele é competente, por mais que eu gostaria que a exploração e os puzzles fossem um pouco mais elaborados. Já os combates são intensos, complexos e frenéticos, sempre surpreendendo com as várias novidades que aparecem durante a aventura — e, claro, pela presença da recompensadora mecânica de desmembramento. A combinação de tantos conceitos diferentes torna Severed incrível.

Versão utilizada para análise: PS Vita

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Um comentário em “Análise: Severed (Multi)”

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