Análise: Kingdom (PC)

Um dos meus tipos favoritos de jogos é aquele no qual eu me perco completamente na experiência e não vejo o tempo passando. Kingdom, um título independente para PC, tem esse efeito sobre mim. O jogo, que é uma espécie de estratégia minimalista, me cativou com sua ideia simples, execução elegante e excelente ambientação.

Kingdom é, na verdade, uma versão melhorada de um jogo para browsers feito em Flash. Lembro-me que gostei muito quando joguei, mas nunca imaginei que ele fosse virar um título mais completo.

Dia 1: Iniciei o meu império

Em Kingdom assumimos o papel de um rei ou rainha e tentamos construir um novo reino. Para isso, é necessário administrar um pequeno acampamento, que aos poucos vai se tornando uma espécie de fortaleza. O monarca inicia a aventura de posse de algumas moedas, mas isso é o suficiente para iniciar o império: é usando esse dinheiro que contratamos trabalhadores e expandimos as estruturas. Toda a ação se passa em um plano de duas dimensões e você precisa se locomover a todo momento.

kingdom-01.png

A jogabilidade é toda centrada nas moedas. Na verdade, o rei só tem acesso a dois movimentos: andar montado no cavalo e utilizar moedas. Para se dar bem, é importante administrar bem o dinheiro, pois você não tem controle direto sobre as ações de seus súditos. Precisa de um arqueiro? Contrate um andarilho ao custo de uma moeda e produza um arco por duas, feito isso o súdito automaticamente pegará o objeto e passará a caçar coelhos (que, naturalmente, rendem moedas ao rei). Quer construir um muro? Gaste uma moeda que um trabalhador automaticamente construirá a estrutura. O dinheiro comanda tudo nesse reino. Kingdom prefere focar em poucos aspectos comumente explorados em jogos de estratégia.

Dia 7: Defendi minha vila e explorei as redondezas

Administrar um império dando ordens não é fácil, mas o pior acontece quando a luz do dia acaba. Durante a noite, a vila é atacada por estranhas criaturas nefastas. Elas vão fazer de tudo para roubar os objetos de valor, como moedas e ferramentas. Mas os monstros têm interesse especial pela coroa do nosso monarca — perdê-la significa o fim da partida, afinal “sem coroa não há rei”. Sendo assim, durante as noites, o objetivo é sobreviver e derrotar todos os monstros.

kingdom-02.png

É nesse momento que aparece o aspecto tower defense. Você pode construir barreiras que impedem o avanço das criaturas e pode posicionar arqueiros para abatê-las. Também existe a possibilidade de construir catapultas, perfeitas para derrotar muitos monstros ao mesmo tempo. Acontece que as mecânicas simples deixam as coisas um pouquinho frustrantes: você não tem controle direto sobre os personagens e pode acontecer de eles se concentrarem em um único ponto da vila, deixando a outra extremidade completamente desprotegida. Esse sentimento vai ficando mais intenso conforme se avança na aventura, pois a quantidade de monstros só aumenta a cada dia sobrevivido.

Além de administrar e defender o seu reino, o monarca pode explorar as redondezas. Nas florestas e planícies próximas, é possível encontrar cervos (que rendem uma grande quantidade de dinheiro caso sejam abatidos), andarilhos e até mesmo ruínas misteriosas que concedem vantagens. Não existe muito para ver, mas mesmo assim é divertido visitar esses lugares.

kingdom-03

Dia 16: Extasiei-me nesse belo mundo

É fácil perceber que Kingdom é extremamente simples: são poucos comandos e não há muito o que fazer. Mas o maior trunfo do jogo é justamente a mistura dessas características com a imersão e as sutis camadas de complexidade.

Confesso que gastei muito tempo das minhas partidas somente cavalgando e observando o mundo. O motivo disso é a belíssima ambientação de Kingdom. O visual do jogo é todo feito em pixelart, estilo esse que eu adoro, e pode parecer nada de mais em um primeiro momento. Mas bastam alguns minutos para você perceber que tudo é extremamente detalhado, como o movimento das árvores e animais selvagens, as nuvens passando pelo céu, a luz emanada da tocha do rei no meio da escuridão, o reflexo na água. A passagem do tempo é minha característica favorita: o céu passa de um azul límpido para um belíssimo por do sol em minutos; a chuva muda a paisagem por conta de suas nuvens carregadas e relâmpagos; o luar dá um ar misterioso às noites.

kingdom-04.png

Outro ponto que gostei muitíssimo é o ótimo trabalho de áudio. Na maior parte do tempo só ouvimos sons do ambiente, como o farfalhar das folhas ao vento e o barulho da chuva — todos eles soam bem naturais e combinam perfeitamente com os gráficos. Em alguns momentos aparecem também algumas músicas, que ajudam a construir ainda mais o mundo de Kingdom: algumas são bem suaves, outras são bem tensas e misteriosas. A sensação é realmente estar explorando um mundo tranquilo, mas repleto de perigos e enigmas.

Dia 22: Entendi as nuances de um reino

Nas primeiras partidas, Kingdom pode ser bem difícil e frustrante. Eu mesmo me deixei enganar pela suposta simplicidade de tudo e fui fazendo o que me dava na telha, sem planejamento algum. Acontece que a quantidade de inimigos só aumenta e fica bem difícil sobreviver — várias e várias noites minha vila foi quase que completamente saqueada. Conforme mais dias passavam, mais impossível era administrar meu império por conta da falta de recursos. Chegou um momento que não consegui sobreviver: os monstros destruíram tudo e minha coroa foi roubada, o que marcou o fim do meu império.

kingdom-05.png

Comecei um novo reino e, dessa vez, fui mais cuidadoso e atento. Percebi, então, que existe complexidade em Kingdom e que dominar isso é importante para sobreviver. Aprendi a priorizar o uso do meu dinheiro, explorei melhor os arredores, ajudei meus arqueiros nas caçadas, entendi as nuances dos sistemas. Não foi fácil, pois o jogo não dá muitas informações e detalhes, é necessária atenção e muita experimentação. Depois de algumas partidas eu já sabia melhor como funcionavam as coisas e até consegui destruir um dos portais que os monstros usam para atacar minha vila.

Depois de tudo isso, percebi que o maior problema de Kingdom é a falta de variedade de situações. O ciclo de jogo é sempre o mesmo: exploração e administração durante o dia, defesa da vila durante a noite. Existem algumas pequenas coisas para tentar deixar algumas coisas diferentes, como ondas com mais monstros, os cenários gerados aleatoriamente e as conquistas do Steam, mas sinto que não são suficientes para diminuir a repetição. Seria legal ter objetivos alternativos ou até mesmo mais opções de estruturas e classes de personagens.

kingdom-06.png

Dia 45: Continuo tentando ser um bom rei

Kingdom é uma experiência imersiva. É muito bom explorar esse belo mundo repleto de possibilidades, seja somente observando o cenário, seja expandindo o próprio império. A jogabilidade é fácil de aprender, mas dominar todas as nuances dos sistemas demanda atenção — não ficar atento é sinônimo de derrota e frustração. De negativo temos o fato de que não há muita variedade de situações, por mais que os desenvolvedores têm adicionado pequenas novidades constantemente. Mesmo assim, recomendo fortemente Kingdom: é difícil não querer construir um império nesse mundo.

Anúncios

3 comentários em “Análise: Kingdom (PC)”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s