Análise: Curses ‘N Chaos (PC)

Derrote monstros e tente sobreviver nesse título indie que resgata experiências de arcades.

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Foi-se o tempo em que os jogos eram simples e proporcionavam jogabilidade bem contida — a tendência, hoje, é trazer sistemas complexos e muita variedade de conteúdo. Curses ‘N Chaos, um título indie para PlayStation 4, PS Vita e PC, resgata a sensação de alguns jogos do passado com leves toques de modernidade. O objetivo aqui é simplesmente derrotar todos os monstros que aparecem pelo caminho, em uma experiência que remete aos saudosos arcades. Mesmo com as limitações, o título é bem divertido.

Uma terrível maldição

Um rei ficou louco e está conjurando monstros que espalham o caos pelo reino. Todo mundo vive com medo, até que Lea e Leo, uma dupla de caçadores de recompensas, aparece. Os lutadores decidem enfrentar o rei, mas sofrem uma maldição terrível: a Morte e inúmeros monstros passam a persegui-los, não importa aonde eles vão. Tudo parece perdido, até aparecer a alquimista Allison. Ela afirma que uma poção mágica chamada “Elixir da Vida” pode remover a maldição. Sendo assim, a dupla vai atrás dos ingredientes para conseguir produzir o elixir.


E como conseguir tais ingredientes? Derrotando monstros, claro. A jogabilidade do título consiste em enfrentar e superar várias ondas de criaturas malignas, em uma espécie de arena. Lea e Leo atacam com socos, chutes e inúmeras armas deixadas pelos inimigos. Cada estágio consiste em uma única tela, com um chefe poderoso no final.

Simplicidade desafiante

Curses ‘N Chaos tem mecânicas bem simples. Os protagonistas têm à disposição poucos movimentos: socos quando se está no solo, chutes durante saltos e um botão dedicado à corrida. Com isso, é fácil entender tudo e sair batendo nos monstros. Mas, rapidamente, as coisas ficam complicadas: a quantidade de inimigos na tela aumenta e fica difícil sobreviver se não ficar atento a tudo — dominar os movimentos dos heróis se torna essencial. Para completar, existe um limite de tempo para derrotar uma onda de monstros — caso o tempo acabe, a própria Morte aparece para acabar com os protagonistas.

Por sorte, os inimigos derrotados deixam vários itens. Alguns monstros deixam coisas como maçãs e comidas, que recuperam a energia dos heróis. Já a maioria dos inimigos provê várias armas, como bombas, flechas e vários outros objetos ofensivos. Cada armamento tem uso bem distinto e deixa a partida mais divertida e estratégica. É possível guardar um item para ser usado em momentos de maior necessidade. O jogo conta também com um multiplayer local e online para duas pessoas, o que deixa as coisas ainda mais frenéticas e até mesmo mais difíceis, já que os jogadores compartilham as vidas entre si.

Fora das fases, é possível comprar itens e combiná-los com a ajuda da alquimista Allison. É uma tentativa de trazer mais variedade ao título, mas, na verdade, o sistema de mistura de itens é bem limitado e simples — usei o serviço pouquíssimas vezes. Só é possível levar um item por personagem para as fases, o que reduz ainda mais a utilidade desse recurso.

Fazendo combos e dançando

Curses ‘N Chaos é desafiante no início, mas pode se tornar fácil depois de algumas partidas, pois você logo domina os comandos e passa a entender os padrões de ataques dos inimigos — acredite, entender como os monstros se movimentam e atacam é essencial para sobreviver. Foi depois disso que entendi que o real desafio do jogo não é somente sobreviver, mas sim fazer uma boa pontuação, como em vários clássicos dos arcades.

A mecânica é bem simples: cada inimigo derrotado aumenta o contador de combos. Quando um certo número de monstros é despachado para o além, a quantidade de pontos-base é multiplicada e os oponentes seguintes passam a deixar itens melhores. Mas, basta levar dano uma vez ou ficar muito tempo sem derrotar um inimigo para zerar o contador de combo. Sendo assim, é necessário ser ágil e rápido para conseguir boas pontuações. Manter o combo é uma tarefa complicada por conta da grande quantidade de inimigos, principalmente em níveis mais avançados.

Além disso, os heróis contam com um movimento curioso: ao segurar para baixo no direcional, o personagem começa a dançar. Essa ação dá pontos continuamente e é ótima para aumentar ainda mais a pontuação — sem contar também que é bem divertido ver seu herói dançando loucamente bem na frente dos inimigos e no meio do caos.

A simplicidade das mecânicas e a jogabilidade são, também, os maiores defeito de Curses ‘N Chaos. A pequena variedade de ataques faz com que as possibilidades de estratégia sejam bem pequenas. O fato de os estágios serem formados por uma única tela também podem deixar as coisas meio repetitivas depois de algum tempo, pois a ação consiste, basicamente, em derrotar inimigos. Não existem muitos incentivos para revisitar os estágios, a não ser que você esteja interessado em conseguir boas pontuações ou obter as conquistas e troféus. Contudo, o jogo se propõe justamente em ser uma experiência arcade sem muita complexidade — e isso ele faz muito bem.

Retrô moderno

Curses ‘N Chaos adota o popular visual pixel art, o que é bem comum em títulos independentes menores. A resolução é propositalmente mediana, mas tudo é bem animado, fluido e repleto de detalhes — destaque especial para os belos cenários. O resultado final é um visual bem charmoso e legal, que me trouxe a agradável sensação de estar jogando um título de Game Boy Color. A música também segue uma linha retrô, com estilo chiptune e funciona muito bem no contexto do jogo: as composições são bem animadas e repletas de melodias agitadas e marcantes, combinando perfeitamente com a ação — a sensação é que a trilha sonora é uma mistura de clássico e moderno.

Infelizmente, o título conta com alguns bugs bem irritantes. Várias vezes meus personagens caíram para dentro do chão, sendo necessário pular muito para conseguir sair de lá. Em alguns momentos, os heróis, simplesmente, ficaram presos, o que impedia continuar a fase — a única solução era reiniciar o estágio. Para piorar, esses bugs aconteceram comigo justamente em lutas contra chefes, o que me forçava a recomeçar tudo desde o início.

Divertindo-se no caos

Curses ‘N Chaos é um título fácil de entender, mas difícil de dominar. Bastam alguns segundos para entender os comandos, contudo, é necessário jogar um bocado para conseguir avançar e alcançar boas pontuações. O visual e áudio seguem a simplicidade da jogabilidade e contam com gráficos pixelizados e composições no estilo chiptune, sendo ótimo o resultado. O jogo é realmente muito simples, o que limita estratégias e pode trazer a sensação de repetição. Se você procura uma experiência descomplicada, mas viciante e desafiante, não deixe de conferir Curses ‘N Chaos.

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