Análise: Galak-Z: The Dimensional (PS4)

Controle uma nave que se transforma em um robô e tente sobreviver aos perigos desse desafiante título indie.

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Quem viveu a infância na década de 90 deve lembrar de vários animes populares daquela época. Era tudo muito exagerado e intenso, principalmente as animações com temática espacial. Galak-Z: The Dimensional, um título indie para PlayStation 4 (e futuramente PC), usa justamente essa premissa de anime com robôs em batalhas intergalácticas para criar uma experiência única e intensa. Em uma primeira olhada, Galak-Z parece um simples jogo de navinha, mas ele se torna bem único por conta da presença de várias características interessantes.

Controlando uma nave que vira robô

O protagonista de Galak-Z é Adam “A-Tak” Takamoto, o último sobrevivente de um grupo que caiu em uma emboscada de um império alienígena. Por sorte, A-Tak encontra uma grande nave terráquea chamada Axellios, e com a ajuda da tripulação dela ele vai tentar arranjar uma maneira de voltar para a Terra. Para isso, o piloto tem que executar várias missões no espaço.

Galak-Z, a nave do protagonista, conta com controles que lembram o clássico Asteroids, sendo que a inércia afeta o movimento dela. Para derrotar os inimigos, a A-Tak conta com lasers e mísseis — esses últimos de uso limitado. Depois de algumas fases, a nave ganha a habilidade de se transformar em um robô, que conta com ataques de curta distância como uma espada e um gancho.

Cada modo do veículo é recomendado para situações diferentes. A nave é boa para ataques à distância e conta com um movimento de esquiva, o que a torna bem ágil. Já o robô é ideal para ataques próximos e seu gancho o permite lançar inimigos e objetos. É possível mudar de modo rapidamente e a qualquer momento, tornando tudo muito versátil. Cada um tem suas peculiaridades, conhecê-las é essencial para sobreviver. Melhorias podem ser encontradas nas fases ou compradas em uma loja e deixam as coisas mais interessantes — são equipamentos como tiros especiais ou upgrades para os propulsores.

Os controles, no começo, são estranhos e demoram um tempo para acostumar. Mas depois de dominados, tudo fica bem divertido. É muito recompensador fazer movimentos complexos, ao mesmo tempo em que se alterna entre nave e robô.

Roguelike espacial

Galak-Z emprega mecânicas do gênero roguelike. Sendo assim, os estágios da aventura são gerados proceduralmente e a morte é permanente. Seguindo a temática de anime, o jogo é estruturado em episódios (ou fases) e temporadas (conjunto de cinco estágios). Quando você é derrotado, é necessário recomeçar a aventura do primeiro episódio da temporada, o que pode ser muito frustrante para alguns jogadores. A estrutura das fases e as missões são diferentes toda vez que você joga, salvo os episódios finais de cada temporada.

Cada missão é bem simples: A-Tak tem que realizar alguma tarefa em estruturas que lembram labirintos como cavernas e naves abandonadas. Os objetivos consistem em trabalhos como derrotar um inimigo poderoso ou encontrar algum item, mas, na essência, é tudo extremamente parecido — basta chegar no local marcado no mapa. A geração automática de mapas é interessante, mas as fases geradas são muito parecidas entre si. Isso, somado ao fato de que não existe muita variedade visual nos cenários, pode deixar as coisas meio repetitivas depois de um tempo.

Como em muitos outros roguelikes, morrer é bem grave em Galak-Z. Ao ser derrotado, além de ter que recomeçar desde o início da temporada, você perde também todos os equipamentos encontrados. A progressão se dá por meio das Crash Coins e diagramas de equipamentos. Essas moedas, que são mais difíceis de encontrar que o dinheiro normal, podem ser trocadas por créditos no início de uma temporada. Ao estar de posse de cinco delas, é possível continuar um estágio após ser derrotado — mas todo seu equipamento estará escondido em algum lugar da fase, e será necessário encontrá-lo para recuperar tudo. Isso deixa as coisas ainda mais difíceis, pois é complicado navegar por fases repletas de inimigos poderosos com os armamentos básicos. Já os diagramas de equipamentos fazem com que as melhorias sejam desbloqueadas na loja, por mais que a seleção de itens disponíveis seja sempre aleatória.

Estratégia para sobreviver

Galak-Z é um jogo muito difícil. Isso acontece por conta da grande quantidade de inimigos e de sua agressividade: bastam alguns segundos de desatenção para ser cercado e derrotado. Para piorar, a energia e os mísseis da nave não são repostos ao passar de uma fase para outra — por sorte o veículo conta com escudos que se recarregam depois de um tempo sem levar dano.

Sendo assim, é necessário usar de estratégia para se dar bem. Sair atacando tudo que aparece pela frente é uma das opções, mas não é a melhor. Felizmente o jogo permite ser furtivo: é possível passar despercebido por alguns inimigos ou atacar de surpresa. Outra possibilidade é usar o cenário como vantagem: basta usar o gancho do robô para lançar caixas explosivas nos inimigos ou então lançá-los contra obstáculos.

Além dos humanos, o universo de Galak-Z é habitado por outras três facções: Imperials, Void Raiders e insetos. Acontece que eles brigam entre si, o que pode ser vantagem para você: ao invés de lutar contra todo mundo, atraia um grupo para perto de outro e espere que eles se matem.

De qualquer maneira, Galak-Z é um jogo que preza a habilidade do jogador. Se a pessoa for experiente e tiver perícia com os comandos e recursos do jogo, possivelmente ela não terá dificuldade alguma na aventura e até mesmo não será derrotada. Já aqueles que não atendem esses requisitos vão sofrer e morrer muito.

Jogando um anime

Uma das melhores características do jogo é a temática de anime de robô da década de 80. Os gráficos utilizam a técnica cell-shading, o que deixa o visual bem próximo das animações japonesas. Além disso, Galak-Z é repleto de referências, como a nave que se transforma em robô de maneira bem similar ao anime Macross e os mísseis que têm animação de disparo praticamente igual a outras animações do gênero espacial.

Algo bem legal é a presença constante de A-Tak no canto da tela: dá para observar as reações do personagem em relação à ação. O herói também interage com os inimigos e o resultado são diálogos clichês, mas divertidos — o meu preferido é o oponente admitindo que A-Tak é muito mais poderoso e habilidoso do que parece. A dublagem, em conjunto com a movimentação fluida e estilosa, tornam a experiência bem única. E bem, o visual da tela de opções é incrível: ela simula a interface de um velho aparelho video cassete, com direito a estática e tudo mais.

A experiência dentro do cockpit

Galak-Z é daqueles jogos que você começa odiando e depois não consegue mais largar. Confesso que no começo achei a jogabilidade imprecisa e a dificuldade injusta demais. Insisti, pois a temática era muito legal, e aos poucos as coisas foram fazendo sentido. Algum tempo depois eu dominei os comandos e conseguia fazer coisas malucas e impressionantes — é muito recompensador e legal alternar entre nave e robô e acabar com os inimigos. O combate é muito fluido e várias estratégias podem ser feitas. Gostei também da questão de que cada partida tem upgrades diferentes, eu tinha que me virar com o que aparecesse e isso deixava tudo bem único.

Quanto à dificuldade, eu demorei mais para entender. Perdi as contas das vezes que eu estava indo muito bem, praticamente terminando uma temporada, aí eu morria num piscar de olhos. Percebi, então, que meu problema era tratar Galak-Z como um jogo de ação, quando na verdade ele não é só isso. Passei a surpreender mais os inimigos, fazendo ataques precisos e fatais. Depois entendi que não precisava enfrentar todos os oponentes, sendo assim eu me esgueirava até meu objetivo sem ser visto. Sobrevivi mais e curti melhor a experiência, por mais que ainda fosse frustrante ser derrotado no último episódio de uma temporada.

O maior problema do jogo, para mim, é a sensação de repetição: os desenhos das fases são muito parecidos e as missões são praticamente iguais. Essa sensação fica ainda mais acentuada por conta da necessidade de jogar novamente as fases depois de morrer. Também faltou um pouco mais de sensação de evolução presente em outros roguelikes — a única coisa que é permanentemente desbloqueada são os equipamentos na loja. Por fim, os engasgos e quedas na taxa de quadros em momentos com muitos inimigos na tela irritam e atrapalham — fica ainda mais difícil escapar dos ataques dos oponentes nessas ocasiões. Felizmente a desenvolvedora já está ciente dos problemas de performance e até já liberou uma atualização que os reduz significativamente. Faltou também algum modo alternativo ou extras.

Uma aventura intensa e desafiante

Galak-Z é um título único e interessante. Jogá-lo é como participar de um anime de robôs, com direito a todo exagero do gênero e as intensidades das batalhas épicas. Mesmo com os problemas e morrendo muito, sempre queria jogar mais uma partida — eu ficava curioso pensando em que equipamentos eu iria encontrar e até quão longe eu conseguiria avançar. Isso, combinado com a ótima temática e o alto desafio, é o que torna Galak-Z uma experiência intensa e divertida.

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3 comentários em “Análise: Galak-Z: The Dimensional (PS4)”

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