Impressões: Final Fantasy Type-0 HD

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Final Fantasy Type-0 é um dos jogos mais falados do PSP. Idealizado como parte da série Fabula Nova Crystallis, o jogo compartilha o mesmo universo e conceito de Final Fantasy XIII e (do agora) Final Fantasy XV. Infelizmente o título nunca foi lançado no Ocidente, mas tudo mudou quando uma remasterização para PlayStation 4 e Xbox One foi anunciada em 2014. De nome Final Fantasy Type-0 HD, a nova versão conta com gráficos melhorados e algumas alterações na jogabilidade. Sempre me interessei pela versão de PSP, mas a língua era uma barreira. Como gosto muito de JRPGs, não deixei de conferir esse episódio alternativo da série Final Fantasy.

Para deixar o pacote mais atraente, a Square Enix decidiu incluir também Final Fantasy XV: Episode Duscae, uma demo do próximo jogo da série principal, nas primeiras cópias da remasterização — muita gente só comprou o Type-0 HD por conta da demo. Não sou desses, tinha interesse genuíno em Type-0, mas eu gostei muito da demo de Final Fantasy XV.

Final Fantasy Type-0 HD se passa em um mundo chamado Orience. Esse local é dividido em quatro nações, cada qual possuindo um cristal com poderes distintos — um tratado de paz evita conflitos. A harmonia é quebrada por Cid Aulstyne, um general da nação Milites que decide invadir os outros países. De posse de equipamentos bélicos que conseguem neutralizar o poder dos cristais, Cid domina rapidamente as nações de Lorica e Concordia. Mas as coisas mudam quando Milites tenta invadir Rubrum, o país restante: mesmo com os poderes do cristal sendo bloqueado por uma máquina, um grupo de jovens cadetes chamado Class Zero consegue utilizar magia. Depois de expulsar os invasores de Akademia, a base de operações da nação, o grupo vai ajudar Rubrum a acabar com a guerra.

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A jogabilidade consiste em formar grupos de três dos 14 membros da Class Zero e executar missões variadas. Como em todo bom JRPG, é possível comprar inúmeros equipamentos, aprender e evoluir feitiços e participar de várias atividades opcionais.

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Gostei

Temática: Orience é um mundo em guerra e logo no começo da aventura dá pra sentir o tom de Type-0: a cena de abertura é bem dramática, retratando os horrores da guerra com direito a morte e sangue. O conflito entre as nações é o tema principal de Type-0 HD e gostei muito disso, afinal sai do clichê “aventura para salvar o mundo da destruição” (por mais que até pode virar isso depois, não sei ainda, haha).

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Sistema de batalha: O combate de Type-0 HD é em tempo real e é muito interessante e frenético. Cada personagem tem a disposição ataques básicos de sua arma, técnicas especiais e feitiços. Em um primeiro momento pode parecer que basta atacar de qualquer jeito e pronto, mas Type-0 é muito brutal: bastam alguns momentos de distração para o seu herói morrer. Para se dar bem é importante abusar das técnicas chamadas Killsight e Killstrike. A primeira inflige grande quantidade de dano ao inimigo, enquanto a segunda o derrota instantaneamente. Para utilizá-las, é necessário focar a mira em um oponente e atacar no momento em que o marcador muda de cor — isso normalmente acontece quando o inimigo está prestes a desferir algum golpe. São técnicas poderosas e necessárias para sobreviver, mas perigosas — o herói ficará vulnerável caso você erre o timming. Como cada oponente tem padrões de ataque diferentes, é importante prestar atenção e atacar no momento certo. Gostei muito dessa situação de risco/recompensa do combate.

Variedade de personagens: Cada um dos 14 membros da Class Zero tem jogabilidade bem distinta e inúmeras habilidades diferentes para serem desbloqueadas. Até personagens que têm armas parecidas são bem únicos. Cater, por exemplo, é uma garota que usa uma arma mágica para atacar com vários tiros elementais e carregados. Já King usa duas pistolas e é bem diferente de Cater por ser mais ágil e ter técnicas focadas em atacar rápido. Gosto muito de ficar testando e variando os personagens, cada partida é bem única por conta disso.

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Desafio justo: Morrer é algo constante em Type-0 HD. Muitas e muitas vezes personagens meus foram derrotados por poucos golpes dos inimigos por conta da minha desatenção. Mas o desafio aqui não é daqueles roubados e que exigem grande quantidade de grinding: é preciso ficar atento e atacar nos momentos certos. Por conta do Killsight e Killstrike é possível até enfrentar missões mais difíceis sem ter o nível mínimo necessário. Mesmo que seja necessário treinar um pouco, o importante mesmo é jogar bem.

Estrutura em missões: Type-0 é todo estruturado em várias missões, o que é justificável por ter sido concebido inicialmente para um console portátil. Essas tarefas não costumam ser muito longas e duram no máximo meia hora. Eu gostei disso, pois assim posso dosar minhas partidas como acho melhor — nunca fui muito fã de ser obrigado a jogar longos trechos.

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Muito conteúdo: Além das missões principais, o jogo tem várias tarefas paralelas para serem feitas, como é de costume em JRPGs. São coisas como criar chocobos, participar de missões de estratégia e ajudar pessoas. O que eu achei legal é que o jogo tem mapa mundi repleto de segredos e lugares para visitar, com direito até aos infames encontros aleatórios. Além disso, várias cenas opcionais podem ser assistidas — elas ajudam a construir a personalidade dos protagonistas e expandem o universo do jogo. Achei curioso o sistema de horas: entre as missões, os membros da Class Zero dispõem de algumas horas para gastar e você precisa administrá-las. Conversar com alguém gasta duas horas, já sair da academia e explorar o mundo consome seis horas. Por conta disso, me parece que não é possível ver tudo em uma única partida — um incentivo para jogar novamente a aventura. De qualquer maneira, as missões opcionais são legais, mesmo sendo um pouco simples.

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Não gostei

Visual inconsistente: Type-0 HD é uma adaptação de um jogo de PSP, mas eu esperava um jogo mais bem trabalhado — isso por conta das várias entrevistas dos desenvolvedores que afirmavam que várias melhorias foram feitas na versão HD em relação a versão portátil. O visual não é de todo ruim e tem momentos ótimos, mas tem algumas decisões estranhas. O resultado é um título de visual inconsistente: algumas texturas e modelos são ótimos, já outros são horríveis (bem nível de PSone). É uma coisa meio estranha, pois tudo é misturado e a diferença fica bem aparente. Nunca vou esquecer um personagem que tinha a cabeça bem detalhada e modelada, enquanto o corpo era todo quadrado e com texturas de baixa resolução.

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Olha a textura pavorosa da parede…

Adaptação preguiçosa: O jogo sofre com as limitações originais do PSP. As áreas, por exemplo, são bem pequenas e simples. Telas de carregamento aparecem o tempo todo: ao ir de uma sala a outra, ao visitar diferentes áreas do mapa e até mesmo durante as cenas não interativas. A movimentação de personagens e NPCs também é estranha, fato esse bem aparente nas cenas. Eu entendo que é uma adaptação, mas acho uma pena não terem aproveitado o poder de processamento dos novos consoles para deixar a experiência ainda mais fluída.

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Câmera maluca: Prepare-se para ficar meio tonto jogando Type-0 HD. O motivo disso é a câmera do jogo, uma das mais estranhas que vi nos últimos tempos. Ela se move super rápido, pára de uma vez e não oferece controle de sensibilidade. Mas o maior problema mesmo é um efeito visual que borra tudo, menos o personagem, enquanto ela está em movimento: a aparência disso é legal e é ótimo para mascarar alguns problemas gráficos do jogo, mas acaba que isso me deixa desorientado na maioria das vezes. Depois de um tempo eu até me acostumei com esse mundo borrado — por sorte não é necessário ajustar demais a câmera durante as partidas.

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Final Fantasy Type-0 HD é um ótimo jogo. Gostei muito do combate e ambientação, é muito divertido explorar o mundo de Orience na companhia dos membros da Class Zero. Não é uma adaptação feita com cuidado e o título tem problemas no visual e câmera, mas eu rapidamente me esqueci desses detalhes por conta da jogabilidade. E o melhor é que uma sequência já está sendo planejada — fico imaginando como será interessante um novo título dessa série especialmente pensado para os novos consoles. Fãs de JRPGs e da série da Square Enix não podem deixar de conferir Final Fantasy Type-0 HD.

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