Prince of Thorns, de Mark Lawrence

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“Por muitíssimo tempo, não estudei nada além da vingança. Construí minha primeira câmara de torturas nos recantos escuros da imaginação. Deitado sobre lençóis que eu não havia encontrado antes, portas que até mesmo uma criança de nove anos sabe que não devem ser abertas. Portas que nunca se fecharam novamente.
Eu escancarei essas portas” (pág. 35)

Nas minhas buscas por ficção de fantasia, acabei topando em Prince of Thorns. A premissa de um príncipe buscando vingança em um mundo meio medieval não é lá muito original, mas todo canto falava que era uma história interessante por conta da brutalidade e do fato do protagonista ser meio que um anti-herói. Fiquei meio na dúvida por conta de algumas críticas bem negativas, entretanto acabei me arriscando mesmo assim e me diverti.

Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de o seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família, nem tampouco fugir do horror. Jogado à sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma.
O príncipe dos espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.

A trama de Prince of Thorns gira em torno de um desejo de vingança, algo que eu já vi várias vezes em outras histórias e mídias, mas isso não deixou de ser interessante nessa obra. O principal motivo disso é o protagonista, o príncipe Jorg Ancrath: ele é anti-herói, extremamente cruel (mesmo sendo extremamente jovem — ele tem somente 14 anos no início da história) e tem uma personalidade forte e determinada. Na maior parte do tempo, Jorg é egoísta e faz o que for preciso para alcançar seus objetivos, não importando se para isso ele precise matar inocentes ou até mesmo confrontar reis e lordes. Confesso que eu não aprovava completamente as ações de Jorg, mas lá no fundo eu torcia para que ele tivesse sucesso em suas empreitadas. A escrita em primeira pessoa reforça essa sensação.

Outra questão interessante em Prince of Thorns é o universo da história. Em um primeiro momento, parece que a trama se passa em uma região em guerra repleta de conflitos, de tema medieval. Mas, pouco a pouco, referências ao nosso mundo aparecem, como filósofos e regiões. Infere-se que na verdade a história de Jorg se passa em um futuro distante, no qual o mundo foi drasticamente alterado por conta de algum acontecimento — tudo indica que houve uma espécie de guerra nuclear. É muito interessante ver algumas pontinhas de tecnologia na história e como ela afeta esse novo mundo.

“Memórias são coisas perigosas. Você pode revirá-las sem parar, até conhecer cada cantinho delas, mas ainda assim acaba encontrando uma aresta e se cortando.” (pág. 256)

A narrativa do livro é em primeira pessoa e flui bem, é interessante acompanhar os pensamentos e reflexões de Jorg. O texto é pesado, repleto de cenas de violência forte e vocabulário de baixo calão. Mas o desenvolvimento da história em si deixa um pouco a desejar. É meio confuso, num primeiro momento, entender o que realmente Jorg está fazendo e quais são as suas motivações, parece que suas ações são meio aleatórias. Flashbacks e explicações ajudam a deixar isso um pouco mais claro, mas parece que o autor não sabia muito bem o que queria fazer com a trama em alguns momentos. Enigmas e questões importantes também não são muito bem explicadas, o que me deixou confuso — imagino que tudo seja explicado melhor nas continuações. A presença de vários deus ex machina me deixou um pouco decepcionado, pois muitos momentos se resolveram ao acaso por conta das coincidências. Eu também gostaria que os personagens secundários tivessem recebido mais atenção, Jorg é o único personagem que é bem desenvolvido na trama.

Algo digno de nota é a qualidade dessa edição. O livro é em capa dura e conta com um material meio aveludado ao toque, só vendo ao vivo para entender. A editora também teve cuidado no miolo do livro, que conta com papel de aspecto levemente envelhecido, algumas páginas completamente pretas e detalhes no começo dos capítulos. O resultado é um livro muito bonito. Só não entendi muito bem a decisão de manter o nome em inglês, talvez para tentar atrair fãs da série As Crônicas de Gelo e Fogo, que é mais conhecida como “Game of Thrones” no Brasil?

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Eu gostei de Prince of Thorns. Jorg é um protagonista bem pensado, mesmo sendo cruel — foi complicado torcer por alguém tão maligno. Outro ponto legal é o mundo da trama, torço para que seja mais desenvolvido nos livros seguintes. Os defeitos ficam por conta da história um pouco confusa e meio sem foco, dos personagens secundários que são mal desenvolvidos e das várias pontas. De qualquer maneira, quero conferir os livros seguintes para saber como termina a história de Jorg. Prince of Thorns é para aqueles que gostam de fantasia, mas que não se importam com brutalidade e carnificina.

“Que foi? Não se atreva a falar dos inocentes. Sir Makin de Trent já passou há muito tempo do ponto em que podia ser um herói defendendo serviçais e bebês.” Minha raiva emergia não apenas das dúvidas de Makin. “Não existem inocentes. Existe o sucesso e existe o fracasso. Quem é você para me dizer o que pode ser posto em jogo? Não nos deram as cartas para vencer este jogo, mas eu hei de vencê-lo ainda que Nosso Senhor interfira!” (pág. 262)

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