Análise: TowerFall Ascension (PC) resgata a magia do multiplayer local

Títulos independentes costumam surpreender com conceitos não muito usuais, sendo alguns exemplos o inusitado “simulador de funcionário de fronteira” Papers, Please! (PC) e a aventura de vários descendentes em Rogue Legacy (PC). É nessa tendência que podemos encaixar TowerFall Ascension: o jogo é uma mistura de shooter, plataforma e luta, repleto de elementos interessantes e com um forte apelo para o multiplayer local. O resultado da junção desses estilos é uma experiência muito divertida e uma perfeita desculpa para convidar amigos para jogatinas.

TowerFall apareceu originalmente no console OUYA e só apresentava o modo Versus para até quatro jogadores. A nova versão, que recebeu o subtítulo “Ascension”, apresenta várias novidades e foi lançada também para PC e PS4: além de personagens, estágios e power ups não presentes no original, Ascension traz inéditos modos para um único jogador. Criado pelo canadense Matt Thorson, a produção do jogo contou também com a participação dos brasileiros Amora e Santo do MiniBoss, estúdio que trabalhou em títulos como Deep Dungeons of Doom (iOS/Android).

Encarnando arqueiros acrobáticos

Em TowerFall Ascension, o jogador assume a pele de um arqueiro. O objetivo é simples: derrotar os oponentes e inimigos, por meio de flechas ou pulando em suas cabeças. Cada disparo tem que ser pensado com cuidado, pois cada personagem só é capaz de guardar um pequeno número de projéteis. Felizmente a munição não some da área de jogo e fica presa em paredes e corpos inimigos, sendo possível recuperá-la a qualquer momento. Por conta dessa mecânica, é importante disparar flechas cautelosamente e correr para adquiri-las novamente antes dos inimigos.Power ups como escudos, asas e flechas especiais — explosivas, que criam espinhos, brocas, entre outras — estão espalhados pelos estágios.

Outra característica dos arqueiros é a grande agilidade: eles conseguem pular pelas paredes e podem executar uma investida no solo ou ar. Este último movimento é crucial, pois funciona como esquiva e é também uma maneira de alcançar plataformas mais altas. A investida tem outra propriedade importantíssima: se utilizada no momento correto, é possível tomar para si flechas disparadas pelos oponentes. Dominar esta técnica é essencial, já que um único golpe resulta em morte. Os controles precisos e os movimentos simples tornam TowerFall Ascension um game fácil de aprender a jogar.

Combates intensos e dinâmicos entre amigos

Depois de aprender as mecânicas básicas, é hora de chamar os amigos e se aventurar no foco principal de TowerFall Ascension: o modo Versus, que consiste em multiplayer local para até quatro jogadores. As batalhas são imprevisíveis, rápidas e dinâmicas, sendo praticamente impossível não vibrar, rir e se surpreender com as inúmeras situações inusitadas. Por conta da facilidade em aprender os comandos básicos, em poucos minutos todos os participantes já estão correndo pelo cenário, esquivando ataques, pegando flechas no meio do ar e fazendo movimentos impressionantes. E todos esses momentos podem ser guardados com facilidade: é possível transformar os últimos segundos dos combates em gifs animados e compartilhar na internet.

 

A variedade de opções de customização é enorme. Quer um combate bem bagunçado? Ative a opção na qual todos participantes iniciam a batalha com lasers ricocheteantes. Não quer saber de flechas? Desligue os projéteis, transformando o combate em uma disputa de quem consegue pisar na cabeça do outro primeiro. Quer mais estratégia? Use a regra que mata o jogador que tentar atirar sem ter flechas. Estes são só alguns poucos exemplos de como alterar as regras dos combates. Essa variedade, combinada com os inusitados estágios e os desbloqueáveis, faz com que cada partida seja bem diferente da outra, tornando bem alto o fator replay.

Esse modo tem um único defeito: não existe a possibilidade de incluir personagens controlados pelo computador. Com a ausência dessa opção, é impossível jogar este modo sozinho ou completar a quantidade de competidores em uma partida. Outro problema é a dificuldade de alterar os botões e teclas: é necessário abrir um arquivo de configuração e fazer manualmente as modificações. Felizmente esses problemas com os comandos estão sendo resolvidos em atualizações.

Missões e desafios solo

TowerFall Ascension foi concebido como uma experiência para vários jogadores, mas o título também oferece diversão para somente uma pessoa por meio de modos solo. Na modalidade Quest, até dois arqueiros têm de sobreviver a ondas de inimigos, avançando por vários estágios. Prepare-se para morrer muito: a dificuldade é alta e os inimigos são implacáveis — eles esquivam, realizam ataques furtivos e dão muito trabalho. Este modo é perfeito para entender as mecânicas básicas do jogo e se preparar para o multiplayer. Já o Trials consiste em uma série de desafios cujo objetivo é eliminar alvos no menor tempo possível. Conseguir bater os tempos é bem trabalhoso e exige grande domínio das técnicas dos arqueiros. Estes modos são bem legais e é possível gastar inúmeras horas neles, mas eles nem se comparam com a complexidade e diversão do multiplayer.

Beleza pixelizada

TowerFall Ascension era, inicialmente, o projeto de um único desenvolvedor. Por conta disso, ele decidiu utilizar o estilo pixelart no jogo, tendo como resultado um título belo de se ver. Além disso, é impressionante a atenção aos detalhes: flechas pegam fogo ao passar por tochas, iluminando ambientes escuros; arqueiros perdem o acessório da cabeça — como chapéus, capuzes e coroas — quando projéteis passam de raspão; corpos permanecem fincados nas paredes por flechas; lustres e outros objetos caem ao serem atingidos. A ambientação é complementada com a excelente música de Alec Holowka, que trabalhou em outros títulos indies como Aquaria (PC/iOS/Android).

Um multiplayer para curtir de perto

Em uma era na qual a modalidade online é regra, alguns podem achar antiquado chamar amigos para partidas locais. Mas acredite, o esforço de juntar pessoas e controles e depois ligar o PC ou notebook na TV vale a pena. TowerFall Ascension resgata um pouco aquela sensação boa muito comum no passado, em que jogar era uma atividade social, divertida e descompromissada. Bastam alguns minutos para perceber que a experiência do jogo não seria a mesma se o multiplayer fosse online. As mecânicas simples e precisas, o esmero com o visual e som e as inúmeras opções de customização só reforçam a qualidade do título. O modo solo é competente e desafiante, mas a real diversão está no multiplayer. TowerFall Ascension é um ótimo motivo para pedir uma pizza, chamar os amigos e virar a noite em batalhas incessantes e imprevisíveis.

towerfall-art

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Publicado originalmente no GameBlast

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4 comentários em “Análise: TowerFall Ascension (PC) resgata a magia do multiplayer local”

  1. Fantástica sua analise! Realmente e um indie inovador, nessa nova onda de indies que vem saindo alguns são tão super fulos a ponto de dar nojo. Os brasileiros do miniboss também lançaram o game Out there somewhere, vale a pena conferir!

    1. Realmente, o termo “indie” tá muito em alta e nem sempre é aliado a qualidade.

      Sim, conheço o Out There Somewhere, mas não tive oportunidade de jogar ainda… Joguei muito foi o Deep Dungeons of Doom pra iOS/Android, o pessoal do Miniboss também trabalhou nele, recomendo muito 🙂

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