Impressões: Bravely Default Collector’s Edition (3DS)

Desde a época do SNES eu gostei de RPGs, adorava me perder nesses mundos fantásticos e imersivos. Perdi incontáveis horas em combates por turnos e em tramas cujo o objetivo era salvar o mundo. Quase trinta anos depois, não é muito comum encontrar um título desse gênero que ainda utilize um sistema de batalha por turnos e que remeta às aventuras clássicas. Eis que surge Bravely Default, um novo RPG da Square Enix para 3DS. O jogo de nome estranho resgata mecânicas do passado, adicionando também vários conceitos modernos. Em um primeiro momento não dei muita atenção, mas conforme detalhes foram sendo liberados eu me interessei mais e mais. O fato decisivo foi a demo do jogo, gastei mais de cinco horas nela. Depois disso me rendi aos encantos de Bravely Default.

Bravely Default, que, inicialmente, era para ser uma continuação de Final Fantasy: The 4 Warriors of Light (DS), mostra a jornada de um grupo de heróis que tem como tarefa restaurar o equilíbrio do mundo. Características clássicas estão presentes no jogo: batalhas por turnos, encontros aleatórios, mapa-múndi, trama envolvendo cristais elementais; praticamente um Final Fantasy. Mas mesmo sendo por turnos, o combate apresenta um sistema novo que permite montar várias estratégias interessantes, além de varias outras “mordenizações” pelo jogo. O título oferece também muita customização, o que o torna acessível até mesmo para quem não gosta muito do gênero.

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Gostei

bravely_01Direção de arte: Bravely Default tem uma excelente direção de arte. As cidades parecem ter sido pintadas à mão, como se fosse uma aquarela. Os cenários e calabouços também são belos e combinam bem com a proposta de jogo, mesmo que eles sejam um pouco vazios. Tudo isso é complementado por ótimas artes de autoria de Akihiko Yoshida, que trabalhou em títulos como Final Fantasy Tactics e Tactics Ogre;

Trilha sonora: Eu gosto muito de trilhas sonoras de jogos e posso dizer com tranquilidade que a música de Bravely Default está na minha lista de favoritas de todos os tempos. Ao invés de tradicionalmente chamar algum musicista consagrado do mundo dos jogos, a Square Enix contratou o artista japonês Revo para criar a música do título. O compositor, que é conhecido no Japão pela sua eclética banda Sound Horizon, criou uma trilha sonora rica e interessante. A música de Bravely Defaul passeia por inúmeros estilos, abusando de inúmeros instrumentos como piano, violino, guitarra e acordeão. Tudo é muito bem pensado e as composições são muito memoráveis, fica até difícil escolher as melhores. Alguns destaques para mim: o energético tema de batalha Conflict’s Chime; a venturosa música do mapa-múndi Land of Light and Shadow; o tenso tema dos calabouços Infiltrating Hostile Territory; a suavidade de The Day the Wind Blew e a exótica mistura de Land of Glaze. A trilha sonora de Bravely Default é imperdível para amantes de game music.

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Sistema de batalha: RPGs com combates por turnos não são muito populares atualmente, provavelmente por conta da suposta falta de ação. Bravely Default resgata esse conceito, adicionando toques de modernidade. A novidade aqui é o sistema de Brave e Default que, resumidamente, permite acumular turnos para o futuro. É uma mecânica bem pensada e flexível, que permite montar inúmeras estratégias.

Desenvolvimento dos personagens por jobs: Jobs, o tradicional sistema de classes de alguns títulos da série Final Fantasy, também está presente em Bravely Default. Os heróis têm a disposição uma grande quantidade de jobs – sendo exemplos mago, ladrão, monge, vampiro e muitas outras -, cada qual com características e habilidades únicas que podem ser misturadas e combinadas entre si. As classes se desenvolvem individualmente, ou seja, não basta somente aumentar o nível dos personagens para se dar bem nos confrontos de Bravely Default. Montar várias estratégias é algo fácil de se fazer por conta das inúmeras habilidades disponíveis. Gostei também do fato de que a aparência dos personagens muda de acordo com o Job equipado;

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Party Chat: Claramente inspirado nas Skits da série Tales of, o Party Chat consiste em conversas opcionais entre os personagens. Estes diálogos costumam ser divertidos e ajudam a desenvolver a personalidade dos heróis.

Comunicação entre jogadores: É meio raro encontrar algum jogo de 3DS que utilize bem os recursos extras do portátil, como o StreetPass, de maneira significativa. Bravely Default, felizmente, faz ótimo uso das características de comunicação do console. Pessoas encontradas via StreetPass tornam-se trabalhadores na reconstrução da vila Norende, que oferece itens e equipamentos exclusivos. Quanto mais trabalhadores, mais rápido a vila será construída. Também é possível registrar amigos e utilizar habilidades adquiridas por eles, além de invocá-los em combate. Estes mesmos amigos podem compartilhar também chefes extras distribuídos gratuitamente por meio da Nintendo Network;

Flexibilidade de sistemas: RPGs clássicos da era do NES e SNES tinham algumas características em comum como necessidade de batalhar repetitivamente para treinar personagens (o conhecido grinding) e a ausência de flexibilidade em relação à frequência dos combates e dificuldade do jogo. Bravely Default se inspira justamente nesses RPGs clássicos, mas permite o jogador ditar o ritmo de jogo. Em um menu é possível fazer vários ajustes como alterar a taxa de encontros, dificuldade dos combates e até mesmo zerar a quantidade de experiência recebida ao fim dos confrontos. A velocidade do combate também pode ser alterada. Isso abre várias possibilidades e facilita coisas como voltar à uma cidade para recuperar o grupo (basta desligar as batalhas) ou treinar personagens (duplique a taxa de encontros e multiplique por quatro a velocidade da batalha).

Edição de colecionador: Assim como na Europa e Japão, o lançamento americano de Bravely Default contou também com uma “Collector’s Edition”. Essa edição de colecionador inclui vários extras legais: vários cartões de realidade aumentada que podem ser utilizados no jogo, um CD com algumas faixas da trilha sonora e um livreto recheado de belas artes conceituais. Todos estes itens vêm dentro de uma caixa maior e bem bonita. É uma edição bem legal, perfeita para fãs do título (como eu, haha).

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Não gostei

Simplicidade dos itens da edição de colecionador: Essa edição de colecionador é muito bela, mas o conteúdo deixou um pouco a desejar: o CD tem somente dez faixas, o livro de artes é pequeno (somente 32 páginas) e não tem capa dura e os AR Cards são de uso muito limitado e irrelevante. A simplicidade fica ainda mais aparente quando comparada às outras edições: na Europa o artbook tem capa dura, além de incluir também uma miniatura (pavorosa) da heroína Agnès; já o Japão recebeu uma edição bem mais completa (e mais cara).

Arte da capa americana: A localização ocidental de Bravely Default é baseada em Bravely Default: For The Sequel, versão melhorada do título lançada no final de 2013 no Japão. Além de várias alterações no jogo, a arte da capa é diferente – arte essa que eu particularmente acho bem mais bonita. Nas Américas, preferiram usar a arte (sem graça) da versão de 2012. Nintendo e Square Enix, podem me enviar já uma capa nova u.u

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Já fazia tempo que eu não me envolvia tanto em um jogo como em Bravely Default. O combate é divertido, o visual é ótimo, a música é incrível e os sistemas de jogo são interessantes. O resultado dessa mistura é um dos melhores RPGs de 3DS. Se gosta dos jogos do gênero, principalmente os mais clássicos, Bravely Default é uma excelente escolha.

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