Morte Súbita, de J.K. Rowling

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“Nascimento e morte: era a mesma consciência de existência iluminada e do destaque da sua própria importância. A notícia da morte súbita de Barry Fairbrother jazia no seu colo como um recém-nascido rechonchudo a ser exibido para todos os seus conhecidos. E ela seria a fonte, por ter sido a primeira, ou quase, a ficar sabendo.” (pág 20)

Foi por acaso que descobri a existência de Morte Súbita, primeira obra de J. K. Rowling depois de Harry Potter. Como apreciador da saga do jovem bruxo e do estilo literário de Rowling, fiquei muito curioso, afinal dessa vez a trama é direcionada a adultos. Mal sabendo do que o livro se tratava, fui conferir o novo trabalho da escritora inglesa.

Quando Barry Fairbrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque. A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista. A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas?

Morte Súbita é uma história difícil de gostar em um primeiro momento. Uma pessoa que você não conhece simplesmente morre, causando grande comoção em uma pequena cidade. Eu não vi nada de mais nisso, mas aos poucos Rowling foi explorando esse fato de uma maneira inusitada: somos apresentados a Barry Fairbrother através dos outros habitantes de Pagford. Conforme a notícia do falecimento se espalha pelo vilarejo, detalhes da vida do falecido e das outras pessoas vão pouco a pouco surgindo, montando uma espécie de mosaico complexo.

Confesso que quase larguei o livro. O foco da trama ficava pulando entre vários núcleos diferentes e a todo momento um personagem novo era introduzido. Quando a narrativa voltava para pessoas já apresentadas anteriormente eu me confundia todo, afinal não conseguia me lembrar quem era quem. Em muitos momentos pensei: “Onde está a autora que desenvolveu inúmeros personagens interessantes e completos na saga Harry Potter? Isso está uma bagunça!”.

Contudo, aos poucos as coisas começaram a fazer sentido. Fui me afeiçoando pelos habitantes de Pagford conforme eu os conhecia melhor. Todos eles passam por dramas e problemas, como a maioria das pessoas. Rowling não poupa ninguém e consegue mostrar que mesmo a melhores pessoas têm um lado mesquinho e egoísta. Em pouco tempo eu já tinha definido meus personagens favoritos. A trama, que parecia um monte de pequenos dramas aleatórios, passou a ter um sentido mais concreto quando eu consegui associar melhor tudo. Foi nesse momento que Morte Súbita me conquistou. Quem não se diverte em acompanhar um monte de intrigas, ainda mais em uma cidade pequena, na qual fatos aparentemente insignificantes tomam proporções imensas?

“Quando você está limpo, lembranças e pensamentos diabólicos começam a brotar da escuridão dentro de você. Parece até que a sua cabeça está cheia de moscas pretas zumbindo sem parar e pousando por toda parte.” (Pág 268)

Percebi que o principal problema do livro é o tempo que a trama leva muito tempo para engrenar. As primeiras partes, que consistem na apresentação dos personagens e ambientação do cenário, são lentas e desinteressantes. A ausência de um “fio central” na trama para amarrar os vários pequenos fatos só contribui para a confusão. Ainda bem que estes problemas são temporários e são resolvidos conforme a história avança.

Sabe aquele tipo de história que você não consegue largar e deseja que nunca acabe? Morte Súbita, para mim, foi um destes livros. Mesmo com alguns problemas no início, foi difícil não se envolver na vida cheia de intrigas dos habitantes de Pagford. É legal ver também que J. K. Rowling consegue fugir completamente do estigma de seu trabalho passado, com uma história única e que mal lembra Harry Potter. Recomendado!

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3 comentários em “Morte Súbita, de J.K. Rowling”

  1. Olá! Bom, é minha primeira vez em seu blog e eu gostaria de dizer que apreciei muito (apesar de até agora só ter lido 2 posts kkk). Entrei aqui por acaso… Estava procurando um livro que li há muitos anos atrás mas que não faço ideia do nome… –‘ E, como ele era no estilo de As mil e uma noites, bastante parecido pelas diferentes historias que ele narrava, eu achei que talvez procurando por As mil e uma noites, conseguisse encontra-lo. Não deu muito certo, mas vim parar aqui. Agora falando sobre Morte Subita. Como sou lisa, não tenho dinheiro kk, não pude comprar e ainda não tive a oportunidade de ler, mas pelo que você comentou, pude tirar algumas conclusoes.
    A nossa queria tia Jo, mais uma vez nos trazendo uma maravilhosa historia… E foi muito bom saber que a linha narrativa presente em Morte subita é completamente diferente da saga HP. Primeiro porque isso mostra que ela não se tornou uma das autoras mais famosas apenas pelas escritas fantásticas, mas por competencia, e segundo porque se torna um tanto fascinante ver que aquela que preencheu minha infancia de magia sabe mudar o cardapio tão bem. Mas, pelo que você comentou, sobre o fato de demorar pra historia se tornar mais interessante, me veio a mente a ideia de que tia Jo “se aproveitou” do fato de ja ter a fama devido a HP pra escrever a historia sem pressa, discorrendo com mais detalhes… Pensei isso porque você falou que ia largando o livro, então imaginei que se fosse no meu caso, eu talvez passasse pela mesma experiencia, mas a primeira coisa que me viria a cabeça é: Não vou parar de ler… Foi a J.K quem escreveu…
    Enfim, gostei muito do blog e as resenhas são muito boas! Parabens. Aproveitando pra favoritar o blog e visitar sempre kk

    1. Curioso você ter achado meu blog por acaso e agradeço os elogios 🙂

      Compartilho da sua opinião sobre a Rowling investir em uma história completamente diferente de Harry Potter. É legal ver o autor explorando outros estilos, isso mostra que ele tem desenvoltura. Já sobre a trama demorar para desenvolver, acho que não tem nada a ver com o fato da Rowling ter se aproveitado da fama de Harry Potter para enrolar, simplesmente ela vai construindo a história aos poucos. Quando você ler o livro vai entender melhor.

      Abraço!

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