Sabriel, de Garth Nix

“Sabriel watched till she had gone through the gate, then let the tremors take her till she was bent over, shaking with cold. A moment of weakness and she had broken the promise she had made both to herself and her father. It was only a rabbit and Jacinth did love it so much – but what would that lead to? It was no great step from bringing back a rabbit to bringing back a person.

Worse, it had been so easy. She had caught the spirit right at the wellspring of the river, and had returned it with barely a gesture of power, patching the body with simple Charter symbols as they stepped from death to life. She hadn’t even needed bells, or the other apparatus of a necromancer. Only a whistle and her will.

Death and what came after death was no great mystery to Sabriel. She just wished it was.” (p. 15-16)

Adoro ser surpreendido com incríveis livros desconhecidos. Sabriel me fisgou pela bela e misteriosa ilustração da capa. Contando somente com a recomendação de um amigo, decidi arriscar a leitura sem ao menos ler uma sinopse. Resultado? Mais um livro para a minha lista de favoritos.

Em um cenário fantástico, onde a magia e a tecnologia dividem a terra nos reinos de Ancelstierre e o Reino Antigo, a história de Sabriel inicia. Separados por uma enorme muralha, as duas terras, a primeira onde a modernidade tecnológica predomina e a segunda onde a magia impera, mantém o equilíbrio. Sabriel nasceu no Reino Antigo, mas seu pai, o necromante Abhorsen, a enviou para Ancelstierre. Lá a garota leva uma vida normal, enquanto estuda magia e necromancia. Quando um mensageiro lhe entrega a espada de seu pai e os sete sinos capazes de dominar os vivos e os mortos, Sabriel percebe que Abhorsen e o Reino Antigo correm perigo.

Não se deixe levar pela premissa relativamente comum, Sabriel tem inúmeras particularidades que tornam a história bem única. É uma história no qual a magia é o foco central, contando com três forças distintas, mas relacionadas entre si: Magia da Ordem (Charter Magic), a proibida Magia Livre (Free Magic) e a necromancia, a arte dos mortos. A heroína é versada justamente nesta última, que utiliza também as outras duas como fonte de poder. Entretanto, Sabriel não é como os outros necromantes. Ao invés de utilizar suas habilidades para fins próprios, a garota usa a necromancia para banir de vez as criaturas para o mundo dos mortos.

Garth Nix criou um universo rico, repleto de conceitos e simbolismos, mas nada é explicado para o leitor. O que parece um grande problema, é na verdade um dos trunfos do autor: Sabriel também não domina estes conceitos. Conforme avança em sua jornada pelo Reino Antigo, a protagonista desvenda aos poucos os vários mistérios e costumes de sua terra natal. Nix não precisa explicitar nada, pois quem lê acaba absorvendo de forma natural as regras e peculiaridades deste universo.

Sabriel é também outro dos destaques da obra. Ela é uma jovem forte e determinada, mas que nunca precisou utilizar suas habilidades situações de risco. Sem experiência, a insegurança e o medo aparecem, acentuados pela gravidade da missão que ela tem que enfrentar. Outra questão muito explorada é como o poder sobre a morte afeta Sabriel, que acredita que qualquer alma pode ser recuperada do Reino dos Mortos. A garota aos poucos vai amadurecendo e entende que nem todos podem ser salvos. A necromante é acompanhada por Mogget, que serve como contrapeso da personalidade dura da heroína por meio de seu sarcasmo e humor negro.

A escrita de Nix é fluída e o ritmo é frenético. A todo momento algo importante acontece e é impossível não querer saber como continua. Particularmente, gostei muito de como ele descreve com cuidado a arte da necromancia. O autor conta com detalhes todos os rituais, assim como o uso de cada um dos sete sinos de necromante e as viagens ao Reino dos Mortos. A única coisa que não gostei foram algumas situações em que a coincidência predomina, não acho legal quando o acaso é determinante, não parece natural. Felizmente esses problemas não são fortes o suficiente para estragar a experiência.

Com um universo tão inusitado e personagens extremamente memoráveis, foi impossível não me apaixonar por Sabriel. Já fazia tempo que eu não me envolvia tanto com uma história, desejando que ela nunca acabasse. Felizmente esse foi só o começo da série, que conta com mais cinco livros. Se você gosta de fantasia, magia e personagens inesquecíveis, Sabriel é uma excelente escolha.

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