Impressões: Video Games Live 2012 – Brasília

E depois de quatro anos o Video Games Live volta a acontecer em Brasília. Eu fui nas duas edições anteriores e foi com surpresa que recebi a notícia dessa nova apresentação na capital federal. Confesso que fiquei extremamente apreensivo com a possível seleção musical do concerto, entretanto fui surpreendido desta vez.

Para quem não conhece, o Video Games Live (ou VGL) é uma série de concertos de músicas de jogos, idealizados pelos compositores Tommy Tallarico e Jack Wall. As canções são executadas por uma orquestra, com um telão exibindo cenas dos games. Um jogo de luzes, segmentos interativos e performances energéticas do Tommy Tallarico complementam a experiência do evento.

Esta foi a terceira edição do VGL na cidade, que recebeu o evento também em 2007 e 2008. Eu particularmente gostei muito da primeira apresentação, já em 2008 a sensação de novidade desapareceu, principalmente por conta do repertório muito similar à edição anterior. Foi por isso que fiquei receoso com o concerto de 2012, que felizmente teve um resultado bem diferente do que eu esperava.

A primeira mudança nesse VGL foi o local. Ao invés do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o evento aconteceu na Orla do Clube de Engenharia. Foi uma escolha estranha, já que o clube não tem estrutura para esse tipo de apresentação. A solução foi montar uma tenda e um palco. O resultado foi mediano: um monte de cadeiras simples, bem próximas umas das outras, todo mundo meio apertado, algo bem diferente do conforto do centro de convenções. A estrutura foi montada em um declive, mas dependendo de onde a pessoa estava sentada era difícil ver bem o palco.

O VGL nunca foi um primor na questão da organização, entretanto a bagunça imperou nesta edição do evento. Museu do videogame e outras atividades pré-show dos anos anteriores? Esqueça. Os portões foram abertos somente uma hora antes do show, fato justificável já que não tinha nada para fazer no local. As únicas atrações eram a tradicional banquinha vendendo camisetas, cds e dvds e duas TVs rodando Guitar Hero. Ir ao banheiro exigia coragem, já que ele ficava em um canto completamente escuro e estranho. Outro problema foi a organização das cadeiras: muita gente que comprou o setor mais próximo do palco ficou irritada com a alteração da disposição dos lugares. E claro, o show em si começou com quase uma hora de atraso.

A seleção deste ano foi bem interessante e abrangente, resultando em um espetáculo bem diferente da edição de 2008. Eis a setlist:

Ato I
Castlevania
Megaman
Sonic
Shadow of the Colossus
Aerith’s Theme, de Final Fantasy VII
Donkey Kong Country Montage, por Laura Intravia
Super Smash Bros Brawl
Tetris Opera
Journey
God of War

Ato II
Street Fighter II
Zelda 25th Anniversary Medley, por Laura Intravia
World of Warcraft: Cataclysm
World of Warcraft: Mists of Pandaria
Earthworm Jim
The Elder Scrols V: Skyrim
Guitar Hero ~ The Pretender – Foo Fighters
Pokémon

Bis
Chrono Trigger ~ Chrono Cross
Portal

Alguns comentários rápidos:

  • Tommy Tallarico continua divertido, dessa vez sem piadas repetidas e sensação de déjà vu;
  • A equalização dos instrumentos estava competente, mas em alguns momentos era difícil ouvir as cordas. E a guitarra estava um pouco alta demais, engolindo um pouco os outros sons;
  • Gostei dos vídeos divertidos que foram colocados entre as músicas. Eram clipes como Mortal Kombat vs Donkey Kong, Worst Game Titles e Worst Voice Acting;
  • Como sempre os medleys foram conservadores. Os arranjos de Castlevania, Sonic, Megaman, Street Fighter e Pokémon se concentram nas composições dos primeiros jogos. Não que seja algo ruim completamente ruim, contudo gostaria de ver estes segmentos serem “modernizados”. Ao menos os vídeos foram atualizados com cenas dos games recentes;
  • Shadow of the Colossus e Journey foram surpresa pra mim. Não conheço direito os jogos, entretanto gostei muito das duas canções;
  • Felizmente nada de One Winged Angel! Mas Tommy Tallarico ainda pensa que Final Fantasy se resume ao FF7 e Aerith’s Theme foi a música da vez. Nada contra, contudo gostaria muito que a série fosse representada de outra maneira. Um medley, por exemplo, seria mais interessante;
  • Earthworm Jim foi outro destaque para mim. O medley ficou muito bom e foi um dos poucos que usou um sintetizador de forma discreta. Foi também um dos pontos cult do show;
  • Não vi necessidade em tocarem duas composições de World of Warcraft, uma só já era mais que suficiente;
  • Laura Intravia é simplesmente incrível. A flautista mostrou desenvoltura com seus dois arranjos (Donkey Kong Country Montage e The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley), além da participação notável em outras canções (Super Smash Bros. Brawl, God of War, Tetris Opera);
  • Arrisco dizer que Tetris Opera, com Laura Intravia cantando em russo, foi a melhor canção do concerto. Um arranjo ousado e energético, algo que eu nunca esperava ver no VGL;
  • Foi nesta edição que uma música de Super Smash Bros. Brawl foi tocada pela primeira vez. O segmento foi interativo, com algumas pessoas jogando Smash Bros. Melee no telão. Infelizmente o som do jogo atrapalhou um pouco a apresentação;
  • Observou com atenção a setlist? Notou uma grande ausência? Sim, o popular segmento de Super Mario Bros. não foi executado. No fim do show a platéia pediu e já existem comentários irados como “Não é um concerto de músicas de video game completo sem tocar Mario!”. Pra mim não foi tão problemático assim, já que o arranjo do VGL é bem básico e ignora trilhas recentes como Super Mario Sunshine e Super Mario Galaxy.

Mesmo com problemas de organização e estrutura, gostei muito do Video Games Live 2012. O show continua muito energético, uma das melhores características da experiência. A seleção de músicas foi interessante e abrangente, acredito que conseguiram agradar boa parte do público. Entretanto o espetáculo ainda tem muito pontos que podem ser melhorados: os arranjos de quase dez anos atrás já passam da hora de serem atualizados e a setlist ainda sofre de problemas de balanceamento. De qualquer maneira esta foi a minha edição favorita até o momento, espero que Tommy Talarico cumpra a sua promessa e traga o espetáculo de volta em 2013.

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6 comentários em “Impressões: Video Games Live 2012 – Brasília”

  1. Foi a primeira vez que fui em um evento como este, nota de um à dez, hummm, em todo o evento, hummm, nota sete. 
Gostei das apresentações, mas ficou um gosto de quero mais comparada aos vídeos que assisti, AINDA FICOU FALTANDO AS MUSICAS DO MÁRIO.
    O local, (((APERTADO))), teve poucas atrações além do show, acentos trocados, mudança na posição do palco, parece que foi feito as pressas. Paguei um valor muito alto no ingresso para ficar bem localizado e ter um certo conforto. Fui reclamar e só ouvir “Senhor estamos providenciando a solução do problema” e mais nada. A minha visão, enxerguei toda a esquerda,centro, metade da tela da direita; tinha uma caixa de som atrapalhando e uma pessoa no palco filmando. Foi muito irritante.
    Como citado no texto acima, antes a apresentação foi no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Logo o atual, no Clube de Engenharia (Nunca ouvi falar deste clube). Talvez a escolha deste local pode ter sido: redução dos custos e aumento do lucro, quando o olho cresce o resto nem precisa dizer… BRASILSILLLL; outra teoria, na questão do cronograma das apresentações, pode ter se “chocado” com algum evento no Centro de Convenções ou algum outro local.

  2. Excelente resumo.
    Tocou muita música de jogo que eu não conhecia. Foi a minha primeira vez e eu esperava mais momentos nostálgicos, mas foi muito bom. Agora é o seguinte: eu quera ter sido chamado pra jogar SSBM. Nubaram demais! AQUELE KIRBY AZUL NÃO MERECIA SUBIR NO PALCO!

  3. Acho muito melhor quando há um intervalo maior de tempo entre uma visita e outra do VGL em uma mesma cidade, considerando que não há mudanças tão grandes assim no programa de um ano para o outro.

    Pelos nomes, dá para notar que foi uma boa apresentação, acontece que os arranjos, para mim, estão muito aquém do oferecido por outros concertos, como Castlevania (prefiro o do Press Start 2007), Mega Man (sou mais o do Press Start 2008), Shadow of the Colossus (do Play! é muito melhor, porque pega todo o tema de encerramento) e Chrono (nem dá para comparar com a suíte do Symphonic Fantasies). A exceção, como nunca me canso de dizer, é o medley do Sonic, simplesmente insuperável.

    Comentando à distância o que eu vi das novidades, baseado nos seus comentários e nos vídeos:

    – Aerith’s Theme: gostei da troca de disco, mas a música um pouco desgastada já pelas turnês de Final Fantasy. Mas, como no VGL é novidade, não compromete tanto. Acho que é a primeira vez que não teve OWA no Brasil.

    – Donkey Kong Country Montage: posso estar sendo injusto… não curti muito. Fiquei com a sensação de que eles não conseguiram encontrar alguém que fizesse um arranjo orquestral de músicas mais elaboradas como a “Stickerbrush Symphony” e preparam esse medley bacaninha apenas.

    – Excelente a ideia de fazer o segmento interativo de Super Smash Bros., nem tanto de tocar a música ao mesmo tempo. Ficou confuso. E não entendi por que os jogadores no palco não jogaram o Brawl logo…

    – Earthworm Jim: bacaníssima o medley, especialmente por fazer por merecer a carreira do Tallarico nos tempos áureos. Só que a bateria sintetizada tira um pouco do brilho.

    – Se fosse para tocar Mario 1 de novo, melhor não ter tocado mesmo.

    E uma coisa que eu queria te perguntar, Farley. Notei que em momento algum você comentou a respeito da algazarra da plateia e, por isso, imagino que não deve ter havido nenhuma manifestação exagerada… estou certo? Baseado no relato de uma pessoa que assistiu ao concerto em Salvador em 2009, sinto que se todas as pessoas ficarem devidamente acomodadas em seus assentos, o espectador não acha que está em um circo e começa a berrar o espetáculo todo…rs

    1. Então Alexei,

      De fato fica bem melhor quando o intervalo entre as edições é maior. Agora convenhamos, dizer que os arranjos de outros concertos são mais interessantes é chover no molhado, hahahaha… Tanto é que nem liguei de comentar isso e nem algumas seleções duvidosas na minha opinião. Curiosamente não gosto do medley do Sonic do VGL, não conheço outros para fazer uma comparação, mas ele não me apetece.

      Sobre Aerith’s Theme: Acredito que a série Final Fantasy tenha mil composições mais interessantes, mas a fama de FFVII vende muitos ingressos. Vou até sonhar um pouco: eu adoraria ver FFXIII no VGL.

      Já no segmento do Brawl a desculpa do Tallarico foi “o Melee é melhor que o Brawl”, mas pra mim tanto faz o jogo no telão, queria ter ouvido melhor a música. Vai entender o que se passa na cabeça desse povo…

      E sim, felizmente não houve nenhuma manifestação exagerada, o pessoal se comportou bem. Ok, o doido que estava sentado do meu lado quase teve um ataque epiléptico durante Skyrim, com direito a urros e tudo mais (Enquanto eu quase dormia XD). Mas tirando essas pessoas mais empolgadas foi tranquilo. O único momento tenso foi quando o show acabou e o pessoal começou a pedir Mario, pensei que a estrutura de madeira em baixo das cadeiras ia ser destruída com tantas pesadas. Claro, se o arranjo do VGL fosse mais abrangente (sonho de novo: Mario Sunshine, Mario Galaxy) eu até acharia ruim, mas como não é lá grandes coisas nem liguei 🙂

  4. Concordo com tudo que você postou, inclusive sobre a edição 2008 e esse intervalo fez bem para a saúde do VGL, já tinha prometido que não iria mais, mas como o intervalo foi grande e eu não acompanhei nada da evolução do Set List então muita coisa foi novidade.

    E eu e o Rodrigo devíamos ter ido jogar Smash lá, só tinha os loosers xD

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