A Bússola de Ouro, de Philip Pullman

Imagem

“The witches have talked about this child for centuries past,” said the consul. “Because they live so close to the place where the veil between the worlds is thin, they hear immortal whispers from time to time, in the voices of those beings who pass between the worlds. And they have spoken of a child such as this, who has a great destiny that can only be fulfilled elsewhere – not in this world, but far beyond. Without this child, we shall all die. So the witches say. But she must fulfill this destiny in ignorance of what she is doing, because only in her ignorance can we be saved. Do you understand that, Farder Coram?”

“No”, said Farder Coram, “I’m unable to say that I do.”

“What it means is that she must be free to make mistakes. We must hope that she does not, but we can’t guide her. I am glad to have seen this child before I die.” (pag 154)

Sempre me interessei por A Bússola de Ouro. Depois de assistir a adaptação cinematográfica fiquei extremamente curioso sobre o livro, mas acabou que nunca consegui lê-lo. Só agora, anos depois, tive a oportunidade de conferir.

Lyra Belacqua é uma garota de 12 anos que foi criada por catedráticos na tranquila cidade universitária de Oxford, na Inglaterra. Neste universo paralelo as almas dos humanos vivem separadas de seus corpos e assumem a forma de animais chamados dæmons. Crianças começam a desaparecer misteriosamente em todo o mundo, sequestradas por um grupo misterioso de pessoas chamadas popularmente de Gobblers.

Após conhecer a Sra. Coulter, uma importante e influente mulher, Lyra deixa a universidade para viver e aprender com ela, e parte com um objeto em suas mãos: o aletiômetro, antiguidade raríssima capaz de dizer a verdade. Mas Lyra foge e inicia sua jornada nas terras gélidas do Polo Norte com os Gípcios, a fim de resgatar seu amigo Roger, e acaba encontrando ursos de armadura, feiticeiras, aeróstatas e exploradores. Ela conhece também a verdade por trás dos Gobblers e sua relação com o Pó, a misteriosa partícula elementar.

Me surpreendi imensamente com A Bússola de Ouro, principalmente por ter assistido o filme primeiro. Olhando a sinopse parece mais uma daquelas histórias do bem contra o mal em um mundo de fantasia, mas os assuntos tratados aqui são bem mais profundos e até polêmicos.

Sim, Lyra é a típica garota de ficção de fantasia: órfã, hiperativa, curiosa e com um destino misterioso a ser cumprido, mas ela consegue ser uma protagonista fácil de se identificar e se afeiçoar. Ao longo da trama ela amadurece aos poucos, mas seu carisma sempre se mantém. Os outros personagens são levemente estereotipados, não sendo isso algo ruim, pois muitas surpresas sobre eles vão sendo reveladas. E é impossível não odiar a Sra. Coulter, uma vilã sutil e traiçoeira.

O universo foi outro ponto que gostei muito. Pullman mistura conceitos modernos com recursos clássicos da ficção de fantasia. Universos paralelos e física elementar coexistem com feiticeiras, criaturas mágicas e ursos guerreiros que falam como humanos. Gostei também dos dæmons, a representação da alma humana. Os animais refletem a personalidade da pessoa e como as crianças ainda estão em processo de formação, seus dæmons ainda não têm forma fixa. O estilo de escrita de Pullman é bem fluído, direto e sem muitos floreios. Isso torna a leitura tranquila e sem complicações, sacrificando um pouco o detalhamento de descrições.

A polêmica fica por conta do uso da religião. Nessa série os antagonistas fazem parte de uma organização chamada Magistério e o autor sugere que esta seja uma fusão das religiões cristãs. Eles fazem o que bem querem, sem de fato se importar com o povo. Existe também um ponto no qual a Bíblia é recontada à maneira do universo da trama. E por fim existe a similariedade da palavra dæmon com demon (demônio em inglês). Outras questões similares parecem ser levantadas nos livros seguintes, fazendo com que entidades Católicas se mobilizassem contra o livro e o filme.

Mesmo tendo uma progressão excelente e algumas reviravoltas brutais mais para o final, teve um ponto que não gostei tanto. O Pó, a tal partícula elementar que é basicamente o conceito central da história, é muito mal explorada. Provavelmente a intenção do autor fosse justamente confundir e instigar o leitor, mas eu preferiria que isso fosse explicado melhor. Espero que nas continuações as questões sejam esclarecidas.

A Bússola de Ouro é mais um daqueles livros que é classificado como “infanto-juvenil”, mas que na essência é para um público um pouco mais velho, já que muitos detalhes e nuances podem passar batido pelos mais jovens. Com personagens e trama fascinantes, o livro é uma ótima escolha para os fãs de fantasia. Já é um dos meus livros favoritos e com certeza lerei as continuações :]

Anúncios

2 comentários em “A Bússola de Ouro, de Philip Pullman”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s