Impressões: The Legend of Zelda: Skyward Sword

“Impressionante” resume bem Zelda Skyward Sword. Não, não é um jogo perfeito, mas é algo impressionante.

Depois de tanto tempo em desenvolvimento e muito hype por conta da Nintendo, finalmente foi lançado um dos últimos grandes jogos de Wii. Desde o primeiro trailer eu estava muito ancioso pelo jogo e posso dizer que a espera valeu a pena e boa parte das espectativas foram cumpridas.

Skyward Sword é, teoricamente, o primeiro jogo da cronologia da série Zelda e faz parte da comemoração dos 25 anos da série (assim como Zelda Four Swords Anniversary Edition). E é uma comemoração bem ousada, já que boa parte dos conceitos básicos estão bem diferentes aqui: História, narrativa, jogabilidade, level design e muitas outras características foram retrabalhadas, sem abandonar a essência original da série.

Link dessa vez é um estudante na academia de cavalheiros de Skyloft, uma espécie de ilha que flutua no céu. Neste mundo todos conhecem a suposta superfície somente através de lendas, todos estão acostumados com a vida no céu. Cada habitante de Skyloft tem como companheiro um loftwing, uma ave que todos utilizam para se locomover pelo céu. A aventura começa quando Zelda, que dessa vez é somente uma amiga de classe de Link, cai na superfície e Link sai a procura dela, ao mesmo tempo que descobre que faz parte de um destino maior envolvendo a deusa das lendas.

Algo que chama atenção logo no começo é a bela direção de arte. O estilo gráfico foi inspirado nas obras do pintor impressionista Claude Monet e torna o jogo bem único e agradável aos olhos, ao mesmo tempo em que consegue driblar as limitações técnicas do Wii. Esse efeito é ainda mais aparente e interessante quando observamos objetos distantes, quando a profundidade de campo é pequena e o fundo fica desfocado. Complementando o estilo gráfico temos a trilha sonora, que é em boa parte orquestrada e em alguns momentos é dinâmica, se alterando de acordo com a situação. A trilha é boa e combina bem com as situações, por mais que sejam poucas músicas que realmente se destacam (The Ballad of Goddess, The Sky e Demon Lord Ghirahim Boss Battle Theme, por exemplo)

Um dos principais pontos que difere esse Zelda dos demais é o level design. Ainda existe uma espécie de mundo principal (The Sky), mas ele é reduzido e colocado em segundo plano. O foco fica nas três grandes regiões da superfície (floresta, vulcão e deserto). Nestes lugares toda a progressão parece com os calabouços, com puzzles e inimigos e segredos, sem divisão aparente entre calabouço-mundo principal. É uma experiência nova e divertida, cada vez que é necessário revisitar estes locais sempre tem algo de novo. E o próprio desenho dessas áreas é bem pensado, com idéias bem interessantes, como a região de Lanayru suas sacadas legais. Acontece que isso leva a outro problema: The Sky, o mundo principal, é um tanto quanto vazio e desinteressante. Tem umas ilhas ali e acolá, mas nada que incentive a exploração, como o vasto oceano de Wind Waker. E para completar voar é lento e enfadonho. Ainda bem que não é necessário gastar muito tempo nisso.

Mas o maior destaque do jogo são os controles. Com o auxílio do Wiimotion Plus o controle da espada de Link é próximo 1 para 1. Isso tornou o combate muito mais interessante e desafiador, já que é necessário fazer os movimentos nas direções corretas. Por exemplo: é necessário atacar os inimigos no espaço em que eles não estiverem defendendo. É possível também golpear aranhas de baixo para cima, fazendo-as virar e exibir seu ponto fraco, e outras muitas situações. Os outros itens também utilizam bem o sensor de movimento, mas algumas vezes acontecem problemas com itens que é necessário apontar para a tela (nada que a recentralização oferecida pelo jogo não resolva). Outra situação é quando o sensor não reconhece completamente os movimentos e Link executa um corte completamente diferente. De qualquer maneira é finalmente algo próximo do que foi prometido no lançamento do Wii.

Com tanto foco na parte técnica e no level design, a história ficou meio que de lado. Depois das duas horas iniciais, no qual o universo básico é apresentado, o jogo dá somente leves dicas do que realmente está acontecendo. Depois de 30 horas de jogo eu conhecia muito mais os habitantes de Skyloft do que a trama principal em si. Os personagens secundários são até carismáticos visualmente, mas carecem de mais desenvolvimento. Ao menos as missões paralelas ajudam a quebrar um pouco o ritmo de jogo e a conhecer melhor estes personagens. Como os habitantes de Skyloft desconhecem a existência da superfície, existem poucos personagens no solo, somente algumas criaturas que não me cativaram.

Outro ponto que gostei muito foi a questão dos itens. É possível equipar somente um por vez e a quantidade destes é bem reduzida em relação às aventuras anteriores. Equipar um item é fácil e rápido: basta segurar um botão, mover o pulso e pronto, isso tudo sem pausa na ação. Isso fez com que cada um fosse melhor trabalhado e seus usos fossem mais diversificados. Desta vez é necessário utilizar vários itens para completar os calabouços, ao invés do foco ser no item recém adquirido. Existe também a possibilidade de melhorá-los, aumentando assim a utilidade deles. E por fim existe uma dose de estratégia, já que a bolsa de Link é de tamanho reduzido e é necessário planejar bem que itens entre escudos, garrafas e medalhas devem ser levados. Uma pena que a harpa, o instrumento da vez, seja bem insignificante e mal tenha uso, já que os instrumentos anteriormente sempre eram muito úteis.

Mesmo longe de ser perfeito, The Legend of Zelda: Skyward Sword é incrível. Excelente na parte técnica e com game design excepcional, é um dos melhores jogos da série e um dos melhores de Wii. Extremamente recomendado!

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