Feios, de Scott Westerfeld

“Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho em suas proporções” – Francis Bacon, Ensaios sobre moral e política, “Da beleza” (pág 137)

Nada como promoções. Já fazia um tempo que eu queria conferir Feios, com o incentivo de um ótimo preço acabei comprando e gostando muito.

Tally está prestes a completar 16 anos, e mal pode esperar. Não para dar uma grande festa, mas sim para se tornar perfeita. No mundo de Tally, fazer 16 anos significa passar por uma operação que o transformará de “feia” em um ser incrivelmente belo e perfeito, e lhe dará passe livre para uma vida de glamour, festas e diversão, onde seu único trabalho é aproveitar muito.
Mas Shay, uma das amigas de Tally, não está tão ansiosa assim: prefere se arriscar fora dos limites da cidade. Quanto Shay desaparece, Tally vai conhecer um lado totalmente diferente desse mundo perfeito – e, acredite, não é nada bonito.

O primeiro de uma série de quatro livros, Feios retrata um futuro no qual tudo é belo e perfeito, aonde não existem desentendimentos e a humanidade não agride mais a natureza. A primeira impressão é realmente essa: uma história sobre beleza e perfeição, que desenvolve em algo bem maior.

Eu não sei ao certo o que me prendeu e me fez devorar rapidamente Feios. A idéia principal da história já foi muito explorada em outros trabalhos, mas mesmo assim tem seu charme. Uma ou outra coisa deu para prever bem antecipadamente, mas não chega a ser nada que estrague a experiência. No fim das contas acredito que Tally e Shay sejam os maiores atrativos da história já que as duas têm visões bem diferentes da situação que enfrentam, principalmente Tally com suas atitudes egoístas mas que mudam com o tempo.

O maior destaque sem sombra de dúvidas é a escrita de Westerfeld, o texto flui de maneira extremamente natural e instigante, os fatos acontecendo no ritmo exato para prender o leitor. Não é um estilo de escrita rebuscado, diria até que bem simples, mas cumpre bem o seu papel. O universo da história também é interessante, por mais que pouco desenvolvido (talvez nos próximos livros?). Infelizmente e ironicamente um dos pontos fracos da narrativa é exatamente a falta de tato de Westerfeld para descrever fisicamente os personagens, algo essencial num mundo em que tudo é ditado pela aparência.

Tirando algumas coisas previsíveis e alguns discursos filosóficos meio clichês, Feios é uma leitura descompromissada e interessante. Com certeza vou ler os outros livros da série

Leia aqui o primeiro capítulo

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