Blind Willow, Sleeping Woman, de Haruki Murakami



“What I’m trying to tell you is this,” she said more softly, scratching an earlobe. It was  a beautifully shaped earlobe. “No matter what they wish for, no matter how far they go, people can never be anything  but themselves. That’s all” (pág 32, Birthday Girl)

Quando viajei pro Canadá tinha um pensamento bem diferente da maioria de brasileiros que vai pro exterior: queria comprar um monte de livros que ainda não foram traduzidos para Português. Mas na bagunça da viagem acabei comprando somente Blind Willow, Sleeping Woman.

Blind Willow, Sleeping Woman é a coletânea de contos mais recente do Haruki Murakami. São 24 diferentes contos no qual Murakami aborda seus assuntos favoritos como a solidão, casais complicados e eventos inusitados.

Fica até difícil definir com exatidão o teor da obra, já que cada conto explora situações bem distintas, todas com o toque característico do Murakami. O que mais gostei aqui é que mesmo nos contos mais curtos os personagens são bem desenvolvidos, sendo que os maiores dão inclusive a impressão de um pequeno romance de ficção. A escrita é clara, como é de costume do Murakami, mas com passagens muito instigantes e ideias somente lançadas para que o leitor tire suas conclusões, o que torna a interpretação ambígua e complexa na maioria das vezes.

Posso dizer com certeza que o assunto principal dos contos é a solidão e como cada pessoa lida com isso. Os personagens na maioria das vezes estão fechados em um mundo próprio, por mais que não aparentam isso. Além da solidão é explorado também temas como a perda, o incrível, relacionamentos e eventos misteriosos. Além do mais finalmente temos algumas protagonistas femininas, algo não muito comum nas obras do Murakami, por mais que no fim das contas isso não signifique grandes mudanças na narrativa. Inclusive o próprio Murakami aparece como personagem em alguns dos contos, gostei muito disso.

É complicado definir qual é o ponto fraco da coletânea, já que cada conto é único. Como li de uma só vez, as vezes me parecia meio cansativo os temas recorrentes. Outro problema também é a duração dos contos: alguns poderiam ter sido desenvolvidos bem mais, enquanto outros são desnecessariamente longos. Observei também algumas características já recorrentes de outras obras do Murakami como certas localidades e conceitos, deu uma sensação de déjà vu.

Os meus contos favoritos? Gostei de praticamente todos, mas para mim os destaques foram A “Poor Aunt” Story, The Mirror, Dabchick, Tony Takitani (esse conto foi até adaptado em um filme), Hanalei Bay (1 e 2) e The Kidney-Shaped Stone That Moves Every Day. E sinceramente, o primeiro conto (Blind Willow, Sleeping Woman) é um início muito fraco para a coletânea, se puder deixe ele para depois. Ah, se você já leu Norwegian Wood pode até pular Firefly, já que esse conto originou a primeira metade de Norwegian Wood e vai parecer extremamente familiar.

Uma ótima coletânea, Blind Willow, Sleeping Woman é um passeio excelente pelo estilo do Murakami. Com histórias interessantes e instigantes, personagens cativantes e verossímeis, é uma ótima leitura.

“Oh, her picture is there all right, whenever they pull out the album of wedding photos, but her image is as cheering as a freshly drowned corpse.” (pág 135, A “Poor Aunt” Story)

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