Livro das Mil e uma noites – Volume 1

Na noite seguinte, Dinarzad disse para a irmã: “Se você não estiver dormindo, maninha, conte-nos o restante da sua história”, e Sahrazad respondeu: “Com muito gosto e honra”.  (pag. 160)

As mil e uma noites é um dos livros mais famosos (senão o mais famoso) da cultura árabe e sempre tive curiosidade de saber do que se trata Partindo disso consegui finalmente iniciá-lo.

As histórias que compõe as Mil e uma noites tem várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe uma versão definida da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados por Sahrazad, esposa do rei Sahriyar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando-as matar na manhã seguinte. Sahrazad consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Sahrazad interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites – as mil e uma do título – ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.

Bem, esse livro me surpreendeu tanto positivamente quanto negativamente.

O maior destaque pra mim é a edição impecável desse livro, que é o primeiro volume de três. Todas as páginas têm um espaço permanentemente reservado para as notas de tradução, notas essas que no começo atrapalham muito, mas contêm informações muito interessantes. Só achei desinteressantes as notas que falam estritamente da tradução do árabe, não são legais pra um leitor normal e até quebram um pouco o ritmo de leitura. Os anexos são adições interessantes também. Tudo isso numa capa dura muito legal.

A história em si me deixou bem decepcionado. Cada noite Sherazad conta um trecho de uma história e na maioria das noites ela deixa um gancho (o que é justificável no contexto da história do rei), sendo que acontecem histórias dentro de histórias. Os contos são até interessantes, mas chega um momento que eles se tornam muito similares e extremamente previsíveis. Por exemplo: em várias das histórias alguém é transformado em um animal, sendo que a causa disso e a solução são bem parecidas sempre… Isso tudo tornou a leitura bem cansativa e um tanto quanto arrastada. Outra questão que torna a leitura meio cansativa é a repetição de termos o tempo todo, como por exemplo “por Deus” e “absolutamente imperioso” (por mais que no fim gostei disso, dá uma identidade legal pro texto). Ah, fiquei “assombrado” com algumas coisas explícitas no texto, não tinha nem ideia que o mundo árabe era tão sem pudores e “frio” assim.

No fim das contas acredito que não li esse livro de maneira correta, intercalado com alguma outra leitura teria sido mais interessante (por mais que os ganchos deixariam essa tarefa um tanto quanto complicada). Mas nada disso tira o mérito de ser um livro interessante e que permite conhecer bem a cultura árabe, tanto é que pretendo sim ler os outros dois volumes. Mesmo com os problemas eu gostei muito de tê-lo lido.

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