Quase Memória, de Carlos Heitor Cony

Consegui esse livro por acaso e comecei a ler sem ter idéia alguma do que se tratava ou do estilo. Ainda bem que esses acasos acontecem, mais uma boa surpresa.

Ponto alto na produção literária brasileira das últimas décadas, Quase Memória explora o território entre a ficção e a memória a partir das reminiscências do autor sobre o pai morto. Nele, Carlos Heitor Cony mapeia minuciosamente a relação pai e filho: os sentimentos contraditórios, as alegrias e tristezas que não se esquecem, o afeto incondicional e, acima de tudo, a cumplicidade.

A premissa é simples: o autor recebe um pacote que acredita ter sido enviado pelo seu falecido pai, Ernesto Cony Filho. Partindo disso o autor passa a relembrar várias memórias de seu pai e de sua infância. O resultado disso é uma série de relatos, em sua maioria desconexas, que retratam como era a relação de Cony com seu pai, ao mesmo tempo que monta uma espécie de “biografia” do pai.

A escrita é simples e sem floreios, mas que funciona perfeitamente bem. Os relatos, mesmo que desconexos e um pouco truncados, são em sua maioria interessantes e bem divertidos, principalmente por conta da personalidade meio maluca e excêntrica de Enersto. Tudo é escrito de tal maneira que o leitor se sente bem próximo de Enersto. As qualidades do romance acabam tornando-se também seus defeitos: é um pouco difícil acompanhar a cronologia dos fatos por eles serem apresentados de maneira meio embaralhada, assim como alguns relatos que terminam de maneira confusa e incompleta. E os trechos em que se passam no ‘presente’, que são focados no próprio autor, são um pouco monótonos e desinteressantes.

Misturando ficção e realidade, Quase Memória é um livro bem interessante. Divertido e até um pouco motivacional, é uma leitura fácil, melhor ainda se lida aos poucos.

*Leia aqui um trecho do livro

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Um comentário em “Quase Memória, de Carlos Heitor Cony”

  1. Olá! 😀

    Vi a sua resenha sobre esse livro no Skoob (sempre as leio no Skoob), e o achei até interessante. Deu vontade de dar uma olhada. Eu já vinha querendo ler um do Cony, especialmente ‘Antes, o verão’. Parece bom autor, lembra um pouco Cormac McCarthy.

    p.s.: adoro essas fotos que você bate de vários livros juntos! 😀

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