Do que eu falo quando eu falo de corrida, de Haruki Murakami

Somerset Maugham certa vez escreveu que em cada barbear reside uma filosofia, Eu não poderia estar mais de acordo. Por mais mundana que uma ação possa parecer, fique nela tempo suficiente e ela se tornará um ato contemplativo, meditativo, até. (pág.7)

Confesso que não estava animado em ler esse livro. Por algum motivo o fato de não ser um romance me criou um certo tipo de “bloqueio”, já que eu queria mais romances do Murakami traduzidos por aqui. Mas por acaso li o primeiro capítulo e gostei muito do que li, acabei decidindo então ler.

“Do que eu falo quando eu falo de corrida” é uma espécie de coletânea de ensaios do Murakami sobre seu hábito de correr. Acontece que o Murakami acaba misturando tudo com várias memórias pessoais, o que torna o livro bem autobiográfico e reflexivo. Pra mim essa mistura ficou ótima. O estilo de escrita característico do Murakami está aqui, mesmo que bem mais suave desta vez, o que torna a leitura muito agradável (e até bem divertida nesse caso). E mesmo com foco na não ficção ele consegue colocar algumas coisas na entrelinhas, como sempre faz.

Mesmo não sendo corredor e me interessar pouco pelo assunto, não consegui largar a leitura. Isso pois o Murakami fala de tudo, não somente de corrida. Na verdade em alguns pontos o assunto principal é posto de lado e ele começa a falar de si, o que é ótimo para conhecer o Murakami como pessoa. É legal também ver como a corrida influenciou seus romances e sua vida. Notei também uma carga motivacional muito grande no texto, de maneira sutil, mas ao mesmo tempo bem realista. Pelo texto o Murakami se concentra principalmente em seus próprios defeitos como perfeccionismo e teimosia, ao mesmo tempo que lida com questões de perseverança e superação, com vários pontos de reflexão muito interessantes. Pra mim isso foi excelente pois cria uma aproximação entre o leitor e o autor, principalmente por ser possível se identificar com variadas situações e pontos de vista retratados. E nada melhor que uma pessoa “real” para falar sobre lições de vida.

Curto e com um texto que flui de maneira excelente, “Do que eu falo quando eu falo de corrida” é uma ótima leitura para qualquer pessoa, inclusive quem não se interessa por corrida. Apreciadores do autor (como eu) vão se deliciar ainda mais por conhecer o Murakami de maneira tão próxima e humana.

*Leia aqui um trecho do livro

Somerset Maugham certa vez escreveu que em cada barbear reside uma filosofia, Eu não poderia estar mais de acordo. Por mais mundana que uma ação possa parecer, fique nela tempo suficiente e ela se tornará um ato contemplativo, meditativo, até.
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