Flashforward

Lloyd Simcoe e Theo Procopides são dois cientistas que trabalham no CERN (maior centro de estudos sobre física de partículas do mundo) e estão prestes a testar um novo experimento utilizando um acelerador de partículas, experimento esse que tem como objetivo criar moléculas que existiram somente momentos após o Big Bang. Algo dá errado e o experimento tem outro resultado: toda a consciência da humanidade é transportada para o futuro por dois minutos, num evento batizado de Flashforward. Todas as pessoas então tiveram um leve deslumbre do futuro, enquanto outras não viram nada (ou seja, já estavam mortas). Nesses dois minutos em que todos estiveram inconcientes o caos foi instaurado, muitos morreram em acidentes e outras fatalidades. Partindo disso Lloyd Simcoe investiga o que causou esse fenômeno, enquanto Theo Procopides tenta evitar sua própria morte (já que ele não teve nenhuma visão do futuro).

O que me chamou atenção nesse livro foi justamente a trama, o que num primeiro momento parecia bem interessante. Mas depois de ler os capítulos iniciais percebi que na verdade essa seria a perdição do livro, por conta da sequência dos acontecimentos. Faltou muito tato para amarrar a história. O autor fica pulando pelos assuntos o tempo todo, nunca desenvolvendo eles direito. Uma hora o foco é na linha investigativa; outra hora é falando sobre fatos sem muita importância de personagens aleatórios; em outro momento é uma confusa discussão sobre a ciência e o tempo; minutos depois um casal discute a relação bem ao estilo das novelas mexicanas. O autor apela demais para especulação científica para explicar os acontecimentos, o que deixa a leitura cansativa com tantos termos e referências confusas. O resultado é uma variedade de assuntos e tramas sub-desenvolvidas. E a parte final consegue ser ainda pior, deixando várias pontas soltas e apelando demais para o fantástico. Por sorte existem sim momentos interessantes, por mais que não tão interessantes assim.

Os personagens também são bem simples e suas histórias não muito interessantes: Lloyd é o típico cientista que acredita cegamente na ciência e em seus conceitos, principalmente para livrar sua culpa, enquanto sua vida amorosa afunda após o Flashforward; Theo é completamente egocêntrico e só pensa no prêmio Nobel,  sendo que depois fica obcecado por sua própria morte; Michiko é a noiva de Lloyd e fica sofrendo por conta de uma perda pessoal, sempre tentando manter aparência de forte. Todos eles se desenvolvem tremendamente mal, continuando desinteressantes e sem graça até o fim. Vários outros personagens secundários aparecem na trama, mas não é dado destaque suficiente à eles, que acabam caindo no esquecimento.

Pra mim Flashforward foi uma experiência mediana. Talvez seja melhor aproveitado pelo público alvo (ativistas de ficção científica), mas não me agradou mesmo. Só leia se realmente os pontos negativos não te incomodarem. Existe também uma série americana baseada no livro, lendo a descrição vi que é algo na linha investigativa/policial, provavelmente deve funcionar melhor que o livro, mas prefiro manter distância.

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