Pobre George – Uma realidade ácida

Cá estou novamente com outra resenha de livro. Confesso que ultimamente eles é que têm me chamado muita atenção e tenho me concentrado nisso. Não que eu não tenha descoberto coisas no campo da música e que nunca falei aqui (como Pati Yang, MiChi, Zektbach, Marina & the Diamonds, School Food Punishment…) e nem no campo de filmes (como o ótimo Dublê de Anjo – que espero um dia contar minhas impressões), mas tenho me cativado mais por livros. O livro da vez é o desconhecido Pobre George, de Paula Fox, recomendação indireta do colega Marlo Renan (resenha dele aqui).

George Mecklin é um professor que vive uma vida medíocre: seu casamento está mal, o tédio lhe domina e a vida parece não ter sentido. Vivendo em uma zona rural George vê sua vida mudar ao chegar em casa um dia e encontrar um estranho dentro de sua casa, um rapaz chamado Ernest. Ernest não é um ladrão, ele só gosta de entrar na casa das pessoas e olhar e olhar. George então vê em Ernest a possibilidade de finalmente dar sentido à sua vida, por mais que os resultados sejam os mais inusitados possíveis.

Paula Fox tem um estilo de escrita simples, mas eficiente. A história flui bem e os personagens são muito interessantes e verossímeis. Seus defeitos são os muito longos capítulos e algumas várias situações cansativas e que pouco adicionam ao desenvolvimento da trama. De qualquer maneira gostei da maneira que ela trabalhou os assuntos abordados, conseguindo colocar tensão e importância nos momentos cruciais.

Pobre George me surpreendeu um tanto por conta do rumo que a história seguiu, foi para um foco completamente diferente do que eu achava que seria abordado. É uma visão ácida sobre a ordinária vida no subúrbio e da população comum geral, assim como as variadas máscaras e facetas das pessoas. George mesmo é uma pessoa completamente comum, com as angústias que todos temos (mas não exteriorizamos) e ainda por cima é cercado de pessoas completamente mesquinhas. Para mim o destaque fica por conta dos personagens: nenhum deles é bonzinho, nenhum deles é vilão, todos são simplesmente comuns e fazem o máximo para defender seus interesses, não importando o resultado de suas escolhas.

De qualquer maneira Pobre George é bem interessante. Não dá pra recomendar para todo mundo por conta de sua estrutura e de como os assuntos são abordados, já que é necessária certa dedicação para entender as nuances. Sua trama ácida e seus personagens interessantes com certeza valem a leitura.

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4 comentários em “Pobre George – Uma realidade ácida”

    1. Legal =D
      Na verdade notei que na sua resenha você observou coisas que não vi e vice-versa… o que é mais interessante ainda.
      E sempre mencionarei seu blog quando possível, quanto mais divulgado mais gente descobre as pérolas desconhecidas =D

  1. Parece ser interessante, só pela resenha fiquei pensando, o que eu faria? Se moro numa propriedade rural, certamente não preciso ficar trancando as portas, e então aparece alguém, como se fosse um furão, olhando, olhando, olhando, fuçando, fuçando, fuçando… parece inofensivo, o que fazer? Num cenário bucólico rural e uma mente ex-cidade grande. Impossível deduzir. Mas isso é um outro caso. Gostaria de saber como a autora se virou com essa situação.

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