Depois de ler Esfera e ter gostado muito, fui atrás de mais obras do Michael Crichton e acabei encontrando O Homem Termina. Assim como Esfera, gostei muitíssimo desse livro.
Uma lesão cerebral, resultado de um acidente automobilístico, causa sérios danos ao especialista em ciência da computação Harry Benson. Ele começa a apresentar sintomas de uma doença que provoca súbitos ataques de violência, a Lesão Desinibitória Aguda (LDA). Numa tentativa de controlar esses impulsos de agressão, Benson é submetido a um revolucionário método cirúrgico em que eletrodos são implantados em seu cérebro. O objetivo do time de cirurgiões de Los Angeles, responsáveis pela experiência, é conter através de um microcomputador as perigosas crises homicidas do paciente. A cirurgia, porém, não é bem-sucedida.
Como uma trama relativamente comum consegue ser tão interessante? Acredito que seja a riqueza de detalhes. Crichton detalha bem cada um dos problemas e fatos da história, tanto é que ele incluiu uma lista de referências técnicas que utilizou como base para as explicações. As vezes a quantidade de informações técnicas até são meio irritantes, mas elas são necessárias para entender bem o contexto de tudo.
Mesmo que a história se passe num pequeno intervalo de tempo, o ritmo é frenético e a tensão constante. Harry Benson é o principal motivo disso tudo, já que sua personalidade contraditória cria situações interessantes: ele acredita que as máquinas estão dominando o mundo, mas no fim das contas ele mesmo acaba virando uma espécie de máquina. Crichton consegue explicar de maneira excelente a condição de Harry, ao mesmo tempo que analisa as consequências dos fatos.
O problema fica por conta dos outros personagens, já que são todos subdesenvolvidos e sem características muito marcantes (exceto a Dra. Janet Ross, que desenvolve bem até certo ponto), me deixando confuso em vários pontos. A narrativa as vezes é confusa também, pulando de ideias e fatos em questão de linhas, deixando a coisa meio truncada. Por fim seria interessante se os fatos anteriores aos da trama fossem explorados também.
Pouco a pouco estou ficando fã de Michael Crichton. O Homem Terminal tem uma trama boa, explicações e reflexões interessantes, amarrados com tensão e realismo. No fim das contas um ótimo livro.


