5 livros de 2011

Continuando a tradição, mais uma vez compilei uma lista com as minhas leituras favoritas do último ano (nesse caso 2011). Foi um ano repleto de altos e baixos com algumas surpresas muito boas (Eu, robô, Feios, Sob Mil Disfarces) e outras bem medianas (A Carta Esférica, Em uma noite sem luar, Histórias Extraordinárias). Acabou também que li bem menos do que gostaria (cheguei a passar um mês sem ler), mas foi bem interessante. Ah, como projeto paralelo tirei fotos de todos os livros que li, vou continuar fazendo isso esse ano, achei bem divertido =]


Kafka à beira-mar – Haruki Murakami

Sim, sempre vai ter Murakami na minha lista. Kafka à beira-mar se tornou um dos meus livros favoritos do Murakami. É uma trama superficialmente simples e difícil de explicar, mas repleta de questões nas entrelinhas. Como sempre tem muitas características do Murakami como o fantástico e a questão da solidão. Destaque principalmente para Nakata, um dos personagens mais cativantes de toda a obra do Murakami. E ano que vem provavelmente vai ter Murakami de novo na minha lista, finalmente 1Q84 será lançado em português e o pouco que já li em inglês já adorei.


Esfera – Michael Crichton

Uma das ótimas surpresas de 2011, Esfera é um livro de ficção científica que escapa dos clichês desse gênero. Foi o primeiro livro que li do Michael Crichton e me prendeu do início ao fim. Sim, a trama é bem parecida com essas ficções científicas comuns, mas Crichton usa de artifícios da psicologia para conduzir e explicar tudo, tornando a história elegantemente inteligente.


Série Mundo de Tinta – Cornelia Funke

Aqui eu tive que sabotar a lista… A série Mundo de Tinta na verdade são três livros: Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta, mas como recomendação funciona melhor os três juntos. Em Mundo de Tinta acompanhamos Mo e Meggie, pessoas que têm o dom (ou maldição?) de tornar realidade tudo que lêm em voz alta. É uma aventura de fantasia muito boa, que começa ingênua em Coração de Tinta e termina bem sombria em Morte de Tinta. Foi justamente a evolução da história que eu gostei, sem contar que foi minha redenção com Cornelia Funke já que eu não tinha gostado muito de outro livro dela.


Marina – Carlos Ruiz Zafón

Mais uma escolha óbvia na minha lista, já que Zafón também é um dos meus autores favoritos. Marina é um trabalho anterior aos sucessos recentes de Zafón (A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo), mas tem as várias características do autor. É uma história frenética, cheia de revelações a todo momento e personagens memoráveis. Outro fato legal é Zafón abordando certos temas que ele não usou em seus outros trabalhos, como o grotesco. No mais uma ótima leitura enquanto O Prisioneiro do Céu, quarto livro da série barcelonesa iniciada em A Sombra do Vento, não é lançado em português.


Do Outro Lado – Natuso Kirino

Provavelmente o livro mais interessante que li em 2011, Do Outro Lado é eletrizante. Nunca tinha lido algo que me fizesse sentir emoções tão extremas quanto senti ao ler esse livro. É uma história pesada, sombria, cruel e brutal, mas que prende o tempo todo. Fiquei sempre tentando me colocar no lugar dos personagens, compartilhando seus problemas e sofrimentos, tentando entender suas motivações. Foi uma experiência memorável.

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E é isso. 2012 promete ser bem interessante já que teremos 1Q84 (Murakami) e provavelmente O Prisioneiro do Céu (Zafón), assim como as várias surpresas que sempre surgem. Uma coisa é certa: vou reler alguns livros que li a muito tempo atrás, minha mente mudou muito e quero reavaliar algumas conclusões.

E você? O que me recomenda para 2012? =]

O Homem Terminal, de Michael Crichton

Depois de ler Esfera e ter gostado muito, fui atrás de mais obras do Michael Crichton e acabei encontrando O Homem Termina. Assim como Esfera, gostei muitíssimo desse livro.

Uma lesão cerebral, resultado de um acidente automobilístico, causa sérios danos ao especialista em ciência da computação Harry Benson. Ele começa a apresentar sintomas de uma doença que provoca súbitos ataques de violência, a Lesão Desinibitória Aguda (LDA). Numa tentativa de controlar esses impulsos de agressão, Benson é submetido a um revolucionário método cirúrgico em que eletrodos são implantados em seu cérebro. O objetivo do time de cirurgiões de Los Angeles, responsáveis pela experiência, é conter através de um microcomputador as perigosas crises homicidas do paciente. A cirurgia, porém, não é bem-sucedida.

Como uma trama relativamente comum consegue ser tão interessante? Acredito que seja a riqueza de detalhes. Crichton detalha bem cada um dos problemas e fatos da história, tanto é que ele incluiu uma lista de referências técnicas que utilizou como base para as explicações. As vezes a quantidade de informações técnicas até são meio irritantes, mas elas são necessárias para entender bem o contexto de tudo.

Mesmo que a história se passe num pequeno intervalo de tempo, o ritmo é frenético e a tensão constante. Harry Benson é o principal motivo disso tudo, já que sua personalidade contraditória cria situações interessantes: ele acredita que as máquinas estão dominando o mundo, mas no fim das contas ele mesmo acaba virando uma espécie de máquina. Crichton consegue explicar de maneira excelente a condição de Harry, ao mesmo tempo que analisa as consequências dos fatos.

O problema fica por conta dos outros personagens, já que são todos subdesenvolvidos e sem características muito marcantes (exceto a Dra. Janet Ross, que desenvolve bem até certo ponto), me deixando confuso em vários pontos. A narrativa as vezes é confusa também, pulando de ideias e fatos em questão de linhas, deixando a coisa meio truncada. Por fim seria interessante se os fatos anteriores aos da trama fossem explorados também.

Pouco a pouco estou ficando fã de Michael Crichton. O Homem Terminal tem uma trama boa, explicações e reflexões interessantes, amarrados com tensão e realismo. No fim das contas um ótimo livro.