Não conte a ninguém, de Harlan Coben

Depois de ter gostado muito de Cilada, fui atrás de outros livros do Harlan Coben, já que o estilo dele me agradou muito. Acabei escolhendo então ‘Não conte a ninguém’, já que parecia bem interessante pela sinopse.

Em ‘Não conte a ninguém’ Coben usa a mesma receita: um mistério é revelado logo no início (normalmente um assassinato), só que aos poucos os personagens vão descobrindo furos nesses fatos e começam a ir atrás da verdade. Nesse caso o protagonista David Back recebe um estranho email enviado supostamente por sua esposa, morta brutalmente 8 anos atrás. Logo após de receber este email David é tomado como suspeito do assassinato de sua própria esposa, sendo assim ele começa a investigar, tentando descobrir o que na verdade está acontecendo e se ela está realmente viva.

Coben tem uma narrativa bem dinâmica e a todo momento detalhes do mistério vão sendo revelados. O texto flui bem, com muitas cenas de ação e capítulos curtos. Acontece também que essa narrativa às vezes é um pouco confusa, já que o foco da história fica alternando entre os vários personagens, mostrando fatos em sua maioria desconexos, sendo assim é preciso muita atenção para não perder nenhum detalhe e conseguir entender as revelações.

Os personagens são bem básicos e um tanto quanto superficiais, parece que Coben preferiu focar mais no ritmo da trama no que os personagens. David é o típico protagonista comum que acaba se envolvendo sem querer em algo bem maior que ele, Shauna é a amiga esperta do protagonista comum, Hester Crimstein é a advogada bruta… e por aí vai, personagens que já vimos em outros lugares. No fim das contas a impressão que se tem é de estar assistindo um filme, já que é difícil se identificar com personagens tão subdesenvolvidos e estereotipados. A trama parece bem interessante no início, mas é muito mal desenvolvida e no fim parece bem simples. A revelação no fim do livro também não causa impacto nenhum.

‘Não conte a ninguém’ é uma leitura rápida e descompromissada. Sim, tem vários pontos negativos, mas não deixa de ser uma leitura legal para quem gosta de romances policiais com toques de Hollywood.

Cilada, de Harlan Coben

Muitas vezes na vida somos obrigados a fazer julgamentos que não gostaríamos de fazer. E queremos que eles sejam fáceis. Queremos confinar as pessoas em categorias bem definidas, anjos ou monstros, mas quase sempre o buraco é mais embaixo: a verdade está em algum lugar entre os dois extremos. E esse é o problema. Os extremos são bem mais fáceis. (pág 86)

Já fazia muito tempo que não lia nenhum romance policial (desde a trilogia Millenium, para ser preciso), logo fui atrás de Cilada por conta de uma colega que leu e gostou.

Haley McWaid tem 17 anos. É aluna exemplar, disciplinada, ama esportes e sonha entrar para uma boa faculdade. Por isso, quando certa noite ela não volta para casa e três meses transcorrem sem que se tenha nenhuma notícia dela, todos na cidade começam a imaginar o pior. O assistente social Dan Mercer recebe um estranho telefonema de uma adolescente e vai a seu encontro. Ao chegar ao local, ele é surpreendido pela equipe de um programa de televisão, que o exibe em rede nacional como pedófilo. Inocentado por falta de provas, Dan é morto logo em seguida. Na junção dessas duas histórias está Wendy Tynes, a repórter que armou a cilada para Dan e que se torna a única testemunha de seu assassinato. Wendy sempre confiou apenas nos fatos, mas seu instinto lhe diz que Mercer talvez não fosse culpado. Agora ela precisa descobrir se desmascarou um criminoso ou causou a morte de um inocente.

Cilada me prendeu do início ao fim. A narrativa de Coben é fluída e dinâmica, a todo momento um fato novo é apresentado. A trama é muito bem amarrada, sendo que o autor consegue administrar bem todos os fatos e personagens (que são muitos). Outro ponto que eu gostei foi que Coben consegue desenvolver muito bem a maioria dos personagens, inclusive os praticamente insignificantes, mesmo que o foco não seja muito bem esse. E a melhor parte, sem sombra de dúvidas, é que Coben utiliza de todos os detalhes espalhados pela trama e consegue fazer com o que o leitor conclua certas coisas… para bem lá na frente quebrar tudo e apresentar uma conclusão bem diferente e inesperada. Ah, as reviravoltas foram incríveis, fui surpreendido completamente.

O que pra mim não foi muito legal em Cilada foi o desenrolar de alguns acontecimentos. Um fato chave da história tem uma conclusão tão morna que parece que foi encaixado de qualquer jeito às pressas. Outra questão que incomoda um pouco é a quantidade de coisas acontecendo, são tantas que em alguns momentos fica meio confuso acompanhar direito o fio da trama.

No mais Cilada é um ótimo romance policial. Narrativa fluída e muitas reviravoltas inesperadas o torna bem interessante.