5 livros que li em 2010 e que você gostará de ler em 2011

Cá estou novamente com meus livros favoritos do último ano, assim como fiz no começo de 2010. Por mais que tenha sido um ano meio bagunçado na minha vida, a parte literária foi bem interessante. Foi até meio difícil escolher os melhores… e em contra partida eu também topei com coisas bem medianas, coisa que não me arrependo. Então segue a lista, em ordem de leitura. E para cada livro vai também um link para a resenha, vou me ater aos motivos de ter escolhido cada livro.

Eu sou o mensageiro – Markus Zusak

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim que comecei a ler esse livro eu já sabia que seria um dos meus favoritos do ano (e de todos os tempos pra mim, haha). Os personagens são extremamente cativantes, a história é interessante (e emocionante) e a escrita é ousada. Se não fosse um pequeno problema “preguiçoso” o livro seria perfeito… mas gostei muitíssimo mesmo assim.

The Wind-Up Bird Chronicle – Haruki Murakami

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguém ainda acha que não teria Murakami na minha lista? The Wind-Up Bird Chronicle é um romance muito ousado. Ele começa numa premissa completamente banal e desenvolve em algo completamente diferente, não deixando de ser interessante em nenhum segundo. Mais uma vez Murakami brinca com o real e o imaginário, resultando numa história repleta de personagens e situações inusitadas.

Maré Voraz – Amitav Ghosh

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nunca tinha nem ouvido falar de Amitav Ghosh, mas decidi arriscar por indicação do colega Marlo Renan. E não me arrependo, uma história estonteante. O que mais gostei aqui foram os personagens minuciosamente bem construídos, assim como as relações entre eles. O autor teve cuidado também de montar um universo completo, descrevendo completamente lendas e costumes do povo da região. Depois desse quero muito ler outras obras do autor.

O Nome do Vento – Patrick Rothfuss

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não sou muito fã de fantasia heroica, mas esse me surpreendeu. Um personagem principal interessante e um universo bem criado foram o que mais me cativaram aqui. Ok, tem algumas falhas como trechos desnecessariamente longos, termos enigmáticos e um final com anticlímax horrível… mas o resultado final é bem agradável, aguardo ansiosamente a continuação da série.

A Vida de Pi – Yann Martel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Premissa incrível, execução mediana… mas gostei mesmo assim. A Vida de Pi tem muitas reflexões legais e a história é conduzida de boa maneira (afinal como um garoto e um tigre conseguem viver juntos num bote salva-vidas por mais de 200 dias?). O começo é mediano, o meio é interessante (mas um pouco arrastado) e o fim é muito intrigante… o texto oscila um pouco, mas no fim o resultado é bom. E a principal questão que não gostei nesse livro foi o fato dele ser meio “nebuloso”, ou seja, as descrições não são claras o bastante para poder montar as cenas na mente, por mais que as indagações compensem esse problema.

Então é isso. Meu 2011 literário ainda é meio que um mistério pra mim, só tenho leve ideia do que me aguarda, o que é algo bom. 2010 explorei alguns estilos que eu não estava acostumado e pretendo continuar explorando mais estilos esse ano.

E você? O que leu ano passado e acha que vale a recomendação?

Maré Voraz, de Amitav Ghosh

Eles dois, Fokir e ela, poderiam muito bem ter sido rochedos ou árvores, de tão pouco que sabiam um sobre o outro, e o fato de não conseguirem se comunicar não era de certa forma melhor, mais honesto? Pois, comparada à maneira  como os ecos dos golfinhos espelhavam o mundo, a linguagem não passava de uma cartola cheia de truques, que faziam você se julgar equivocadamente capaz de ver através dos olhos de outra pessoa.

Adentrando em terrenos que nunca me aventurei, dessa vez decidi ler um romance de um autor indiano, por recomendação do colega Marlo Renan. E uau, fiquei maravilhado com a leitura.

Maré Voraz, do indiano Amitav Ghosh, se passa nas Sundarbans, região da baía de Bengala, próximo da Índia. O “País das Marés”, como é chamado, é consistido de inúmeras ilhas, rios e mangues e varias comunidades vivem nessas ilhas. É nesse cenário que acompanhamos Piya (uma bióloga marinha norte-americana), Kanai (um empresário  especializado em tradução) e Fokir (um humilde pescador), cada um em busca de algo no País das Marés. Falar além disso é estragar boa parte da trama.

Ghosh escreve de maneira simples e direta, com descrições excelentes. Eu mesmo não conhecia a região antes de ler o romance, depois que procurei imagens vi que batia perfeitamente com o que eu tinha imaginado pelas descrições. Toda a trama é bem construída, assim como os personagens que são profundamente desmontados e remontados. Ghosh teve também o cuidado de exibir muito bem toda a cultura do País das Marés, explicando com detalhes lendas e crenças de seu povo. Na obra são abordadas também questões ambientais e políticas, endossadas com fatos verídicos colocados de maneira bem concisa na trama.

A melhor característica, sem sombra de dúvidas, são seus personagens. Vários e vários capítulos são utilizados pra descrever e desvendar cada um dos personagens da trama, sendo que detalhes importantes são adicionados a cada minuto. Ghosh teve um cuidado muito grande ao construir personagens extremamente verossímeis, tornando cada um deles muito especial. A trama em si é muito simples e arrastada, os capítulos se intercalam muito entre passado e presente e em tramas secundárias e isso pode afastar a maioria das pessoas. E mesmo sendo um texto bem direto, as vezes quase técnico, várias sutilezas estão presentes, trazendo assim algumas pequenas surpresas.

Eu gostei muito do que li. Pouco a pouco os personagens e a trama foram crescendo dentro de mim, eu realmente me sentia assistindo tudo de perto. Gostei também da maneira que as questões ambientais e sociais foram colocadas, todas elas fluíram de maneira muito natural. Outro destaque pra mim foi o rumo e amadurecimento da maioria dos personagens, algumas coisas tomaram rumos diferentes do que eu imaginava. As partes finais foram bem surpreendentes também, com fatos e revelações muito interessantes. E por fim o livro explora inúmeros sentimentos e características humanas, digamos que trata de tudo um pouco de uma maneira muito boa. Mas só faltou um ponto para ser inesquecível: o livro todo poderia ser mais enxuto, muitos pontos são longos sem muito sentido e algumas explicações poderiam ter sido simplificadas. E seria muito útil também um glossário das várias palavras em bengali espalhadas pelo texto (e olha que são muitas), muitas vezes eu tive que pesquisar o que significava cada palavra para entender completamente.

De qualquer maneira Maré Voraz é uma leitura fascinante, um passeio incrível por uma região única e interessante .

 

*Leia aqui um trecho do livro