Faru's Eyes

Um olhar sobre coisas (não muito) importantes

Archive for the ‘Filmes’ Category

O tempo não espera por ninguém

com um comentário

Toki wo Kakeru Shoujo

4 estrelas! 

Não me lembro ao certo quando exatamente descobri Toki wo Kakeru Shoujo (algo como “a garota que conquistou o tempo”), mas lembro que foi procurando informações sobre Paprika. Não fiquei tão animado em vê-lo como o Paprika, mas era certo que eu iria assisti-lo…

Makoto é uma estudante que está tendo um dia muito ruim: acorda atrasada para a aula, acaba tendo um teste surpresa, causa um incêndio na aula de culinária. Quando pensa que está tendo um momento de paz, ela se encontra presa no laboratório de química da escola e acaba tropeçando em algo e consequentemente caindo. Nos segundos que duraram este tombo, Makoto tem uma estranha visão… Por fim ela consegue sair da sala e volta pra casa de bicicleta, só que Makoto sofre um acidente fatal. Mas algo incrível acontece: Makoto volta no tempo alguns segundos e assim consegue evitar sua própria morte. Ela descobre então que adquiriu uma habilidade chamada “salto no tempo”, habilidade essa que lhe permite voltar no tempo. Makoto começa a utilizar este poder da maneira que bem lhe convém… Mas será que ela é capaz de aceitar as conseqüências do uso desse poder?

A essência da história pode parecer um pouco genérica e batida, mas a execução da trama se revela bem original. Cada personagem tem uma personalidade única, mas ao mesmo tempo muito próxima da realidade, fazendo com que muitos se identifiquem com os mesmos. O trio principal apresenta muito carisma, se sobressaindo em relação aos outros personagens. Na parte técnica, Toki wo apresenta lindos e detalhados cenários, como é de se esperar de qualquer longa-metragem de animação japonesa. O traço dos personagens é simplista, aproximando com a realidade do mundo. Para acompanhar a história, belas melodias ao piano foram utilizadas, dando um ar simples e único ao filme

Por fim, o que mais me impressionou e cativou foram as cenas finais, repletas de emoção e imprevisibilidade, por mais que alguns pontos do desfecho fossem completamente previsíveis. A mensagem em que a história foi montada também é muito interessante, assim como a maneira que foi trabalhada

Toki wo Kakeru Shoujo é um ótimo drama, com algumas pitadas de comédia e romance. E fica no ar a reflexão: você está utilizando bem o seu tempo?

Escrito por Farley

Domingo,16 Setembro 2007 em 8:45 pm

Publicado em Animes, Filmes

Desvendando o labirinto?

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Labirinto do Fauno

 4 estrelas

O Labirinto do Fauno sempre me deu medo. Sempre. Quando assisti o trailer, pensei comigo: “credo, filme bizarro e medonho!”, mesmo todas as críticas sendo positivas. Pior ainda foi ver a classificação no verso do DVD alugado pelo meu irmão, 16 anos. Ou ele era realmente muito bom ou na verdade muito ruim. Ainda bem que gostei muito.

Ofélia é uma jovem garota que perdeu o pai recentemente e está acompanhando sua mãe, que está grávida, em uma viagem para a casa de Vidal, seu padrasto, que é o capitão das forças facistas daquela região.  Ofélia não aprova o novo casamento da mãe e não gosta de seu padrasto, muito menos da situação em que se encontra. Chegando ao lugar, Ofélia descobre um labirinto e lá encontra um Fauno, criatura meio humana, meio bode. Este fauno explica para Ofélia que na verdade ela é a princesa do reino subterrâneo e para poder regressar ao mesmo deve cumprir três tarefas. Enquanto Ofélia tenta completar as tarefas, Vidal tenta exterminar os rebeldes da região.

Sempre acreditei que O Labirinto do Fauno se tratasse de um conto de fantasia bem sombrio, mas não é bem essa a premissa do filme. A trama, inicialmente, é focada nas tarefas de Ofélia, mas o confronto entre os facistas e rebeldes tem tanto ou até mais foco. Acredito que isso é necessário para talvez explicar a situação de Ofélia. O círculo de personagens principais é bem construído, mas é necessária muita observação e capacidade de análise aguçada para realmente entender os motivos de cada um.  Fica também no ar o que é real e o que não é: será que Ofélia não está criando este “mundo” somente como uma válvula de escape ou o Fauno e as outras criaturas realmente existem?

Outro ponto que pesou pra mim foi a maneira que a história é contada. Poucas cores vivas e cenas repletas de brutalidade, tensão e violência (o que me traz angústia terrível, não gosto disso em exagero). A parte mais memorável de todo o filme foi a do Homem Pálido, foi possível sentir todo o peso e tensão daquele lugar naquele intervalo de tempo. Por fim fiquei fascinado pela beleza rústica do Fauno e do Homem Pálido, simplesmente incríveis.

O Labirinto do Fauno deve ser apreciado com muita atenção, os detalhes importantes estão meio que escondidos. E cabe cada um decidir o que é real e o que não é.

Escrito por Farley

Domingo,2 Setembro 2007 em 10:21 pm

Publicado em Filmes

Paprika: sonhos temperados

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Paprika2

4estrelas

Chiba Atsuko, uma psicoterapeuta, e Okita Kosaku, um cientista, criaram em conjunto com a sua equipe um impressionante aparelho chamado DC-mini. Com este aparelho é possível entrar nos sonhos dos pacientes para facilitar o tratamento dos mesmos. Os primeiros DC-mini criados são somente protótipos, sendo utilizados com cautela, pois é possível destruir a personalidade dos pacientes caso algo errado seja feito. O problema começa quando alguns desses DC-mini são roubados e logo em seguida os integrantes da equipe de desenvolvimento começam a serem atacados em seus sonhos. Dra. Chiba então passa a investigar quem está por trás destes ataques assumindo a forma da bela Paprika, correndo contra o tempo para evitar que os problemas tomem proporções ainda maiores.

Paprika é um passeio na mente dos personagens da trama. Dúvidas, problemas e lembranças são mostradas através de cenas repletas de simbolismos e detalhes. Por mais que não pareça, Paprika1boa parte dos personagens tem personalidade rica e complexa, que são exteriorizadas ao máximo nos sonhos. É necessária muita atenção para entender o que realmente se passa, o que realmente cada personagem sofre ou pensa.

Algo muito legal em Paprika é a maneira que a história é contada, ora na realidade, ora nos sonhos. Chega um momento que estes dois mundos parecem estar (ou realmente estão) sobrepostos, ficando difícil distinguir o que é sonho e o que é real, trazendo assim várias cenas interessantes. A trama é simples, sua conclusão mais ainda. Os mais atentos conseguirão perceber com certa facilidade quem está por trás dos ataques investidos contra a equipe. Outro ponto interessante são referências ao mundo da Psicologia e Mitologia, como o momento em que Paprika se transforma em uma fada com asas de borboleta (que representa a alma e a liberdade do corpo).

A arte é simplesmente incrível. O traço dos personagens tem um certo ar surreal (como o Dr. Shima), Paprika3ao mesmo tempo que são belos. Os cenários apresentam detalhamento absurdo e cores muito vivas e fortes. Destaque para o desfile estranho que acontece nos sonhos dos personagens. A trilha sonora é composta de poucas músicas, mas consegue dar o ar necessário ao filme. São canções que apelam mais para o estilo eletrônico e psicodélico, adicionando ainda mais à atmosfera surreal do filme. As duas músicas mais tocadas no filme grudam na cabeça com facilidade.

Paprika não é tão fácil de ser digerido. Muitos não irão gostar, dizendo que é muito confuso ou bagunçado. Já acho que este foi um fator decisivo para eu gostar muito do filme: é bem surreal, diferente. Como era de se esperar, assistir mais de uma vez ajuda a entender melhor o que se passa, assim como os motivos de cada personagem.

Enfim, Paprika é um ótimo tempero para a mente.

Escrito por Farley

Quarta-feira,4 Julho 2007 em 5:39 pm

Publicado em Animes, Filmes

A promessa, a virada e o prestígio – O Grande Truque

com 2 comentários

O Grande Truque

5estrelas

Um truque de mágica é dividido em três momentos. No primeiro momento o mágico mostra algo simples, ordinário. No segundo momento este algo simples é transformado em algo misterioso e nebuloso… No terceiro e último ato ocorre então “O Prestígio”: algo muito impressionante e realmente extraordinário acontece, algo nunca jamais visto.

Alfred Borden e Robert Angier são ajudantes em um perigoso truque de mágica. Por culpa de um erro de Borden, um acidente fatal ocorre neste truque e assim as coisas começam a dar errado. Borden e Angier então se separam e tentam a vida como ilusionistas, cada um a sua maneira. Começa assim uma competição interna entre os dois, alimentada principalmente pelo ódio e desejo de vingança de Angier, um tentando provar para o outro quem é melhor, com direito a truques sujos e trapaças. Borden então cria um novo e impressionante truque chamado O Homem Transportado e Angier fará o possível e o impossível para descobrir o segredo deste truque, mesmo que isso lhe custe a vida e a sanidade.

Toda a história é contada em cima dos três momentos de um truque de mágica, não sendo mostrada de uma forma linear, mas de uma forma que tenha que ser montada aos poucos, com qualquer detalhe sendo importante para o entendimento da trama. É fácil notar que Borden é mais simples que Angier principalmente por suas roupas e pelos teatros em que apresenta o seu show, mostrando assim um competente trabalho de figurino e escolha de locação. Todos os personagens são trabalhados muito bem, assim como a extrema rivalidade entre os protagonistas. A trilha sonora e a fotografia só ajudam a tornar a experiência ainda mais imersiva.

O destaque mesmo fica é na maneira de se prender a atenção do espectador. Pequenos truques são explicados na trama e isso faz com que se queria saber mais e mais. Se sente, assim como Angier, vontade de realmente descobrir o mistério por trás dos truques e principalmente por trás de “O Homem Transportado”. Detalhes que parecem bobos, falas que parecem sem muito sentido, cenas que parecem desconexas… ao fim tudo é atado de maneira impressionante, assim como vários pontos são deixados em aberto para uma possível discussão. A diversão é mais completa quando o filme é visto mais de uma vez e percebem-se sutilezas desde o início.

Raramente assisto um filme mais de uma vez (a única exceção com mais de 10 vezes assistido foi Vida de Inseto), mas este eu tenho certeza que assistirei mais do que uma vez. Isso porque sei que me divertirei tanto ou mais do que a primeira vez que o vi. O Grande Truque se mostrou bem mais do que aparenta no início, deixando verdadeiramente “o prestígio” para o fim.

Escrito por Farley

Sexta-Feira,11 Maio 2007 em 8:18 pm

Publicado em Filmes

3007

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Para quebrar esses tantos posts de animes, fiz duas mini-análises de dois filmes que vi recentemente:

300

 

4estrelas

O Império Persa quer tomar a cidade de Esparta a força. Mas Leônidas, rei de Esparta, não vai deixar isso acontecer. Como não teve a benção dos anciões da cidade, Leônidas vai enfrentar o exército Persa somente com sua guarda pessoal composta de 300 soldados. E pronto, não tem mais história.

300 é basicamente um épico de ação, a história é mínima. Tem uma side-story da mulher do Leônidas tentando ajuda-lo, mas são cenas totalmente inúteis e sem graça. Boa parte do filme é somente lutas, sendo essas muito bem coreografadas e repletas de efeitos como câmera lenta. Outro destaque do filme é sua fotografia, é belíssima e dá um ar totalmente único ao filme. A trilha sonora me pareceu inconsistente, ora são belas canções orquestradas, ora são músicas com arranjos de guitarra (que me lembraram a trilha sonora do jogo Prince of Persia na hora…). Algo interessante é que o filme retrata bem que tipo de cidade era Esparta: um lugar machista e perfeccionista, aonde os fracos e defeituosos são descartados. Não sei se realmente Esparta era mais ou menos do que foi retratado no filme, mas deu para observar esse ponto.

No mais é um ótimo filme-pipoca. Muito sangue, violência e luta. Pena que infelizmente não passa disso. O problema é que fui assisti-lo com uma expectativa muito alta e acabei me decepcionando um pouco.

007 Cassino Royale

 

2estrelas

Nunca consegui assistir um filme de James Bond até o fim, então decidi me esforçar e tentar acompanhar um deles até o fim. Pena que não foi uma experiência boa.

007 Cassino Royale é a primeira história de Bond como 007. Após se tornar um agente 00, Bond precisa ganhar um torneio de Pôquer e impedir que um banqueiro de organizações terroristas do mundo todo ganhe esse torneio e consequentemente o dinheiro.

A história é contada de maneira muito confusa. É possível que se chegue até a metade do filme sem entender muito bem o que se está passando. A fotografia e trilha sonora não oferecem nada de muito interessante, somente o básico e tornando-se praticamente esquecível. Para quebrar um pouco a monotonia foram colocadas algumas poucas cenas de ação, que sofrem muito, acredito eu, por causa da censura. A atuação do elenco também não chama muita atenção.

Ao fim do filme tive a sensação de ter visto algo feito especialmente para fãs. Acabei decepcionado e frustrado.

Escrito por Farley

Sexta-Feira,20 Abril 2007 em 8:24 pm

Publicado em Filmes

Muito gelo e dois dedos de vingança

com 3 comentários

Muito gelo e dois dedos d'água

3estrelas

O plano é simples: seqüestrar a maldita avó e faze-la sentir na pele todos seus conceitos rígidos, assim como sentiram suas netas Roberta e Suzana. As irmãs, que eram sempre alvo de provocações na escola, montaram este plano para se vingarem de sua avó que as atormentava e “torturava” na infância, em uma casa de praia. Acompanhadas de Renato, o advogado boboca, as irmãs prosseguem no seu plano de vingança.

Essa é a premissa básica de Muito gelo e dois dedos d’água, comédia nacional de 2006. A história gira em torno da vingança, temperada com um pouco de humor negro e muita maluquice. Muito pouco do passado das personagens principais é contado, mas este detalhe não é de muita relevância na história. Cada personagem conseguiu ser representado sem problemas, cada um com uma personalidade totalmente diferente do outro. Destaque para Mariana Ximenes que consegue espantar muita das mocinhas boas-bobas de sua carreira com a desbocada Roberta.

A fotografia e trilha sonora são simples, cumprem bem o seu papel. Algumas cenas da história, principalmente a infância de alguns personagens, são retratadas através de cenas de animação e ficaram muito boas e interessantes. Já outras não ficaram muito boas, pois é fácil perceber que foram gravadas em estúdio.

No geral temos um filme simples, mas que diverte muito. É uma ótima pedida pra quem quer algo só pra relaxar, nada de tramas confusas.

Escrito por Farley

Quarta-feira,14 Março 2007 em 8:44 pm

Publicado em Filmes

A nova moda no inferno é o salto alto

com 7 comentários

O Diabo Veste Prada

3 estrelas!

O Diabo Veste Prada é mais um daqueles filmes baseados em livros que andam pipocando por agora e como a maioria desse tipo de filme, sofre dos mesmos males.

Andrea Sachs é uma recém-formada em jornalismo e consegue um emprego como assistente de Miranda Priestly, editora da famosa revista de moda Runaway. Um emprego que “milhares de garotas dariam a vida por ele”. Andrea vê sua vida transformada em um inferno, graças a sua chefe que impõe absurdas tarefas, a qualquer hora do dia.

Tendo como tema central “moda”, não faltam modelos e belos figurinos, todos bem escolhidos. O mundo da moda também é construído com fidelidade, assim como os bastidores dessa indústria. O ritmo das cenas é rápido, com cortes que lembram videoclipes. A trilha sonora também cumpre o seu papel se encaixando perfeitamente.

Miranda, Andrea e Emily (segunda assistende de Miranda) são retratadas muito bem e suas personalidades são construídas com louvor. Miranda mostra bem o seu ar de pessoa-maligna-dominadora, Emily é do tipo não-tenho-nada-a-ver-com-isso e Andrea é a garota-do-interior-que-vai-pra-cidade. Infelizmente isso não acontece com Lily, Nate (Nate? de onde tiraram isso?!), Christian e muitos outros personagens importantes para a trama.

Como assisti a versão DVD, pude conferir os poucos bonus. Algumas das cenas excluídas são muito interessantes e acho que não deveriam ser cortadas; os freaturettes também são interessantes e mostram um pouco de detalhes sobre a produção do longa e por último temos os spots de TV e trailer.

Ao final temos um filme agradável. Não é uma comédia escrachada, mas tem o seu charme. Diverte muito, mas não passa além disso. Como é baseado num livro, sofreu várias adaptações: personalidades foram mudadas (principalmente Miranda, que é extremamente mais implacável no livro); a história ficou corrida (tornando o desenvolvimento dos personagens beirando o mínimo) e muita coisa foi cortada, principalmente uma mensagem que o livro tenta passar. Se gostou do filme recomendo que leia o livro que é algo bem mais completo (e engraçado).

Então é isso =]

Esse foi o meu primeiro texto “crítico” aqui, não achei que ficou muito bom, mas com o tempo vou melhorando. Espero que tenham gostado =]

Escrito por Farley

Terça-feira,20 Fevereiro 2007 em 2:38 pm

Publicado em Filmes