Sob Mil Disfarces, de Craig Clevenger


The Contortionist’s Handbook, upload feito originalmente por FaruSantos.

A história da vida de uma pessoa é igual ao que ela tem somado com o que mais deseja ter no mundo menos o que realmente está disposta a sacrificar para consegui-lo. Basta você descobrir essas coisas a respeito de alguém para saber quase todo o resto. Os números fracionários são os gestos de cabeça, trejeitos faciais ou movimentos das mãos que as pessoas fazem sem perceber, e todos eles levam a um resultado, se você souber notá-los (pág 86)

Mais um livro desconhecido e interessante, como é bom encontrar livros assim :)

Ele se chama Daniel Fletcher. Ou Paul Mcintyre. Ou Steve Edwards. Ou Eric Bishop. Os nomes se sucedem vertiginosamente. John Dolan Vincent, afinal, é um mestre da falsificação – e um gênio na construção de identidades. Vincent, que cresceu com a dolorosa peculiaridade de ter seus dedos em uma de suas mãos, vive de subempregos e de pequenos crimes. Seu segredo é passar despercebido e transformar-se em uma nova pessoa cada vez que se coloca em perigo. E cada vez que é internado por overdose na tentativa de vencer as lancinantes dores de cabeça que o atormentam. Agora, porém, o perigo está muito mais perto. Vincent/Fletcher está envolvido com uma organização criminosa muito mais eficiente – e cruel – do que poderia imaginar. Está colocando em risco a única pessoa a quem conseguiu amar. E, sob mil disfarces que inventou, está à beira de perder-se, definitivamente, de si mesmo.

Não se deixe enganar pela sinopse pretensiosa, Sob Mil Disfarces nem é isso tudo não, é um tanto mais simples. Não que seja algo ruim, mas acaba que a simplicidade da trama atrapalhe um pouco a experiência.

A história é meio que como uma montanha russa. Começa interessante e confusa, ao mesmo que é instigante, tudo de uma maneira que o leitor quer saber melhor o que está acontecendo. Aí a história desce, fica morna e um tanto quanto comum… até quase no desfecho aonde cenas interessantíssimas acontecem. No fim das contas eu gostei do resultado, mesmo que a parte morna tenha alguns pontos meio repetitivos, mas os momentos finais intensos salvaram bem o conjunto.

A melhor característica de Sob Mil Disfarces sem sombra de dúvidas é o protagonista John Vincent. Ele é extremamente bem construído, por mais que seja levemente estereotipado por ter características comuns de personagens desse tipo de trama (memória fotográfica, extremamente inteligente), mas o autor consegue contrabalancear isso tudo com defeitos fortes (um pouco de paranoia implícita e dependência em drogas). Os melhores momentos são as análises detalhadas de John das pessoas e situações, assim como sua excepcional capacidade de manipulação.

Alguns não podem gostar do final meio inconclusivo, assim como muitos trechos supostamente inúteis. Sim, tem muitas partes que realmente não adicionam muito à trama… Mas fui surpreendido por certas coisas que John fez e pareciam sem propósito pra poder utilizar de maneira muito inteligente bem mais na frente. O outro principal problema é a “parte antagonista” da história que é muito subdesenvolvida e não faz tanta diferença. E essa edição que li tinha alguns erros de ortografia, felizmente não chega a arruinar a experiência.

Me surpreendi com Sob Mil Disfarces. Uma história interessante e inteligente, que só peca por investir em alguns pontos não muito importantes. Muito bom!

One comment to Sob Mil Disfarces, de Craig Clevenger

  1. [...] 2011). Foi um ano repleto de altos e baixos com algumas surpresas muito boas (Eu, robô, Feios, Sob Mil Disfarces) e outras bem medianas (A Carta Esférica, Em uma noite sem luar, Histórias Extraordinárias). [...]

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