Sangue de Tinta, de Cornelia Funke

Tenho medo das palavras, Meggie! Antes elas eram mel, agora são veneno, puro veneno! Mas o que é um escritor que não ama mais as palavras? O que ainda sou? Essa história me devora, ela me esmaga, a mim, seu criador! (pág 529)

Continuando a história iniciada em Coração de Tinta, desta vez Meggie dá um jeito dela mesma entrar para dentro do livro Coração de Tinta, logo após Dedo Empoeirado conseguir o mesmo feito com a ajuda de um estranho leitor de nome Orfeu. Acontece que o Mundo de Tinta não é tão mágico o quanto ela imaginava e muitos perigos estão a espera.

Num primeiro momento Sangue de Tinta soa como uma continuação natural do primeiro, mas notei que houve uma evolução grande em todos os sentidos. A começar pelos personagens, dessa vez eles estão bem mais interessantes e bem trabalhados, sendo um exemplo claro Dedo Empoeirado, Fenóglio e Mo. As situações também são bem mais inusitadas e intensas, uma história mais elaborada e bem menos infantil em relação ao primeiro (nada de boa parte do livro mantendo os personagens principais presos em masmorras). Sem sombra de dúvidas a melhor característica da trama é Meggie e Fenóglio tentando corrigir (em vão) os vários problemas do Mundo de Tinta, sendo que as vezes a situação faz é piorar.

O defeito dessa vez fica por conta da escrita da autora. Sim, o estilo é bem similar ao do primeiro livro, só que falta dinamismo em certas cenas importantes, principalmente momentos de ação e tensão. Uma pena também que Funke não tenha explorado melhor alguns personagens secundários. E o final também deixa um pouco a desejar, talvez um pouco por conta da falta de dinamismo nas cenas finais.

Sangue de Tinta é uma excelente continuação e expande de maneira incrível o universo apresentado em Coração de Tinta. Fico curioso em como a trilogia vai ser concluída.

O Homem Terminal, de Michael Crichton

Depois de ler Esfera e ter gostado muito, fui atrás de mais obras do Michael Crichton e acabei encontrando O Homem Termina. Assim como Esfera, gostei muitíssimo desse livro.

Uma lesão cerebral, resultado de um acidente automobilístico, causa sérios danos ao especialista em ciência da computação Harry Benson. Ele começa a apresentar sintomas de uma doença que provoca súbitos ataques de violência, a Lesão Desinibitória Aguda (LDA). Numa tentativa de controlar esses impulsos de agressão, Benson é submetido a um revolucionário método cirúrgico em que eletrodos são implantados em seu cérebro. O objetivo do time de cirurgiões de Los Angeles, responsáveis pela experiência, é conter através de um microcomputador as perigosas crises homicidas do paciente. A cirurgia, porém, não é bem-sucedida.

Como uma trama relativamente comum consegue ser tão interessante? Acredito que seja a riqueza de detalhes. Crichton detalha bem cada um dos problemas e fatos da história, tanto é que ele incluiu uma lista de referências técnicas que utilizou como base para as explicações. As vezes a quantidade de informações técnicas até são meio irritantes, mas elas são necessárias para entender bem o contexto de tudo.

Mesmo que a história se passe num pequeno intervalo de tempo, o ritmo é frenético e a tensão constante. Harry Benson é o principal motivo disso tudo, já que sua personalidade contraditória cria situações interessantes: ele acredita que as máquinas estão dominando o mundo, mas no fim das contas ele mesmo acaba virando uma espécie de máquina. Crichton consegue explicar de maneira excelente a condição de Harry, ao mesmo tempo que analisa as consequências dos fatos.

O problema fica por conta dos outros personagens, já que são todos subdesenvolvidos e sem características muito marcantes (exceto a Dra. Janet Ross, que desenvolve bem até certo ponto), me deixando confuso em vários pontos. A narrativa as vezes é confusa também, pulando de ideias e fatos em questão de linhas, deixando a coisa meio truncada. Por fim seria interessante se os fatos anteriores aos da trama fossem explorados também.

Pouco a pouco estou ficando fã de Michael Crichton. O Homem Terminal tem uma trama boa, explicações e reflexões interessantes, amarrados com tensão e realismo. No fim das contas um ótimo livro.