Esfera, de Michael Crichton

Li uma sinopse um pouco mais detalhada de Esfera e esperava um thriler sci-fi… e realmente é isso e mais um pouco.

Em Esfera, Michael Crichton fala-nos de uma intrigante e admirável descoberta feita no Pacífico Sul. A mil pés da superfície da água foi encontrada uma nave espacial de dimensões descomunais e que, embora tudo indique que tenha caído do céu, parece estar intacta. Mas a equipa de cientistas encarregada de investigar a nave vai ainda fazer uma outra descoberta absolutamente surpreendente. É que a nave parece ter, no mínimo, trezentos anos.

Com um ritmo acelerado, Esfera lembra muitíssimo um filme de ficção científica, mas surpreendentemente tudo é muito bem desenvolvido e tem lógica (até certo ponto, claro). A maioria dos personagens é bem interessante e como a narrativa é do ponto de vista de um psicólogo, acompanhamos análises detalhadas sobre a personalidade de cada um. Na verdade o maior destaque é justamente esses personagens, são suas características psicológicas que movem todos os acontecimentos. As explicações são bem lógicas e bem fundamentadas, só uma ou outra coisa que parece meio estranha. E é difícil largar a leitura, já que todo momento algo novo e instigante acontece.

A parte ruim fica por conta dos fatos que parecem “jogados”: as vezes do nada acontece algo estranho, sem explicação nenhuma… Outro problema é que com tanta coisa acontecendo demora muito para as explicações serem feitas, se eu não soubesse de certos pontos-chave da trama eu provavelmente teria gostado bem menos. Ah, o final também é digno de nota: não é ruim, mas é um tanto quanto preguiçoso e acaba diminuindo demais todos os acontecimentos na trama.

No fim das contas gostei muitíssimo de Esfera. Para mim os defeitos não incomodaram tanto, mesmo eu que não gosto desse tipo de história adorei. Um ótimo thriler sci-fi que não se resume somente em acontecimentos estranhos e sem explicação, muito bom!

O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar, de Yukio Mishima

Acabei lendo esse livro por acaso e fiquei bem intrigado com ele…

O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar é a história de um garoto de treze anos que junto de um gangue de garotos de sua idade possuem um ódio pelo mundo adulto. Diante do enlace amoroso de sua mãe, uma viúva atraente, e um oficial da marinha mercante, os seus sentimentos se tornam mais obsessivos e trágicos.

A trama, numa primeira olhada, parece extremamente simples (e realmente é), mas a escrita de Mishima e o trio de personagens principais deixa tudo bem atraente. Fusako é a viúva que sente falta de um companheiro e tem uma vida regular desde a morte do marido; Ryuji é um marinheiro solitário que finalmente encontra em Fusako um motivo para ficar em terra; Noburu é um garoto introspectivo e que na verdade se sente superior aos adultos e suas regras, influenciado facilmente por falta da figura de um pai. Todos eles têm personalidades bem profundas e reflexões bem interessantes, sendo Noburu e sua ‘gangue’ o maior destaque.

O estilo de Mishima é bem descritivo e rebuscado: um simples pensamento pode se estender por 2 ou mais parágrafos. Em boa parte do tempo esse recurso é bom, só que em alguns momentos se torna algo meio cansativo. Notei também que o texto tem várias passagens autobiográficas, principalmente no que diz respeito à gangue de Noburu, já que Mishima teve uma vida bem conturbada. E existem também alguns momentos bem desconcertantes, por mais que necessários.

No fim das contas ‘O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar’ não é um livro fácil de se recomendar. Um pouco cansativo e muito brutal (principalmente no final), só agrada quem realmente tiver disposto a relevar estas questões. Mesmo com tantas ressalvas achei que foi uma ótima leitura.