Archive for Setembro 2007
Esporte virtual


Depois de vários meses guardando todas as moedas e dinheiros possíveis finalmente comprei um Wii. E não me arrependo dos sacrifícios feitos. Não peguei nenhum jogo jogo mesmo, só estou aproveitando o simpático Wii Sports (e agora um Sonic and the Secret Rings emprestado, que já adianto que é muito legal).
Wii Sports é uma vitrine do que o Wiimote é capaz. São cinco modalidades de esportes: tênis, golf, baseball, boxe e boliche. Como personagens são utilizados os Miis (avatares cartunizados que podem ser construídos e armazenados no Wii). Os gráficos são bem simples, música quase inexistente. Além da possibilidade de jogar qualquer uma das modalidades, é possível também jogar seções de treinamento e um “treinamento diário” que mostra a evolução do Mii através de um gráfico.
A qualidade do reconhecimento dos movimentos entre as modalidades varia muito, sendo os mais realistas o boliche e golf e sendo os mais aleatórios o baseball e boxe. Mas todos são divertidos mesmo assim, ainda mais quando jogado em multiplayer. No mais os meus preferidos são o boxe e golf, sendo meus menos preferidos o tennis e baseball.
Por fim Wii Sports é um bom aperitivo sobre o que o Wii é capaz na jogabilidade, mas ficou devendo mais profundidade. Não chega a ser um jogo ruim, já que acompanha o console. Mas basta chamar alguns amigos que Wii Sports se torna divertidíssimo.
O tempo não espera por ninguém

Não me lembro ao certo quando exatamente descobri Toki wo Kakeru Shoujo (algo como “a garota que conquistou o tempo”), mas lembro que foi procurando informações sobre Paprika. Não fiquei tão animado em vê-lo como o Paprika, mas era certo que eu iria assisti-lo…
Makoto é uma estudante que está tendo um dia muito ruim: acorda atrasada para a aula, acaba tendo um teste surpresa, causa um incêndio na aula de culinária. Quando pensa que está tendo um momento de paz, ela se encontra presa no laboratório de química da escola e acaba tropeçando em algo e consequentemente caindo. Nos segundos que duraram este tombo, Makoto tem uma estranha visão… Por fim ela consegue sair da sala e volta pra casa de bicicleta, só que Makoto sofre um acidente fatal. Mas algo incrível acontece: Makoto volta no tempo alguns segundos e assim consegue evitar sua própria morte. Ela descobre então que adquiriu uma habilidade chamada “salto no tempo”, habilidade essa que lhe permite voltar no tempo. Makoto começa a utilizar este poder da maneira que bem lhe convém… Mas será que ela é capaz de aceitar as conseqüências do uso desse poder?
A essência da história pode parecer um pouco genérica e batida, mas a execução da trama se revela bem original. Cada personagem tem uma personalidade única, mas ao mesmo tempo muito próxima da realidade, fazendo com que muitos se identifiquem com os mesmos. O trio principal apresenta muito carisma, se sobressaindo em relação aos outros personagens. Na parte técnica, Toki wo apresenta lindos e detalhados cenários, como é de se esperar de qualquer longa-metragem de animação japonesa. O traço dos personagens é simplista, aproximando com a realidade do mundo. Para acompanhar a história, belas melodias ao piano foram utilizadas, dando um ar simples e único ao filme
Por fim, o que mais me impressionou e cativou foram as cenas finais, repletas de emoção e imprevisibilidade, por mais que alguns pontos do desfecho fossem completamente previsíveis. A mensagem em que a história foi montada também é muito interessante, assim como a maneira que foi trabalhada
Toki wo Kakeru Shoujo é um ótimo drama, com algumas pitadas de comédia e romance. E fica no ar a reflexão: você está utilizando bem o seu tempo?
Micro-blogging
É fato que raramente atualizo esse meu blog. Também é fato que eu escrevo praticamente pro Google, já que quase ninguém que eu conheço lê meus textos. Mas estou feliz com isso. E agora descobri mais algo semi-inútil pra minha vida.
O Twitter é uma espécie de micro-blog: você só pode postar frases curtas, de até 140 caracteres. E só. Nada de imagens e vídeos embutidos, no máximo links. Pra completar o pacote isso tudo é também uma pequena rede social, aonde você “acompanha” as atualizações de seus amigos e vice-versa. Os posts podem ser feitos tanto no próprio site quanto pelo Gtalk ou até mesmo por SMS (grátis!). A qualidade dos posts vão de completamente inútil (“Acabei de acordar”) à notícias (como o Twitter do New York Times).
Eu acabei abrindo um pra mim por achar a idéia interessante. É muito fácil e rápido postar qualquer coisa lá e também tem que ser bem criativo pra poder falar algo interessante com tão poucos caracteres. Já mergulhei um pouco fundo nele e já descobri um povo bem legal, vou passar a “seguir” eles. A alegria só não está completa por estas pessoas se tratarem de totais desconhecidos para mim, seria muito mais legal se fosse a minha rede de amigos mesmo.
Mas é isso aí. Aqui está a minha página lá, tento escrever coisas mais ou menos interessantes, mas no começo foi tudo meio aleatório mesmo. E ao contrário deste blog ela é atualizada com muito mais freqüência =]
Desvendando o labirinto?


O Labirinto do Fauno sempre me deu medo. Sempre. Quando assisti o trailer, pensei comigo: “credo, filme bizarro e medonho!”, mesmo todas as críticas sendo positivas. Pior ainda foi ver a classificação no verso do DVD alugado pelo meu irmão, 16 anos. Ou ele era realmente muito bom ou na verdade muito ruim. Ainda bem que gostei muito.
Ofélia é uma jovem garota que perdeu o pai recentemente e está acompanhando sua mãe, que está grávida, em uma viagem para a casa de Vidal, seu padrasto, que é o capitão das forças facistas daquela região. Ofélia não aprova o novo casamento da mãe e não gosta de seu padrasto, muito menos da situação em que se encontra. Chegando ao lugar, Ofélia descobre um labirinto e lá encontra um Fauno, criatura meio humana, meio bode. Este fauno explica para Ofélia que na verdade ela é a princesa do reino subterrâneo e para poder regressar ao mesmo deve cumprir três tarefas. Enquanto Ofélia tenta completar as tarefas, Vidal tenta exterminar os rebeldes da região.
Sempre acreditei que O Labirinto do Fauno se tratasse de um conto de fantasia bem sombrio, mas não é bem essa a premissa do filme. A trama, inicialmente, é focada nas tarefas de Ofélia, mas o confronto entre os facistas e rebeldes tem tanto ou até mais foco. Acredito que isso é necessário para talvez explicar a situação de Ofélia. O círculo de personagens principais é bem construído, mas é necessária muita observação e capacidade de análise aguçada para realmente entender os motivos de cada um. Fica também no ar o que é real e o que não é: será que Ofélia não está criando este “mundo” somente como uma válvula de escape ou o Fauno e as outras criaturas realmente existem?
Outro ponto que pesou pra mim foi a maneira que a história é contada. Poucas cores vivas e cenas repletas de brutalidade, tensão e violência (o que me traz angústia terrível, não gosto disso em exagero). A parte mais memorável de todo o filme foi a do Homem Pálido, foi possível sentir todo o peso e tensão daquele lugar naquele intervalo de tempo. Por fim fiquei fascinado pela beleza rústica do Fauno e do Homem Pálido, simplesmente incríveis.
O Labirinto do Fauno deve ser apreciado com muita atenção, os detalhes importantes estão meio que escondidos. E cabe cada um decidir o que é real e o que não é.



