Recomendações: DSiWare

O DSiWare foi a segunda plataforma de jogos digitais da Nintendo. Mas ao contrário do WiiWare, o DSiWare teve visibilidade bem reduzida por só estar disponível no DSi (console que nem todo mundo comprou por já ter o DS normal). Com o lançamento do 3DS e seu eShop estes jogos passaram a ter maior visibilidade, já que agora muito mais gente pode conferir os jogos de DSiWare. O único problema é que o serviço está infestado de jogos ruins… sendo assim pensei em recomendar meus favoritos. O título de cada jogo leva para a respectiva página no catálogo de jogos de DSiWare da própria Nintendo.

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Link ‘n’ Launch

Com certeza meu jogo de DSiWare favorito. Link ‘n’ Launch é mais um daqueles puzzles de conceito simples mas repleto de situações complexas. O objetivo é mover peças, ligando uma fonte de energia a um foguete, fazendo assim ele avançar pelo cenário, até alcançar o planeta no fim do percurso num certo limite de tempo. Além disso existem algumas variáveis: é possível determinar a direção que o foguete sobe (tomando cuidado para não sair dos limites do cenário), é possível fazer melhorias no foguete (fazendo ele voar mais longe), existem também regiões diferentes que só atrapalham(com sombras que não deixam ver os formatos dos blocos, por exemplo). Começa extremamente fácil e vai se tornando muitíssimo difícil. Além disso existe também um modo puzzle, aonde você deve ativar o foguete com a menor quantidade de movimentos possível.


Aura-Aura Climber

Uma experiência arcade bem divertida. A estrela Aura-Aura caiu do céu e decide voltar para lá, para isso ela usa uma espécie de gancho para se agarrar a outras estrelas e conseguir subir até o céu. O jogo é basicamente isso: ir pulando e usando o gancho para subir até o final da fase. É claro que no meio do caminho tem vários inimigos e outros perigos para desviar, assim como itens que ajudam Aura-Aura (bombas para destruir inimigos e melhorias para o seu gancho). Tem dois modos de jogo (Score Attack e Endless) e existem variadas medalhas (estilo ‘conquistas’)para serem adiquiridas. O melhor de tudo é que é bem barato, somente 2 dólares.


Art Style: BOXLIFE

Um jogo cujo objetivo é fazer caixas. Parece um conceito bobo, mas é um jogo bem complicado. O que acontece é que o jogo só te dá uma grande área desforme de papel e você tem que cortar e montar caixas, sem deixar nenhum espaço sobrando. Para isso é necessário fazer vários padrões diferentes para conseguir aproveitar completamente tudo. Tem também um modo “endless”, aonde você ganha dinheiro e pode comprar itens para enfeitar a tela-título.

 

 


Art Style: precipice

Outro jogo de conceito simples: caixas estão caindo do céu e você deve sobreviver. Para isso você pode mover ou subir nas caixas, sempre de olho no fôlego do personagem que aos poucos vai acabando (e pode ser recuperado ao passar em cima de caixas específicas. Existem dois modos: ‘Ten Floors’ e ‘Tower’. Em ‘Ten Floors’ o objetivo é subir 10 “andares” de caixas, tentando alcançar a maior pontuação possível (você ganha pontos ao passar por cima das caixas). Já o modo ‘Tower’ tem uma área de jogo bem menor, mas o objetivo é sobreviver o máximo possível.

 


Spin Six

Esse puzzle na verdade é uma versão reduzida de Nonono Puzzle Chairian para Gameboy Advance. Como qualquer puzzle que envolve milhares de peças coloridas, o objetivo aqui é agrupar várias peças da mesma cor, girando-as. Mas a principal diferença é que para as peças serem eliminadas é necessário agrupar peças de acordo com o número escrito nela. Por exemplo, para eliminar peças que tenham um 3 escrito é necessário agrupar 3 peças contendo 3 em uma linha… só que ao invés delas sumirem é adicionado 1 unidade à peça, ou seja, agora são necessárias 4 peças de número 4 para eliminá-las. E assim sucessivamente até o número máximo de 6, que é quando elas finalmente são eliminadas. A mecânica é difícil de ser explicada (um vídeo aqui), mas é um jogo fácil de jogar e com inúmeras possibilidades de combo. Oferece vários modos como Puzzle, Time Attack e Endless. Uma pena que o modo vs da versão de GBA não foi incluído.


Mighty Flip Champs!

Mais um puzzle (é o último, prometo!) muito divertido, mas desafiador. Em Mighty Flip Champs! temos que encontrar os amigos da jovem Alta e guiá-la até o fim dos labirintos. A diferença é que todos labirintos são feitos de 2 ou mais dimensões, sendo que para avançar é necessário ir alternando entre essas dimensões com o cajado mágico de Alta. A próxima dimensão é mostrada na tela de baixo e uma sombra de Alta é mostrada lá também, detalhando aonde você vai parar caso use o cajado. Como Alta não consegue pular, é necessário pensar com cuidado cada um dos movimentos para conseguir avançar.


Shantae: Risky’s Revange

Esse praticamente dispensa apresentações. Shantae: Risky’s Revange é a continuação do excelente Shantae de GBC. É um jogo de plataforma, com muitos toques de exploração. Os gráficos são excelentes, a jogabilidade é boa e o jogo é divertido (por mais que um pouco repetitivo). Uma pena que ele seja simples demais quando comparado ao primeiro de GBC.

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No mais essas são as minhas recomendações. Ok, sei que tem muitos puzzles (o que posso fazer se gosto?), mas garanto que valem a pena. E você, me recomenda algum outro jogo? :)

O Temor do Sábio, de Patrick Rothfuss

-Não era inútil – protestei. – São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas.
(…)
-Assim, quando ele encontrar as respostas – continuei -, elas lhe serão preciosas. Quanto mais difícil a pergunta, com mais empenho procuramos a resposta. Quanto mais a procuramos, mais aprendemos.
(pág 545)

O Nome do Vento foi um dos livros que mais gostei em 2010, sendo assim eu aguardava ansiosamente pela continuação. E depois de alguns atrasos finalmente O Temor do Sábio foi lançado e corri para ler.

Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver – até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.

Olhar para o livro pode assustar alguns: são exatas 960 páginas. Meu primeiro pensamento, baseado no que vi no primeiro volume, era que boa parte dessas páginas seria meio que enrolação, mas me enganei em boa parte. O estilo de Rothfuss melhorou consideravelmente e a narração está ainda mais fluída, você mal nota as páginas passando. O autor também foi inteligente e decidiu omitir fatos não tão importantes (no contexto da história Kvothe simplesmente diz para o Cronista que não era muito importante), evitando assim trechos desnecessários e possivelmente cansativos. Além disso não houve mais alterações no estilo da narrativa, contando ainda com um texto envolvente.

A trama em si é continuação dos relatos de Kvothe. Enquanto o primeiro livro tratava de sua infância, aqui acompanhamos sua adolescência e seu amadurecimento. Também conhecemos um pouco mais dos Quatro Cantos da Civilização, já que Kvothe viaja para a região leste deste mundo. Lá ele passa por todo tipo de situação e problema, enquanto continua buscando pistas sobre o Chandriano. Kvothe vai construindo aos poucos sua reputação de herói e mito, mesmo que para isso ele tenha que omitir e manipular certos fatos, mostrando o quanto ele também é falho e orgulhoso. É interessante também perceber o contraste entre os dois Kvothe através dos capítulos de interlúdio: o do passado é um jovem aventureiro e destemido; enquanto o do presente é somente um sopro do que já foi um dia, lamentavelmente simplório e sem esperanças.

Analisando com cuidado percebe-se que na verdade a trama é dividida em pequenas sub-histórias, quase independentes entre si, sendo que Rothfuss consege amarra-lás bem. Outro ponto interessante é o cuidado do autor em construir bem a cultura das várias regiões, mostrando com cuidado histórias e mitos de cada povo. Detalhes como a dinâmica da corte da região de Vintas, a ligação entre o mundo mortal e o mundo dos Encantados, os contos do Grante Taborlin (uma espécie de herói mítico nesse mundo), por exemplo, são explorados minuciosamente sem parecerem enfadonhos. Destaque principalmente para a região de Ademre, lá a cultura é completamente diferente e única.

Um ponto que não gostei tanto foi a questão da inserção de sexualidade na história: não foi de forma muito natural e acabou que Kvothe se transformou e acostumou com isso muito rapidamente. Em alguns poucos pontos a trama chega a ser um pouquinho arrastada sim, principalmente assim que Kvothe chega a Vintas e em seu encontro com a Feluriana. Além disso tudo flui bem.

O Temor do Sábio é um excelente livro. Rothfuss conseguiu expandir muito bem esse universo, mostrando mais e mais detalhes, tornando tudo muito rico. Estou muitíssimo curioso em relação ao próximo volume, quero saber o motivo da mudança de Kvothe e especulo também o que pode ser contado além de suas memórias. Para quem gosta de tramas de fantasia, O Temor do Sábio é altamente recomendado.

Análise: Mighty Switch Force!

E o eShop continua mostrando sinais de que vai sempre trazer jogos de qualidade. Além do ótimo Pushmo, eu estava de olho também no Mighty Switch Force, que saiu bem antes que eu esperava. Mesmo não sendo muito bem o que eu esperava eu gostei muito do jogo.

Em Mighty Switch Force controlamos a official Patricia Wagon, uma policial robótica que tem que capturar as fugitivas Hooligan Sisters. Para isso ela conta com uma arma para destruir os inimigos e uma sirene que é capaz de alterar a posição de blocos espalhados pelas fases. A principal mecânica de jogo é justamente essa de ficar alternando a posição dos blocos (do “plano de fundo” para o “plano de frente” e vice-versa) para poder prosseguir, resultando numa espécie de “puzzle de plataforma”.

A apresentação é excelente: os gráficos são muito bonitos, com bonitos sprites que apresentam animações fluídas. O efeito 3D é simples e sutil, colocando os varios planos em camadas diferentes, resultando num efeito muito agradável. O problema fica por conta dos cenários extremamente repetitivos e a pouca variedade de inimigos, dá pra contar nos dedos as poucas diferenças entre as fases. A música é legal também, com uma variedade boa de canções.

Veja o vídeo para entender a jogabilidade

O maior destaque mesmo é a jogabilidade de puzzle-plataforma. Começa com situações bem simples como “troque os blocos para prosseguir” e evolui para situações bem complexas que exigem pulos precisos e trocas de blocos na hora certa. Algo que ajuda a manter a jogabilidade sempre nova são outros tipos de blocos com outros usos, como um que serve para jogar inimigos (e a própria Patricia) pelos cenários. Uma pena que essas ideais sejam usadas de maneira meio superficial, dá para sentir que era possível criar situações mais complexas e variadas.

Olhando com atenção Mighty Switch Force parece um jogo inacabado. Isso pois são somente 13 fases, com fator replay praticamente nulo (a única coisa que existe além de passar das fases é bater um tempo específico em cada uma), sendo possível terminar o jogo em aproximadamente uma hora. Ao menos é um jogo barato, com conteúdo relativamente compatível. E mais uma vez é um jogo que não usa os recursos do 3DS, será que isso vai ser um estigma dos jogos de eShop?


No mais Mighty Switch Force é um jogo legal, mesmo apresentando uma quantidade reduzida de conteúdo. Não está no mesmo nível de alguns outros lançamentos digitais da Wayforward (Mighty Flip Champs! e Shantae, por exemplo), mas tem ideias bem interessantes. Quem sabe não surge uma espécie de expansão no futuro?

Mighty Switch Force! está disponível no Nintendo eShop. Site oficial aqui.

5 livros de 2011

Continuando a tradição, mais uma vez compilei uma lista com as minhas leituras favoritas do último ano (nesse caso 2011). Foi um ano repleto de altos e baixos com algumas surpresas muito boas (Eu, robô, Feios, Sob Mil Disfarces) e outras bem medianas (A Carta Esférica, Em uma noite sem luar, Histórias Extraordinárias). Acabou também que li bem menos do que gostaria (cheguei a passar um mês sem ler), mas foi bem interessante. Ah, como projeto paralelo tirei fotos de todos os livros que li, vou continuar fazendo isso esse ano, achei bem divertido =]


Kafka à beira-mar – Haruki Murakami

Sim, sempre vai ter Murakami na minha lista. Kafka à beira-mar se tornou um dos meus livros favoritos do Murakami. É uma trama superficialmente simples e difícil de explicar, mas repleta de questões nas entrelinhas. Como sempre tem muitas características do Murakami como o fantástico e a questão da solidão. Destaque principalmente para Nakata, um dos personagens mais cativantes de toda a obra do Murakami. E ano que vem provavelmente vai ter Murakami de novo na minha lista, finalmente 1Q84 será lançado em português e o pouco que já li em inglês já adorei.


Esfera – Michael Crichton

Uma das ótimas surpresas de 2011, Esfera é um livro de ficção científica que escapa dos clichês desse gênero. Foi o primeiro livro que li do Michael Crichton e me prendeu do início ao fim. Sim, a trama é bem parecida com essas ficções científicas comuns, mas Crichton usa de artifícios da psicologia para conduzir e explicar tudo, tornando a história elegantemente inteligente.


Série Mundo de Tinta – Cornelia Funke

Aqui eu tive que sabotar a lista… A série Mundo de Tinta na verdade são três livros: Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta, mas como recomendação funciona melhor os três juntos. Em Mundo de Tinta acompanhamos Mo e Meggie, pessoas que têm o dom (ou maldição?) de tornar realidade tudo que lêm em voz alta. É uma aventura de fantasia muito boa, que começa ingênua em Coração de Tinta e termina bem sombria em Morte de Tinta. Foi justamente a evolução da história que eu gostei, sem contar que foi minha redenção com Cornelia Funke já que eu não tinha gostado muito de outro livro dela.


Marina – Carlos Ruiz Zafón

Mais uma escolha óbvia na minha lista, já que Zafón também é um dos meus autores favoritos. Marina é um trabalho anterior aos sucessos recentes de Zafón (A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo), mas tem as várias características do autor. É uma história frenética, cheia de revelações a todo momento e personagens memoráveis. Outro fato legal é Zafón abordando certos temas que ele não usou em seus outros trabalhos, como o grotesco. No mais uma ótima leitura enquanto O Prisioneiro do Céu, quarto livro da série barcelonesa iniciada em A Sombra do Vento, não é lançado em português.


Do Outro Lado – Natuso Kirino

Provavelmente o livro mais interessante que li em 2011, Do Outro Lado é eletrizante. Nunca tinha lido algo que me fizesse sentir emoções tão extremas quanto senti ao ler esse livro. É uma história pesada, sombria, cruel e brutal, mas que prende o tempo todo. Fiquei sempre tentando me colocar no lugar dos personagens, compartilhando seus problemas e sofrimentos, tentando entender suas motivações. Foi uma experiência memorável.

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E é isso. 2012 promete ser bem interessante já que teremos 1Q84 (Murakami) e provavelmente O Prisioneiro do Céu (Zafón), assim como as várias surpresas que sempre surgem. Uma coisa é certa: vou reler alguns livros que li a muito tempo atrás, minha mente mudou muito e quero reavaliar algumas conclusões.

E você? O que me recomenda para 2012? =]

Do Outro Lado, de Natsuo Kirino

-Sabe de uma coisa? – ela murmurou. – Vamos todas direto para o inferno.
-É verdade – Masako concordou, lançando-lhe um olhar desolador. -É como se estivéssemos descendo uma ladeira íngrime sem freios.
-Quer dizer que não há como parar?
-Não, só vamos parar… quando batermos.
Yoshie se perguntou no que será que elas iriam bater. O que será que esperava por elas na virada da próxima esquina? Aqueles pensamentos a deixavam trêmula. (pág 183)

Perturbante e desconcertante resumem ‘Do Outro Lado’. Eu esperava um livro pesado, mas fui surpreendido o tempo todo.

Do Outro Lado expõe as angústias que corroem a vida de quatro mulheres, massacradas pela rotina de seus empregos e pela crise conjugal e familiar. O título desvela como o estresse do cotidiano pode levar alguém a atitudes extremas e amizades podem nascer em meio a situações-limite. Na surpreendente trama, as operárias Yayoi, Masako, Yoshie e Kuniko passam a madrugada num trabalho desgastante, embalando quentinhas numa fábrica. Pela manhã, elas têm de enfrentar os afazeres domésticos – uma extenuante sina diária. Quatro mulheres contemporâneas, divididas numa dupla jornada, vítimas de humilhações, até que um trágico e impensado assassinato executado por Yayoi mudasse suas vidas definitivamente, trocando o peso do tédio por desespero, apreensão e medo.

Sempre gostei de romances policiais e me interessei muito por esse assim que li a sinopse, principalmente por conta da mudança de foco. Normalmente esse tipo de romance foca na polícia tentando encontrar os culpados, mas aqui o inverso acontece e acompanhamos os autores do crime. E é uma sensação completamente diferente e única.

Kirino é brutal e cruel, brincando o tempo todo com os personagens e manipulando o leitor, instigando uma curiosidade terrível. Seu estilo é claro, mas ela sempre usa de artifícios para criar uma tensão e antecipação dos fatos. É incrível, você sabe que algo horrível está para acontecer e continua lendo justamente para ver isso acontecendo. A crueldade se dá por conta da realidade pesada criada por ela, uma realidade desesperadora e sombria. E brutal por ser capaz de simplesmente descartar certos fatores, como se fossem lixo, depois de os ter construído tão bem. Ela também não poupa o leitor de nada, criando cenas horrivelmente detalhadas e sangrentas.

O maior destaque são as personagens principais. Masako vive em um lar que não é dela, no qual filho e marido a ignoram completamente. Yayoi sustenta sozinha sua casa e seus filhos, enquanto seu marido torra as economias  em jogos de azar. Yoshie, que já está numa idade avançada, sempre está precisando de dinheiro e tem que sustentar uma família que só sabe abusar dela. Kuniko vive num mundo supérfluo, afogada em dívidas por conta de gastos desnecessários, sem contar sua vida amorosa problemática. A vida das quatro acaba entrelaçada após Yayoi assassinar o marido, envolvendo-as todas em um crime terrível. Sendo assim elas passam a compartilhar medo e temores parecidos, vivendo em desespero. Os outros personagens só ajudam a manter esse clima de tensão, já que também são bem trabalhados e desenvolvidos, passando por problemas tão horríveis quanto o quarteto principal.

O tema do romance é trabalhado até os extremos: o que as pessoas são capazes de fazer quando se encontram em situações de grande desespero e miséria? Surpreendi-me com as atitudes dos personagens, o desespero acabou os transformando em criaturas que buscam a sobrevivência a qualquer custo, não importando os meios. Em vários momentos eu tentei me colocar no lugar dos personagens, tentando pensar em como superar seus problemas e me assustei ao perceber que em muitos casos a morte seria a melhor solução, senão a única. Acabei também me afeiçoando pelo sofrimento deles, desejando de verdade que tudo desse certo e que as amigas tivessem um fim ao menos razoável.

Pouca coisa me desagradou aqui, se resumindo a algumas coisas não muito naturais na trama. Algumas mudanças de personalidade foram muito bruscas e um fato mais pro fim da história foi meio forçado… mas nada que destrua a experiência geral.

’Do outro lado’ entrou para a minha lista de livros favoritos. Uma trama inusitada e sombria, personagens impressionantes e uma narrativa que prende resumem bem o que esperar. Mas não é um livro que possa ser recomendado para qualquer um, já que ele tem cenas bem pesadas. No mais um livro incrível.

Impressões: Pushmo

Desde que o eShop foi lançado nada de interessante apareceu, pelo menos para mim. Mas finalmente a situação do eShop parece estar mudando e várias coisas interessantes foram anunciadas. Desses jogos, Pushmo foi um dos primeiros que me interessou (novidade, adoro puzzles!). Nesse puzzle desenvolvido pela Intelligent Systems (Advance Wars, Fire Emblem), controlamos Mallo, um estranho personagem vermelho com trajes de sumô (provavelmente Pushmo é a mistura de “push” e “sumo”) que tem que salvar crianças aprisionadas em puzzles de um parque.

O que achei legal:

  • Jogabilidade: Pushmo é daqueles jogos de jogabilidade fácil de aprender, mas difícil de dominar. O jogo consiste basicamente em empurrar e puxar os blocos empilhados, criando assim plataformas com objetivo de chegar ao topo dessas estruturas. Começa com desafios bem simples e óbvios e aos poucos vai ficando mais e mais difícil, exigindo pulos precisos e uma boa dose de percepção, já que se torna necessário pensar com cuidado todos os movimentos.

  • Boa apresentação: os gráficos são simples, mas bonitos e funcionais. Facilita também o fato de o jogo ser bem colorido e os puzzles serem em sua maioria desenhos pixelizados.
  • Efeito 3D: Mesmo não sendo tão bem trabalhado quanto no Super Mario 3D Land, o efeito 3D de Pushmo é interessante. A profundidade ajuda a se situar dentro dos puzzles, já que a câmera as vezes não colabora e esconde completamente Mallo. É bem mais fácil saber o quanto um bloco está puxado ou se é possível ou não fazer um salto com o efeito 3D ligado. Outro momento aonde o 3D é útil é quando se aperta R e a câmera fica paralela ao puzzle, com o 3D ativado é possível ver bem em que profundidade está cada bloco.
  • Conteúdo pseudo-infinito: é possível criar novos puzzles e compartilhá-los via QR Code, tornando o jogo com conteúdo praticamente infinito. E a internet já está cheia de criações legais.

O que não achei tão legal assim:

  • Música: É até legalzinha, mas cansa rápido. O melhor é desligá-la.
  • Mal é um jogo de 3DS: Pushmo é bem divertido, mas praticamente não é um jogo de 3DS. Ele não utiliza quase nenhum dos recursos do portátil, além do opcional efeito 3D. Seria interessante novos puzzles serem enviados via SpotPass ou até mesmo a troca de puzzles via StreetPass. Tirando o 3D ele poderia muito bem estar no WiiWare ou DSiWare.



No mais Pushmo é um puzzle bem agradável. Se gosta de puzzles pode ter certeza que vai gostar desse.

Pushmo está disponível no Nintendo eShop. Site oficial aqui.

Impressões: The Legend of Zelda: Skyward Sword

“Impressionante” resume bem Zelda Skyward Sword. Não, não é um jogo perfeito, mas é algo impressionante.

Depois de tanto tempo em desenvolvimento e muito hype por conta da Nintendo, finalmente foi lançado um dos últimos grandes jogos de Wii. Desde o primeiro trailer eu estava muito ancioso pelo jogo e posso dizer que a espera valeu a pena e boa parte das espectativas foram cumpridas.

Skyward Sword é, teoricamente, o primeiro jogo da cronologia da série Zelda e faz parte da comemoração dos 25 anos da série (assim como Zelda Four Swords Anniversary Edition). E é uma comemoração bem ousada, já que boa parte dos conceitos básicos estão bem diferentes aqui: História, narrativa, jogabilidade, level design e muitas outras características foram retrabalhadas, sem abandonar a essência original da série.

Link dessa vez é um estudante na academia de cavalheiros de Skyloft, uma espécie de ilha que flutua no céu. Neste mundo todos conhecem a suposta superfície somente através de lendas, todos estão acostumados com a vida no céu. Cada habitante de Skyloft tem como companheiro um loftwing, uma ave que todos utilizam para se locomover pelo céu. A aventura começa quando Zelda, que dessa vez é somente uma amiga de classe de Link, cai na superfície e Link sai a procura dela, ao mesmo tempo que descobre que faz parte de um destino maior envolvendo a deusa das lendas.

Algo que chama atenção logo no começo é a bela direção de arte. O estilo gráfico foi inspirado nas obras do pintor impressionista Claude Monet e torna o jogo bem único e agradável aos olhos, ao mesmo tempo em que consegue driblar as limitações técnicas do Wii. Esse efeito é ainda mais aparente e interessante quando observamos objetos distantes, quando a profundidade de campo é pequena e o fundo fica desfocado. Complementando o estilo gráfico temos a trilha sonora, que é em boa parte orquestrada e em alguns momentos é dinâmica, se alterando de acordo com a situação. A trilha é boa e combina bem com as situações, por mais que sejam poucas músicas que realmente se destacam (The Ballad of Goddess, The Sky e Demon Lord Ghirahim Boss Battle Theme, por exemplo)

Um dos principais pontos que difere esse Zelda dos demais é o level design. Ainda existe uma espécie de mundo principal (The Sky), mas ele é reduzido e colocado em segundo plano. O foco fica nas três grandes regiões da superfície (floresta, vulcão e deserto). Nestes lugares toda a progressão parece com os calabouços, com puzzles e inimigos e segredos, sem divisão aparente entre calabouço-mundo principal. É uma experiência nova e divertida, cada vez que é necessário revisitar estes locais sempre tem algo de novo. E o próprio desenho dessas áreas é bem pensado, com idéias bem interessantes, como a região de Lanayru suas sacadas legais. Acontece que isso leva a outro problema: The Sky, o mundo principal, é um tanto quanto vazio e desinteressante. Tem umas ilhas ali e acolá, mas nada que incentive a exploração, como o vasto oceano de Wind Waker. E para completar voar é lento e enfadonho. Ainda bem que não é necessário gastar muito tempo nisso.

Mas o maior destaque do jogo são os controles. Com o auxílio do Wiimotion Plus o controle da espada de Link é próximo 1 para 1. Isso tornou o combate muito mais interessante e desafiador, já que é necessário fazer os movimentos nas direções corretas. Por exemplo: é necessário atacar os inimigos no espaço em que eles não estiverem defendendo. É possível também golpear aranhas de baixo para cima, fazendo-as virar e exibir seu ponto fraco, e outras muitas situações. Os outros itens também utilizam bem o sensor de movimento, mas algumas vezes acontecem problemas com itens que é necessário apontar para a tela (nada que a recentralização oferecida pelo jogo não resolva). Outra situação é quando o sensor não reconhece completamente os movimentos e Link executa um corte completamente diferente. De qualquer maneira é finalmente algo próximo do que foi prometido no lançamento do Wii.

Com tanto foco na parte técnica e no level design, a história ficou meio que de lado. Depois das duas horas iniciais, no qual o universo básico é apresentado, o jogo dá somente leves dicas do que realmente está acontecendo. Depois de 30 horas de jogo eu conhecia muito mais os habitantes de Skyloft do que a trama principal em si. Os personagens secundários são até carismáticos visualmente, mas carecem de mais desenvolvimento. Ao menos as missões paralelas ajudam a quebrar um pouco o ritmo de jogo e a conhecer melhor estes personagens. Como os habitantes de Skyloft desconhecem a existência da superfície, existem poucos personagens no solo, somente algumas criaturas que não me cativaram.

Outro ponto que gostei muito foi a questão dos itens. É possível equipar somente um por vez e a quantidade destes é bem reduzida em relação às aventuras anteriores. Equipar um item é fácil e rápido: basta segurar um botão, mover o pulso e pronto, isso tudo sem pausa na ação. Isso fez com que cada um fosse melhor trabalhado e seus usos fossem mais diversificados. Desta vez é necessário utilizar vários itens para completar os calabouços, ao invés do foco ser no item recém adquirido. Existe também a possibilidade de melhorá-los, aumentando assim a utilidade deles. E por fim existe uma dose de estratégia, já que a bolsa de Link é de tamanho reduzido e é necessário planejar bem que itens entre escudos, garrafas e medalhas devem ser levados. Uma pena que a harpa, o instrumento da vez, seja bem insignificante e mal tenha uso, já que os instrumentos anteriormente sempre eram muito úteis.

Mesmo longe de ser perfeito, The Legend of Zelda: Skyward Sword é incrível. Excelente na parte técnica e com game design excepcional, é um dos melhores jogos da série e um dos melhores de Wii. Extremamente recomendado!

Morte de Tinta, de Cornelia Funke

    O jovem olhou fixamente para ele – Quantos você já matou? – Sua voz soou reverente. (…) – Não tantos quanto jazem aqui. (…) – É fácil?
“Sim”, pensou Mo. “Sim, é fácil, quando começa a bater um segundo coração no seu peito, frio e afiado como a espada que você carrega. Um pouco de ódio e fúria, algumas semanas de medo e raiva desamparada, e ele já cresce em você. É ele que marca o compasso quando se trata de matar, selvagem e rápido. E somente depois você volta a sentir o seu outro coração, tão suave e quente. Ele se apavora com aquilo que você fez sob as batidas do outro. Dói e treme… mas isso vem depois.”  (pags 98-99)

Enfim o fim da história. Iniciei Coração de Tinta sem saber que se tratava de uma trilogia, fiquei muito surpreso com isso e gostei muito da evolução da série. Morte de Tinta, o terceiro e último livro da trilogia, fecha muito bem a história.

Em Morte de Tinta acompanhamos Mortimer, Meggie, Dedo Empoeirado, Fenóglio e os tantos outros personagens do Mundo de Tinta em sua batalha final contra Cabeça de Víbora, este último muito mais poderoso e influente depois dos acontecimentos de Sangue de Tinta. E para complicar ainda têm que lidar com Orfeu, mais um dos que têm o dom de transformar em realidade o que lê, que interfere na história da maneira que bem entende.

Aqui a trama é bem mais sombria e violenta, já que a principal cidade do Mundo de Tinta (Ombra) está sob domínio do Cabeça de Víbora e seus capangas e eles não têm compaixão nenhuma quando querem algo. A história já começa com combates sangrentos entre os ladrões liderados por Principe Negro e os seguidores de Cabeça de Víbora, já ditando o ritmo de toda a trama. Morte, traição e tristeza estão por todos os cantos, um cenário de medo desolação.

A maioria dos personagens teve uma boa evolução, dada às circunstâncias do mundo. Mortimer assume completamente o papel de Gaio, o salteador das canções, e se torna um assassino frio e calculista que só quer saber de proteger seus entes queridos (nada parecido com o ingênuo encadernador de Coração de Tinta). Já Meggie, assim como Resa, se sente angustiada por infelizmente não poder fazer muito para ajudar. Fenóglio ainda encara toda a situação como se fosse uma bela obra dele e se recusa a tentar ajudar com suas palavras, por mais que sinta raiva por Orfeu bagunçar sua história. Inclusive a melhor adição foi sem dúvidas Orfeu: orgulhoso e prepotente, acredita que é um deus e faz o que bem entende com a história, pouco se importando com as consequências. No mais são os vilões que ditam toda a história e eles fazem isso muito bem. Ah, os personagens secundários têm um bom desenvolvimento também.

O estilo de Funke teve uma leve mudada, para conseguir acompanhar o tom mais sombrio da história. Ela conseguiu explorar melhor suas virtudes como belas descrições e diálogos fluídos, enquanto focou o mínimo em questões problemáticas como descrições de batalhas e combates, mas mesmo assim conseguindo manter uma atmosfera de tensão e leve desolação. A trama também é mostrada por vários pontos diferentes (já que a maioria dos personagens está separada) e a narrativa é uma mistura de terceira pessoa com primeira pessoa, dando assim uma ótima idéia do que se passa na mente dos personagens em relação aos acontecimentos. O final é um pouco vago, mas acredito que tenha sido apropriado.

Morte de Tinta é um ótimo final para a trilogia. Com uma narrativa bem mais envolvente, personagens muito interessantes, um universo rico e muita dose de “imprevisibilidade sombria”, Funke conseguiu criar uma história fascinante. Recomendado!

Ele matou mais quatro soldados. (…) A fúria que Orfeu atiçava dentro dele o fazia atacar com tanta frequencia que suas roupas negras estavam banhadas em sangue. Negro. Seu coração se tornara negro com as palavras de Orfeu.
(…)Mais dois soldados… Apavorados, eles tropeçaram para trás ao vê-lo. Mate-os rápido, Mo, antes que gritem. Sangue. Sangue, vermelho como fogo. Não era o vermelho antes a sua cor preferida? Agora ele se sentia mal diante daquela visão. (pag 499)

Impressões: Super Mario 3D Land

E depois de muita espera finalmente Super Mario 3D Land. Mesmo sendo um dos jogos mais esperados de 3DS para alguns, eu não tinha muito interesse nele. Conforme os vídeos foram sendo divulgados eu acabei me rendendo. A minha impressão inicial é boa e bate bem com o que estão falando por aí.

O que achei legal:

  • Efeito 3D: Finalmente um efeito 3D no 3DS que vale a pena. Não sei muito bem como explicar, mas Mario 3D Land com 3D desligado não é a mesma coisa. Dá pra sentir bem a profundidade de tudo, muito legal. E também existem alguns pontos (puzzles) em que o 3D é realmente necessário, sem ele fica muito mais difícil saber aonde se deve pular. Uma pena que são poucos puzzles que utilizam de fato o 3D, mas já é um começo para que isso seja utilizado mais vezes.
  • Gráficos: SM3DL apresentou até agora os melhores gráficos que vi no 3DS. Tudo roda de maneira fluída e tudo é bonito, praticamente no nível de Super Mario Galaxy. E a direção de arte é legal também, tudo bem colorido e único, como é de costume nos jogos do Mario.
  • Divertido: É muito divertido jogar SM3DL e isso se dá principalmente pelo level design variado. Cada fase é bem diferente da outra, repletas de pequenas coisinhas legais e detalhezinhos em todos os cantos. Só não espere algo completamente novo e impressionante como Mario Galaxy, é mais uma mistura das aventuras 2D e 3D. Mesmo com menos movimentos que nos jogos anteriores, Mario ainda é fácil de controlar e tem movimentos legais. O que mais gostei sem sombra de dúvidas é o movimento de ‘rolar’ do Tanooki Mario, muito legal! As referências aos vários Marios anteriores também são bem legais.

O que não achei tão legal assim:

  • Pouco conteúdo: SM3DL tem somente um modo principal e só. Nada de minigames ou multiplayer como nas aventuras de DS. As fases são curtas e não existem muitas delas. Eu mesmo cheguei ao mundo 4 (de 8 mundos) em menos de 2h, jogando normalmente, sem pressa. Outra questão é que a progressão é linear, ou seja, não existe um mapa com caminhos alternativos como no New Super Mario Bros. O recurso do StreetPass não é lá muito interessante também e não adiciona nada de significativo ao jogo. E sim, sei do que se trata o conteúdo e extra e acredito que minha opinião não vá mudar muito.
  • Fácil: As fases são fáceis, muito fáceis, é bem difícil morrer. Fica a impressão que o público-alvo são pessoas que não costumam jogar muito. Sem contar que o suposto desafio do jogo consiste em pegar todas as Star Medals de cada fase, moedas essas que costumam estar em lugares óbvios ou de fácil localização. E é uma pena também que as habilidades um pouco avançadas como rolar e pulo longo sejam subutilizadas, já que não existe a necessidade de usá-las para terminar as fases. Mesmo morrendo várias vezes (por descuido principalmente) e tendo perdido uma ou outra Star Medal, ainda acho o jogo fácil.
  • Música: As músicas são legais e tal, mas faltou algo aqui. Depois de Super Mario Galaxy eu esperava uma trilha sonora ao menos no mesmo nível (ou próximo), mas o que encontrei foi uma trilha repleta de músicas reutilizadas dos Marios antigos e uma insistente música-tema que toca o tempo todo até você não conseguir aguentar mais. Infelizmente as músicas inéditas são fracas. Mas gostei muito da música da tela-título.

No geral gostei muito de Super Mario 3D Land. Não se compara aos últimos grandes jogos do Mario, mas é um ótimo jogo de 3DS.

 

Não conte a ninguém, de Harlan Coben

Depois de ter gostado muito de Cilada, fui atrás de outros livros do Harlan Coben, já que o estilo dele me agradou muito. Acabei escolhendo então ‘Não conte a ninguém’, já que parecia bem interessante pela sinopse.

Em ‘Não conte a ninguém’ Coben usa a mesma receita: um mistério é revelado logo no início (normalmente um assassinato), só que aos poucos os personagens vão descobrindo furos nesses fatos e começam a ir atrás da verdade. Nesse caso o protagonista David Back recebe um estranho email enviado supostamente por sua esposa, morta brutalmente 8 anos atrás. Logo após de receber este email David é tomado como suspeito do assassinato de sua própria esposa, sendo assim ele começa a investigar, tentando descobrir o que na verdade está acontecendo e se ela está realmente viva.

Coben tem uma narrativa bem dinâmica e a todo momento detalhes do mistério vão sendo revelados. O texto flui bem, com muitas cenas de ação e capítulos curtos. Acontece também que essa narrativa às vezes é um pouco confusa, já que o foco da história fica alternando entre os vários personagens, mostrando fatos em sua maioria desconexos, sendo assim é preciso muita atenção para não perder nenhum detalhe e conseguir entender as revelações.

Os personagens são bem básicos e um tanto quanto superficiais, parece que Coben preferiu focar mais no ritmo da trama no que os personagens. David é o típico protagonista comum que acaba se envolvendo sem querer em algo bem maior que ele, Shauna é a amiga esperta do protagonista comum, Hester Crimstein é a advogada bruta… e por aí vai, personagens que já vimos em outros lugares. No fim das contas a impressão que se tem é de estar assistindo um filme, já que é difícil se identificar com personagens tão subdesenvolvidos e estereotipados. A trama parece bem interessante no início, mas é muito mal desenvolvida e no fim parece bem simples. A revelação no fim do livro também não causa impacto nenhum.

‘Não conte a ninguém’ é uma leitura rápida e descompromissada. Sim, tem vários pontos negativos, mas não deixa de ser uma leitura legal para quem gosta de romances policiais com toques de Hollywood.